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terça-feira, 26 de novembro de 2013

BACTÉRIAS + MILHO = PLÁSTICO

O que o petróleo, o milho e as bactérias têm em comum? Não, isso não é uma piada. Por incrível que pareça, os três elementos em questão podem ser matérias-primas para a produção de sacolas plásticas! No entanto, ainda não há motivo para comemorar. 

É inegável que produzir objetos de plástico com outros materiais que tentam minimizar a poluição ambiental é louvável, mas ainda não temos, até o momento, uma solução que seja economicamente viável, 100% biodegradável e que mantenha as qualidades do material plástico. 

As sacolas plásticas convencionais são feitas com polímeros derivados do petróleo. Ou seja, são nocivas ao meio ambiente. 

Uma alternativa encontrada foi a produção de plásticos a partir do amido (veja mais aqui), mas essa opção tem dois problemas: o material feito apenas com a resina do amido perde as qualidades plásticas em contato com a água; sem contar que o produto que mistura elementos de petróleo com o amido perde o status de totalmente biodegradável. 

Bactérias Mas há um material chamado polihidroxialcanoato (PHA), também conhecido como poliéster bacteriano. 

Alguns dos derivados dessa substância são o polihidroxibutirato (PHB), poli(β-hidroxivalerato) (PHV) e poli(hidroxibutirato-co-valerato)(PHB-V). 

De acordo com artigo de pesquisadores da Universidade de São Paulo e de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), os PHAs são um tipo de plástico orgânico (poliéster). 

A produção se dá por meio da biossíntese direta de carboidratos da cana-de-açúcar, do milho, ou de óleos vegetais de soja e palma. 

Dentre todos esses nomes estranhos e processos químicos complexos, o polímero polihidroxibutirato (PHB) se destaca no meio dos demais PHAs por ter propriedades físicas e mecânicas parecidas com as do polipropileno (PP). 

Portanto, ele tem potencial para se tornar um substituto para plásticos não biodegradáveis. 

Processo A glicose e a sacarose presentes na cana-de-açúcar, no milho ou nos óleos vegetais são as principais substâncias utilizadas por algumas espécies de bactérias (como a Alcaligenes eutrophus) para produzir o PHB, que é acumulado sob a forma de grânulos, dentro das células bacterianas, novamente segundo o artigo citado anteriormente. 

O polímero é totalmente biodegradável, pois é decomposto pela ação de fungos, bactérias e leveduras. 

A degradação do “plástico” demora cerca de seis a 12 meses para ocorrer, muito menos do que os até 100 anos das sacolas plásticas normais. 

As oxibiodegradáveis também demoram pouco tempo para se decomporem, mas existem consequências nebulosas. 

Prós e contras Esse material, por ser rapidamente degradado, seria muito efetivo se utilizado, além nas sacolas plásticas, em embalagens para produtos de limpeza, higiene e cosméticos, barbeadores, copos e talheres de plástico, sacos e vasilhames para fertilizantes e defensivos agrícolas, vasos para mudas e produtos injetáveis. 

Algumas empresas estudam a possibilidade do uso de PHB na fabricação de garrafas do tipo PET. Além disso, por ser biocompatível (não promove reações tóxicas e imunológicas quando em contato com o tecido humano) e facilmente absorvido pelo organismo humano, o polímero pode ser empregado na área médica e farmacêutica, como matéria-prima para a fabricação de fios de sutura, próteses ósseas e cápsulas que liberam gradualmente medicamentos na corrente sanguínea. 

No entanto, os poliésteres bacterianos não devem ser empregados para embalar alimentos, pois podem sofrer ataques de bactérias e contaminar os próprios alimentos. 

Os remédios revestidos com PHB, por exemplo, não sofrem ação bacteriana, pois são revestidos por outros materiais esterilizados. 

No caso das embalagens de alimentos, elas teriam contato direto com o ambiente e assim, poderiam se contaminar e, depois, contaminar os alimentos. 

Apesar de todas essas vantagens, o maior problema para esse tipo de plástico decolar é o fator econômico. A sua participação no mercado nacional e internacional ainda é mínima (cerca de 1%), pois apresenta uma desvantagem financeira quando comparado com os plásticos de origem petroquímica. 

Os plásticos biodegradáveis são, em média, 40% mais caros e, por serem menos flexíveis, têm aplicações mais limitadas do que os sintéticos.

Fonte: Ecycle

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