terça-feira, 26 de abril de 2011

TRADIÇÃO OU APENAS CURTIÇÃO? A POLÊMICA EM TORNO DO SÃO JOÃO DA PARAÍBA

Festejos Juninos em Campina Grande/PB
Com a proximidade dos Festejos Juninos, e com os cofres do Estado vázios, o Secretário de Estado da Cultura da Paraíba, o cantor e compositor Chico César, lançou uma polêmica ao defender o São João autêntico. Acompanhe os fatos da semana, e deixe sua opinião sobre o assunto. Ao final, o São João deve manter suas raízes e tradições com apenas bandas de forró pé-de-serra, ou também há espaço para as bandas de "forró elétrico", que já dispõe da mídia 365 dias por ano? Sua participação é de muita importância para nós.

Chico César é o atual 
Secretário de Cultura da Paraíba
O músico e também secretário de Cultura da Paraíba, Chico César, disse na semana passada que o governo estadual não contratará shows com “bandas de forró de plástico e grupos sertanejos” na Festa de São João paraibana. “O governo do Estado não pretende pagar duplas sertanejas, não pretende pagar forró de plástico”, disse em entrevista a uma rádio.

O assunto repercutiu hoje na Assembleia Legislativa: o deputado Raniery Paulino (PMDB) disse que o secretário foi infeliz e que desrespeitou os artistas. Para ele, o governo não pode determinar as bandas que o povo deve ou não ouvir. A polêmica saiu da AL, foi parar na imprensa, e, claro, no Twitter. Chico César está nos trending topics Brasil desta terça-feira (19).

Há, na declaração do secretário, dois temas a serem discutidos: 1. O que é banda de forró de plástico? Não se trata de uma classificação pejorativa? e, 2. Pode o governo decidir o que a população vai assistir na festa, já que se trata de um investimento do Estado? E como fica o gosto popular?


O secretário de Estado da Cultura da Paraíba, Chico César, emitiu nota nesta segunda-feira (18), esclarecendo que o objetivo do Governo não é proibir ou impedir que eventos sejam organizados com tendências musicais diversas, mas sim, direcionar os recursos públicos para incentivar o fortalecimento e o resgate da cultura paraibana e nordestina.


NOTA DE ESCLARECIMENTO DO SECRETÁRIO CHICO CÉSAR


“Tem sido destorcida a minha declaração, como secretário de Cultura, de que o Estado não vai contratar nem pagar grupos musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino. Não vai mesmo. Mas nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso. O Estado encontra-se falto de recursos e já terá inegáveis dificuldades para pactuar inclusive com aqueles municípios que buscarem o resgate desta tradição.

São muitas as distorções, admitamos. Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco. Vaias também recebeu Geraldo Azevedo porque ele cantava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festa junina financiada pelo governo aqui na Paraíba, enquanto o público, esperando a dupla sertaneja, gritava “Zezé cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”.

Intolerância é excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.

Secretário de Estado da Cultura – Chico César


Fonte: Blog Nova Consciência


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