sexta-feira, 22 de abril de 2011

CIRCUITO DO BREJO PARAIBANO 2011 - 1ª PARTE - BANANEIRAS/PB

Bananeiras/PB
O município de Bananeiras está localizado a 141 Km de João Pessoa, e a 150 Km de Natal/RN. Situado na Mesorregião do Agreste Paraibano, e na Microrregião do Brejo Paraibano, encravado em plena serra da Borborema a uma altitude de 526 metros do nível do mar, dando as características do brejo de altitude, o que proporciona a cidade um clima frio úmido, com temperaturas na casa dos 28°C no verão e 10 °C no inverno.

O revelo é bastante acidentado, com vales profundos e estreitos dissecados, típicos do Planalto da Borborema. Já vegetação é composta por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, típicas do agreste e a Mata Úmida de altitude. Quanto a hidrografia, está inserido dentro da bacia hidrográfica do rio Curimataú, tendo como principais afluentes os rios Curimataú, Dantas e Picadas e os riachos Sombrio e Carubeba, todos de regime intermitente. Conta ainda com os recursos do açude da Piaba.

A história de Bananeiras tem início com a colonização das terras a partir da metade do século XVII, a partir das semarias doadas a Domingos Vieira e Zacarias de Melo, que viviam em Mamanguape. A origem do nome vem justamente desta época, onde quando os donatários chegando às terras próximo a uma lagoa, que corria no fundo de um vale, observaram a existência de muitas pacoveiras (uma bananeira rústica), que produzia frutos inadequados para o consumo humano, ficando o local conhecido como vila de Bananeiras.  A vila pertencia à jurisdição de São Miguel daBaía da Traição. Em 1822, passou à jurisdição de Areia/PB. Em 1835 foi criada a freguesia de Nossa Senhora do Livramento. 

O distrito de Bananeiras foi criado pela lei provincial nº 5, de 26 de maio de 1835. Foi elevado à categoria de vila pela resolução do conselho do Governo e sede municipal de 9 de maio de 1833, Instalado em 10 de outubro de 1833.

A região foi primeiramente produtora decaba-de-açúcar e depois de café. Em 1852, a produção cafeeira chegou a ser a maior da Paraíba e a segunda do Nordeste, com uma produção de um milhão de sacas ao ano. Isto tornou a cidade uma das mais ricas daquela região, riqueza esta expressa na arquitetura de seus casarões, resultado da opulência vivida pela aristocracia rural. O dinheiro do café permitia a construção de palacetes, com ladrilhos importados. O fausto do café acabou em 1923, com a praga Cerococus paraibensis que contaminou as plantações. A cana-de-açúcar, o fumo, o arroz e, posteriormente, o sisal, passaram a figurar como produtos estratégicos da economia regional.

O padre José Antônio Maria Ibiapina (Ex-Deputado, que abandonou a vida civil para seguir  catolicismo, que percorrendo a região Nordeste em missões evangelizadoras) passou pela região, percorrendo diversos povoados vizinhos. A primeira igreja, dedicada a Nossa Senhora do Livramento, foi concluída em 1861, após 20 anos. Sua construção foi incentivada pelo padre Ibiapina e contou com o apoio do Monsenhor Hermenegildo Herculano. A antiga capela de taipa havia desmoronado. Bananeiras não tinha mais que mil habitantes. Em 1919, foi calçada a primeira rua, com pedras irregulares, também chamadas “pé de moleque” ou “imperiais”.

Em 1922, Bananeiras é contemplada com a inauguração o ramal ferroviário que contava suas serras, com primeiro trecho entregue em 1910, mas na verdade, o trem só chegou em 1925. Foram 15 anos para entregar 35 quilômetros, Deveria avançar mais outros 35-40 km para atingir Picuhy, o que jamais aconteceu. O marco inaugural foi com a construção do túnel da Serra da Viração, no governo de Solon de Lucena, um ilustre filho da terra. Este homem dizia que 'o trem chegaria a Bananeiras nem que fosse por baixo da terra'. A tecnologia anglo-brasileira teve de perfurar um túnel de 202 m, na pedra maciça, para que o trem atingisse Bananeiras, após passar pela vila de Camucá, a atual Borborema.A bela estação de Bananeiras foi inaugurada em 1925 pela Great Western, como ponta de linha do ramal de Bananeiras. A estrada na época se chamava E. F. Independência ao Picuhy, e deveria ligar a estação de Independência (hoje Guarabira), saindo pela estação de Itamataí, na linha Norte da Great Western, à localidade de Picuhy. O trem para de circular em 1966, e em 18 de abril de 1970, o rama é oficialmente desativado.

Uma das maiores atrações de Bananeiras é o “Caminho do Frio”, que ocorre no mês de julho. Neste período a cidade vira palco desta Rota Cultural, que envolve outras cinco cidades do Brejo paraibano com a realização de eventos, festivais e outras atividades que envolvem a população nativa e os turistas. Umas das atividades é a “Aventura e Arte na Serra” com a realização de oficinas, apresentações artísticas e a promoção de passeios e trilhas pelas ladeiras, áreas rurais e cachoeiras que embelezam a pequena cidade que está a 552m acima do nível do mar. Existem ainda exposição de Artes, festival gastronômico da banana, tilápia e cachaça, apresentações teatrais e de música instrumental.

Para os turistas que desejarem visitarem Bananeiras no restante do ano, o município oferece bastante opções de Ecoturismo e Turismo de Aventura. Confira os principais pontos turísticos:

O Cruzeiro de Roma
Surgiu em 1899, construído por um proprietário rural, que pretendia marcar a passagem do Século XIX para o Século XX. A capelinha e a construção anexa têm 106 anos de existência e situam-se a 507m de altura. O conjunto arquitetônico religioso localiza-se no distrito de Roma, na zona rural, a 12 Km do centro de Bananeiras. É parada obrigatória dos romeiros que cumprem o roteiro “Nos passos de Ibiapina”. Se constitui na trilha rotineira dos peregrinos que se dirigem a pé para o Memorial de Frei Damião, em Guarabira, ou que seguem em demanda do monumento de Padre Cícero, em Juazeiro (CE).

Cachoeira do Roncador
É um lençol d’água que desaba de uma altura de 45m, graças a uma depressão formada no curso médio do rio Bananeiras. A flora nativa em redor da cachoeira mostra uma natureza exuberante, onde permenecem angelins, sucupiras, pau d’arcos, sapucaias e pirauás. O local é adequado para caminhadas ecológicas e a prática de camping selvagem. O Ibama descobriu nesta mata uma colônia de quatís-papa-mel, talvez a única do Estado.
O Túnel do Trem – Construído em 1922, permitiu que a estrada de ferro chegasse a Bananeiras. Antes, o trem só ia até a Vila de Camucá (Borborema), a 12 Km de distância. Há planos para transformar túnel  em área de lazer.

Há ainda as seguintes Trilhas Ecológicas:

Trilha Ecológica Goiamunduba

Ponto zero Igreja matriz
Percurso 12 km (carro ou a pé) de ida e volta
Estrada para o Engenho da Cachaça Rainha.

Atrativos do Percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Plantações
Vegetação densa dos fragmentos de mata atlântica e Serrana
Relevo da região
Nascentes do rio Goiamunduba
Lagoa do Encanto
Lendas do local
Frutas de época
Ruínas da Casa do Senhor de Engenho
Casa de Farinha
Levar lanche, Grau de dificuldade em escala de 0 a 10= 3 em caso de acidentes, fácil acesso.


Trilha da Cacimba e Bica das Almas
Percurso 5 km ida e volta (a pé)
Atrativos do Percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Um dos afluentes do rio Bananeiras
Relevo
Resquício de mata serrana
Lendas do local
Levar lanche
Grau de dificuldade escala de 0 a 10 = 6
Em caso de acidentes, difícil acesso 


Trilha do Umiraí – Inscrições e Pinturas Rupestres
Percurso  48 km ida e volta (600 metros a pé)
Atrativos do percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Passagem pelo distrito do Tabuleiro onde podemos lanchar e almoçar R$ 6,00
Passagem pelas canoas (possível sítio paleontológico)
Frutas de época (caju, pinha, castanha, torrada, umbu).
Pedra do letreiro – Inscrições e pinturas Rupestres.
Grau de Dificuldade escala de 0 a 10=4
Em caso de acidentes, fácil acesso.


Trilha do Trem
Percurso  7 km de ida e volta (a pé)
Atrativos do Percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
História do túnel
Antiga Estação, hoje Hotel Pousada da Estação.
Mirante vista parcial da cidade
Fabrica do fumo
Vegetação
Criações na UFPB (gado, galinha, porcos, abelha, rãs)
Rapel > 27 metros
Frutas da época (cajú, manga, jaca, cajá).
Nascente do rio Bananeiras.
Levar lanche grau de dificuldade de 0 a 10=01
Em caso de acidentes, fácil acesso.  


Trilha das Árvores Centenárias
Percurso 5 km de ida e volta
Atrativos do Percurso:
História da cidade Incluindo parte do casario
Campus III da UFPB
Abatedouro > criações de porcos, coelhos, abelha, peixe.
Levar lanche
Grau de dificuldade 0 a 10 = 02
Em caso de acidentes, difícil acesso.


Trilha do Cruzeiro de Roma
Percurso  24 km pela lagoa de Mathias-estradão (ida e volta)
32 km Roma-Asfalto (A carro ou a pé)

Atrativos do percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Mata Atlântica (Goiamunduba)
Engenho da cachaça Rainha
Canaviais
Rio Goiamunduba
Plantação de flores tropicais
Lagoa de Matias
Piscultura (tilápia)
Piscinão de Roma
Frutas de época
Rappel – 30 metros
No distrito de Roma podem- se comprar frutas, lanches, água etc.
Grau de dificuldade de 0 a 10 = 03 em caso de acidentes, difícil acesso.


Trilha da Bica do Gato
Percurso 5 km de ida e volta (a pé)
Atrativos do Percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Plantações
Paisagens
Cacimbas de água potável
Rapel – 15 metros
Banho de bica
Frutas da época (manga, banana, laranja, cajú, cajá)
Levar lanche
Grau de dificuldade de 0 a 10 = 03
Em caso de acidentes, médio acesso.


Trilha do Moura
Percurso 25 km ida e volta (a carro ou a pé)
Atrativos do Percurso:
Paisagens
História da cidade incluindo parte do casario
Plantações
Frutas de época (manga, banana, cajá).
No distrito de Roma podem-se comprar frutas, lanches e água.
Grau de dificuldade de 0 a 10=07
Em caso de acidentes, difícil acesso.


Trilha da Caverna
Percurso 10 km ida e volta (a pé ou de carro)
Atrativos do Percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Fragmentos de mata atlântica
Paisagens
História do local
Levar lanche e água
Grau de dificuldade de 0 a 10 = 05
Em caso de acidentes, fácil acesso.


Trilha da Gruta dos Morcegos
 
Percurso  30 km ida e volta (de carro ou a pé)
Atrativos do percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Plantações da cultura regional
Casarão de Sólon de Lucena
Capela do sagrado coração de Jesus
Frutas de época (manga, cajú, cajá).
Rapel de 20 metros
Pinturas rupestres
Levar lanche
Local propício para acampamento
Grau de dificuldade de 0 a 10 = 04
Em caso de acidentes, fácil acesso.


Trilha da Bica dos Cocos
Percurso 8 km de ida e volta (a pé ou de carro)
Atrativos do Percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Antiga Estação
Paisagem do túnel da viração
frutas da época
Pode ser feita pela antiga trilha do trem
Túnel da viração
Bar e Restaurante
Banho de bica
Grau de dificuldade de 0 a 10 = 03
Em caso de acidentes, fácil acesso.


Trilha do Sítio Mijônia
 
Percurso  20 km de ida e volta (de carro ou a pé)

Atrativos do Percurso:
História da cidade incluindo parte do casario
Paisagens do caminho
Plantações
Frutas de época (manga, cajú, banana, jaca).
Pesque e pague
Banho de açude
Banho de bica
Passeio de canoa
Trilha ecológica
Bar e Restaurante
Grau de dificuldades de 0 a 10 = 03
Em caso de acidentes, fácil acesso. 

GEOTRILHAS/RN EM BANANEIRAS/PB    

GEOTRILHAS/RN na Mata da Goiamanduba
Depois de uma eleição feita no Projeto GEOTRILHAS/RN, para saber os melhores do ano de 2009, onde na categoria Melhor Trilha de 2009, o Circuito do Brejo Paraibano foi o ganhador, percebemos que as maravilhosas lembranças das visitas feitas em Bananeiras e Areia marcaram bastante os participantes do projeto (Clique aqui e confira como foi o Circuito do Brejo Paraibano 2009). Pensando nisso, embarcamos depois de um ano meio, para novamente aproveitar os que estas fantásticas cidades têm de melhor. 

A nossa primeira parada foi novamente em Bananeiras/PB, onde chegamos na manhã do dia 25 de março, por volta das 09h:00 vindos de Natal/RN. Como da primeira vez, fomos direto para o marco zero da cidade. Localizado na igreja matriz, onde encontraríamos novamente com o nosso guia que fez a condução do grupo em 2009, o Joilson Custódio, mas que para a nossa surpresa, não pode comparecer devido esta na data conduzindo um curso de guias de turismo. Uma das medidas de qualificação do município oferecido aos jovens de Bananeiras. Em seu lugar, com a missão de conduzir o nosso grupo nos dois dias de permanência, foi escalado o companheiro de Movimento Escoteiro, Adriano Bezerra, que faz parte do Grupo Escoteiro e Grupo Ambientalista Anjos Noturnos. 

Início da Trilha
Após nos apresentarmos, seguimos para a Pousada da Estação, onde nos hospedamos. O local foi a antiga estação ferroviária da cidade, que passou por uma restauração, que conservou todos os seus traços. O complexo possui ainda um restaurante para atender os hospedes e visitantes. Depois do almoço, também realizado na pousada, partimos com destino ao Cruzeiro de Roma, numa trilha com percurso de 15 Km, que teve início pelas ruas antigas de Bananeiras, onde conhecemos alguns casarões e sobrados. Seguimos ao lado da igreja matriz, por ruas com imensas ladeiras, até se distanciarmos da zona urbana. 

À medida que caminhávamos começamos a perceber que a especulação imobiliária atingiu a pacata Bananeiras. Passamos ao lado de um imenso condomínio dotado de lojas comerciais e até campo de golf, que contrastava nos imensos e profundos vales. A nossa caminhada foi bastante agradável, pois o dia estava nublado. Chegamos a ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico de Goiamunduba), uma grande área de Mata Atlântica encravada no Agreste. Entramos no interior da mata, onde podemos observar várias árvores, onde os pássaros e cigarras davam o tom no final da tarde. Dentro da reserva, o clima era mais ameno devido ao micro-clima formado. Descemos por uma parte da reserva, onde existem alguns colonos que praticam agricultura de subsistência. Numa relação harmoniosa com o meio ambiente. 

Por dentro da ARIR Goiamanduba
Ao chegarmos numa propriedade, escutamos de longe um barulho de uma queda d’água. Era uma pequena cachoeira que passava no local, que logo se situamos próximo a ela para lanchar e descansar um pouco. Notamos que pela marcas d’águas, a chuva da noite anterior foi bastante forte, devido a quantidade de galhos e pelo capim amassado que se encontrava no local. Seguimos adiante, subindo ao lado da cachoeira, por um ponto bastante acidentado. Com muito cuidado, partimos em busca de uma das nascentes que forma a cachoeira do Roncador, que iríamos visitar no dia seguinte. Caminhamos por uma pequena área de pasto, ao lado do gado, que nos observava com um olhar bastante curioso. Entramos em seguida pelo um pomar de mangueiras, que dava nos fundos de outras casas de colonos. Chegamos a um grande estradão, que nos levaria a uma pequena capela da comunidade. Chama-nos a atenção, o belo jardim repleto de flores, nos fundos da capela. Passamos pelo um portal que nos velaria a um outro trecho da reserva. A curiosidade no local se dava pelo sistema de abastecimento da comunidade. Uma pequena barragem no alto da reserva levava a água por meio da gravidade para os moradores. Os canos eram feitos de bambus, que vinham da própria mata, que possuía um imenso bambuzal. Adentramos mais uma vez na mata fechada, onde depois de quinze minutos de caminha, finalmente chegamos a nascente do Roncador. Um pequeno olheiro protegido pela mata ciliar, que em gota em gota, forma uma das maiores cachoeiras do Nordeste. Fizemos um copo com algumas folhas, usando as técnicas escoteiras, para saborear a água  cristalina. 

Rumo ao Cruzeiro de Roma
Retornamos novamente ao estradão, para seguir caminho para o Cruzeiro de Roma. A paisagem do final da tarde era bastante bela, com os vales e as casas isoladas nos altos da serra, faziam com que o grupo se empolgasse cada vez mais para chegar ao destino. Pelo caminho notamos alguns marcos, que o guia Adriano nos informou que eram do caminho das missões do Padre Ibiapina, para orientar os romeiros que faziam o mesmo percurso no chamado Caminhos do Fogo. Uma trilha de dois dias e meio que sai da cidade de Guarabira até Solânea. A dica foi bastante aceita pelo grupo, que de ante mão já pré-agendou para o ano que vem. Voltado à trilha atual, chegamos a uma área de canaviais, com uma vila aos arredores. De longe observamos uma fazenda com uma antiga construção. Estávamos chegando ao Engenho Goiamunduba, produtor da famosa Cachaça Rainha. 

Portal de entrada do Cruzeiro de Roma
No local, pudemos entrar para observarmos a parte da moeda, que estava desativada devido a entre safra da cana-de-açúcar. Adriano explicou que o engenho passa uma parte do ano moendo e outra parada. Observamos ainda o local de destilação e armazenamento da cachaça. Seguimos em frente, com a noite já caiando, atingimos o açude que abastece a cidade, e já dava para observarmos o alto do Cruzeiro de Roma. Passamos por uma comunidade que a atividade típica do local era a criação em cativeiro de tilápias, antes de chegar ao pé da serra, para encarar a subida. Por uma estrada pavimentada, seguimos subindo, com uma parte do grupo já bastante cansado, mas que não arredaram o pé. Após cerca de sete horas de caminhada, finalmente cruzamos o portal de entrada do Cruzeiro de Roma, bem no alto da serra. Segundo o guia Adriano, e de acordo com a cresça popular, ao passar pelo portal, o visitante pode fazer um pedido, o que ocorreu de forma individual. No alto do cruzeiro, a vista era deslumbrante das cidades circunvizinhas de bananeiras, ao ponto de poder observar até a cidade de Nova Cruz/RN. O memorial de Frei Damião, localizado em Guarabira, também era possível de ser visto do alto. Os raios que cortavam a serras, denunciavam que a chuva estava próxima. 

Após as orações individuais de agradecimento pelo momento, nosso grupo foi conduzido de volta a cidade, por uma equipe de mototaxista, comandado pelo Seu Dido, pai do Adriano, que proporcionou uma experiência ímpar para alguns membros do grupo, que nunca tinham utilizado deste meio de transporte tão comum nos pequenos municípios do Nordeste. Depois de cerca de 15 minutos de viagem, chegamos novamente a pousada, de onde nos despedimos da equipe de apoio e o guia, já combinando o horário da partida da trilha da manhã seguinte, o famoso Roncador. O grupo jantou no restaurante da Pousada Estação, e experimentou a famosa Cachaça Rainha, que sem dúvida realmente deve ser a rainha das cachaças pelo seu alto teor alcoólico. Encerramos as atividades do primeiro dia as 20h:30, e nos recolhemos para o pernoite, na expectativa do dia seguinte para enfrentar os 9 Km até o Roncador.

O segundo dia de atividades começou logo cedo em bananeiras. Logo nas primeiras horas da manhã, quando acordamos e abrimos as janelas dos quartos, a paisagem estava linda, onde uma imensa nevoa descia do alto da serra e cobria a cidade. Descemos para o café da manhã pontualmente às 06h:00, onde o serviço do restaurante da pousada nos serviu um café bastante reforçado, para agüentarmos mais um dia de caminhada. 

Chegada ao túnel Viração
Às 07h:30 da manhã, o guia Adriano, e a equipe de mototaxistas vieram nos buscar para levarmos até a cidade de Borborema, de onde partiríamos em busca do Roncador. Mas antes, fomos até o túnel da Viração, localizado próximo a pousada. Chegando lá, Adriano contou a história, e apontou algumas curiosidades do túnel que agora tem utilidade rodoviária. Segundo ele, o túnel já foi hotel e local da realização do famoso Forró do Túnel em Bananeiras. O túnel possui um olho d’água que vai dar numa caixa d’água, em que os moradores das proximidades utilizam para matar a sede com a água cristalina que brota das paredes do túnel. Seguimos pelo centro de Bananeiras, até a Casa do Turista de Bananeiras, onde conhecemos a marina, responsável pela casa, e conhecemos um pouco do artesanato do local, Depois dissos partimos até chegar a PB – 105, até o entroncamento com a PB – 103, de onde seguimos para Borborema, passando por belas paisagens repletas de vales e fazendas. 

Chegando a Borborema, combinamos o ponto e horário dos mototaxistas nos pegarem para voltarmos para Bananeiras. Após isso, partimos pelo centro de Borborema, onde ainda fizemos uma parada ao lado do mercado público para tomar um caldo-de-cana com pastel, e experimentar o suco de coco. Isso mesmo suco de coco, e não água de coco. O suco de coco é uma receita típica do lugar, onde é feito a partir da polpa, ou carne do coco passado no liquidificador, assemelhando-se ao leite, mas menos concentrado. 

Seguindo pela velha estrada-de-ferro
Depois de termos experimentado os quitutes paraibanos, seguimos pela zona rural do município, onde logo de cara vimos uma pequena hidrelétrica desativada, que segundo o guia, fornecia energia elétrica inclusive para Bananeiras, há tempos atrás. Prosseguimos adiante, pelas as estreitas picadas ao lado da serra, onde um dia passava os trilhos da estrada de ferro. No outro lado, os vales e algumas ruínas de velhos engenhos. O mato dificultava a nossa progressão, devido às chuvas que renovaram a vegetação. Mais a frente encontramos com um ciclista solitário, que vinha fazendo o caminho inverso ao nosso, que nos alertou da existência de marimbondos, numa área cercada por rochas. Com os cuidados redobrados, seguimos por uma imensa área que foi aterrada para a passagens dos trilhos. Segundo Adriano, a operação foi toda realizada no lombo de jumentos, devido à impossibilidade de acesso de caminhões na época. Depois desta informação, refletimos o por quê da demora da construção da estrada de ferro. 

Chegamos ao ponto crítico da trilha, justamente onde o ciclista nos alertou. Haviam várias casas de marimbondo, onde foi necessário o grupo passar bastante repelente, e se proteger com toalhas. Decidimos dividir o grupo em dois, para passar aos poucos. O primeiro grupo ainda receberam algumas picadas, por passarem muito devagar, e por terem batido em algumas casas. Já o segundo depois de muita espera, e agilidade na corrida, não sofreram nenhum ataque. Aos que foram atacados, foram dados os primeiros atendimentos com antialérgico, o que amenizou os possíveis sintomas adversos. 

Grupo passando pelo túnel Samambaia
Depois deste contratempo, chegamos ao túnel Samambaia, o maior túnel em curva do Brasil, por onde o trem passava. Seguimos por escuro e úmido túnel, onde haviam bastantes morcegos. Após a passagem pelo túnel, seguimos ainda por um trecho da antiga estrada de ferro, até atingir um estradão, de onde caminhamos mais meia hora, até ouvir o barulho da cachoeira do Roncador, que ainda estava longe. Entramos numa área de granjas, até chegar ao Restaurante do Roncador, onde encontramos com a Dona Lourdes e o Seu José, proprietários do local. Encomendamos a famosa galinha de capoeira, especialidade da casa, e formos em seguida para o roncador, por dentro dos bananais. A medida que se aproximávamos, o barulho ficava mais intenso. 

Cachoeira do Roncador
Ao avistarmos as primeiras águas, observamos que as chuvas das noites anteriores fizeram que o volume das águas aumentassem bastante, deixando a água um pouco barrenta. Fomos em direção a queda d’água, que se revelava por trás da vegetação, numa linda imagem feita pelo especatulo das águas. Diante dela, não perdemos tempo, e logo fomos mais uma vez experimentar as águas geladas do Roncador, numa merecida hidromassagem após dois dias de caminhada. A cachoeira do Roncador é sem dúvida um dos locais mais lindos visitados em dois anos de projeto GEOTRILHAS/RN, o que cativou a maioria do grupo, que resolveu mais uma vez, conferir a cachoeira. Após as energias serem recarregadas, voltamos para o restaurante, saborear a galinha de capoeira, que se assemelha a nossa galinha caipira. Num papo descontraído, o grupo experimentou uma outra cachaça da região, conhecida como Serra Limpa, que demonstrou ser mais suave que a da noite anterior. 

Escalada ao lado do Roncador
Depois da refeição feita, o grupo se despediu da Dona Lourdes e Seu José, doando um boné do Grupo Escoteiro do Mar Artífices Náuticos, para a coleção do restaurante. Seguimos ao lado da cachoeira do Roncador, subindo a serra, até chegar numa área de plantação de bananas, onde seguimos por uma estrada até chegar vinte minutos depois, ao campo de futebol da comunidade, onde esperamos experimentando uma outra iguaria da Paraíba, o vinho de caju, por nossos mototaxistas, que chegando ao local, nos conduziram de volta para a pousada em Bananeiras, de onde fizemos a entrega do certificado de Melhor Trilha de 2009 ao guia Adriano, que representava a Casa do Turista. 

Ao encontro dos mototaxistas
Nos despedimos dos nossos companheiros que nos acompanharam nestes dois dias em Bananeiras, e nos recolhemos para higienização pessoal e arrumação de malas, para seguirmos as 17h30 para o município de Areia, segunda parte do roteiro do Circuito do Brejo Paraibano, onde outra parte do grupo já estava a nossa espera vindos de Natal/RN. A medida que Bananeiras ia ficando no retrovisor do carro, o desejo de voltar já estava renovado para o próximo ano, pois a cidade fará parte do percurso da Trilha do Padre Biapina, que será organizada pelo GEOTRILHAS/RN. Sem dúvida, Bananeiras mais uma vez mostrará que é uma cidade que quem visita, fica com a vontade de voltar.

VÍDEO DA TRILHA 

Raio-X

Nível de Dificuldade – Alta
Localização do Parque – Bom
Disponibilidade de Socorro Médico – Ruim
Apoio Logístico - Bom

Recomendações necessárias para trilhar

- Usar roupas leves e confortáveis;
- Usar calçados tipo tênis ou botas;
- Levar cantil com água;
- Levar lanche de fácil disgetão;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não colher flores,lenha ou troncos;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Não mascar folhas, frutos, sementes, raízes ou cogumelos desconhecidos.
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Não entrar no parque com armas, explosivos, faca, facão, machado, tinta, spray ou similares;
- Jogar seu lixo nas lixeiras, seguir os painéis informativos e obedecer às instruções dos funcionários do Parque.

Onde comer
Pousada e Restaurante Estação Antiga
Fone: 83 3367-1339
Restaurante do Roncador
Fone: (83) 8745-7044 ou (83) 8745-7035

Onde ficar
Pousada e Restaurante Estação Antiga
Fone: 83 3367-1339

Contatos para realização de trilha
Adriano Bezerra
Fone: (83) 9661-9762

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