domingo, 23 de janeiro de 2011

TRILHA ECO-CULTURAL DO ROTEIRO DOS ENGENHOS - Ceará-Mirim/RN


FIQUE POR DENTRO DE CEARÁ-MIRIM

Distante apenas  28 km da capital, o município de Ceará-Mirim foi incluído recentemente na Região Metropolitana de Natal. Está incluso na Mesorregião do Leste Potiguar, e respectivamente na microrregião de Macaíba, a uma altitude de 33 metros acima do nível do mar.

A origem de seu nome, segundo o escritor Câmara Cascudo é dada pela “Seara, várzea do Seara”, rio formado entre Lajes e Angicos, atravessando os municípios de João Câmara e Taipu, despejando no mar na Barra de Inácio de Góis. A tradução do vocábulo “Ceará”, segundo o escritor José de Alencar é “fala ou canto do papagaio”.

Sua história teve início com a povoação dos índios Potiguares às margens do rio pequeno, posteriormente rio Ceará-Mirim. A organização inicial da comunidade é atribuída ao líder Felipe Camarão juntamente com com os portugueses . No início do século XVII, suas terras são concedidas a vários donatários, dentre eles a Companhia de Jesus. Os jesuitas fundam um convento na localidade conhecida como Guajiru, dando início à construção das primeiras edificações públicas, como uma igreja e o prédio destinado a cadeia pública e a Câmara Municipal.

Com a Carta Régia do Marquês de Pombal, foi proibido sumariamente a participação de jesuítas na organização administrativa e de ensino do povoado, pois os portugueses tinham interesses na férteis terras do vale. Com o afastamento dos jesuítas, os índios pressionados pelos colonizadores acabaram negociando suas terras com estranhos.

Nessa época, chegaram os negros vindos da África, e com eles começava o trabalho cativo e formação dos engenhos de cana-de-açúcar, que vieram a comandar a economia e a história do vale do Ceará-Mirim. Nascia, assim, uma civilização própria com base nos senhores de engenho, conscientes do domínio econômico que exerciam, e de uma fidalguia poderosa e elegante. Era o final do século XIX, o vale prosperava e crescia com a produção canavieira.

Por algum tempo conservou-se um núcleo de ostentação e luxo. Surgiram os bailes aristocratas, as carruagens forradas com seda e as festas ricas e pomposas. Esses traços que marcaram uma Era caracterizaram, no tempo, a etapa patriarcal e escravocrata do açúcar.

Em 3 de setembro de 1759, o município foi criado oficialmente, através de alvará, e instalado em 3 de maio de 1760, na antiga aldeia de Guajiru, tendo por sede a vila de Extremoz. Em 18 de agosto de 1885, a sede foi transferida para a povoação de Boca da Mata e passou a chamar-se vila do Ceará-Mirim. A transferência para vila de Ceará-Mirim foi suspensa através da Lei n° 345, de 4 de setembro de 1856. Após dois anos foi novamente confirmada pela Lei n° 370, de 30 de julho de 1858. Em 9 de junho de 1882, através da Lei n° 837, Ceará-Mirim recebeu foros de cidade. (fonte: IDEMA)

Suas demais características geográficas são compostas por um clima tropical chuvoso com verão seco, com temperatura média de 25,3 °C, e precipitação pluviométrica de 1.535,2mm ao ano.

A formação vegetal do município é composta por floresta subcaducifólia, apresentando vegetação que se caracteriza pela queda das folhas das árvores durante o período seco; manguezais dominado por espécies vegetais, mangues e animais típicos, aos quais se associam outras plantas e animais, adaptadas a um solo periodicamente inundado pelas marés, com grande variação de salinidade, e por campos de várzea formada por vegetação que ocorre nas várzeas úmidas e periferia de cursos d’água.

Os solos são formados basicamente por Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico e Areias Quartzosas Distróficas com fertilidades baixa e muito drenáveis e Solos Gley Eutrófico com alta fertilidade e pouco drenáveis. Ambos os solos são excessivamente utilizados para a expansão da monocultura da cana-de-açúcar.

Geomorfologicamente, o município está inserido, principalmente na área de abrangência do Grupo Barreiras, com idade do Terciário-Superior, onde predominam arenitos finos a médios, ou conglomeráticos, com intercalações de siltitos e argilitos, dominantemente associados a sistemas fluviais, inconsolidados e mal selecionados. Já nos vales dos leitos dos principais rios que cruzam a área do município, encontram-se depósitos aluvionares compostos de areias e cascalhos, com intercalações pelíticas, associados aos sistemas fluviais atuais, formando uma planície fluvial, área plana resultante da acumulação fluvial sujeita a inundações. No geral predominam formas tabulares de relevos, de topo plano, com diferentes ordens de grandeza e de aprofundamento de drenagem, separados geralmente por vales de fundo plano.

 

O revelo é formado por tabuleiros costeiros localizados próximo ao litoral; planícies fluviais, com terrenos baixos e planos situados nas margens dos rios, conhecidos como vales e por planície costeira com a presença de dunas.

Quanto à hidrogeologia, Ceará-Mirim está inserido no aqüífero barreiras, e ao aqüífero Aluvião, sendo a qualidade da água geralmente é boa e pouco explorada. Já quanto à hidrologia, encontra-se com 35% do seu território inserido na Bacia Hidrográfica do rio Ceará-Mirim, 31,99% na Bacia do rio Maxaranguape, 24,78% na Bacia Hidrográfica do rio Doce e 8,22% na Faixa Litorânea Leste de Escoamento Difuso. Possui como principais rios o Ceará-Mirim, Delfinos, Macaio, dos Índios, Guajiru, São Pedro, Raposo, Matura de Cima, Riachão, do Mudo e riachos da Goiabeira, Caratá, Capela; Lagoas do Caçote, do Carmo, da Cutia, São José, Junco, Abelha, Caraúbas. (Fonte: IDEMA)


GEOTRILHAS/RN EM CEARÁ-MIRIM

Grupo reunido em frente a Igreja Matriz
Na manhã chuvosa do sábado dia 22 de janeiro, partimos de gente ao IFRN com destino ao município de Ceará-Mirim com uma única certeza: Fazendo chuva ou sol teríamos a nossa trilha. Após seguirmos pela BR – 406, pouco mais de 40 minutos, chegamos ao município, onde já no Centro de Informações Turísticas localizado na entrada da cidade, o guia Franccesco juntamente com o seu auxiliar Lorran já nos aguardava.

Luizinho Corrêa recepcionando o grupo
Ao desembarcarmos, logo chegou ao local o nosso anfitrião Luiz Corrêa Júnior, mais conhecido como Luizinho, que nos deu as recepções calorosas num dia chuvoso. Após as primeiras orientações, seguimos com destino ao centro histórico da cidade, para conhecer o legado arquitetônico do século XIV,presentes pelos imponentes casarões e suas peculariedades. Nossa primeira parada foi o Mercado Público da cidade, onde conhecemos a história de origem do velho mercado, sua arquitetura que lembra as antigas colunas romanas, e o grande patrimônio cultural manifestado entre suas bancas. Durante a visita ao mercado, o grupo fez uma pequena pausa para degustar um pouco da culinária local, dentre as quais um café da manhã bastante reforçado com picado de porco, macaxeira, queijo, tapioca e suco de mangaba.

Passeio pelo Centro Histórico
Após o grupo ter tomado café, seguimos para pelo centro onde conhecemos o prédio da prefeitura (um grande casarão doado pela aristocracia açucareira ao poder público), as casas das famílias tradicionais do município, com destaque a casa onde nasceu o ex-presidente Café Filho, além da igreja matriz onde o guia Franccesco contou a sua história, e lendas que cercaram o templo por vários anos. O inteiro da igreja nos surpreende pelo tamanho e o grande número de altares presentes, mas que infelizmente vem perdendo a sua originalidade devido a reforças que foram, e ainda estão sendo feitas no local. Após a visita a igreja, passamos pelo Largo Frei Damião, onde se encontra uma estatua em homenagem ao frei Capuccino, e seguimos para o interior do cemitério municipal para conhecer o túmulo da perversa Dona Fêfa, uma antiga senhora de engenho conhecida pela inúmeras crueldade praticada nos escravos de seu engenho, que segundo o guia Francccesco, fez com que ela se transformasse em cobra.

Depois da visita ao cemitério, e de ter conferido mais uma lenda do município, embarcamos com destino ao Rancho Boca da Mata, de propriedade de Luizinho Corrêa, de onde partiríamos para a trilha ecológica, mas antes disso, pelo caminho até chegar ao racho, vislumbramos a linda paisagem do vale, conhecendo mais de sua história, Passamos pela antiga estação ferroviária, pela Usina Açucareira do Vale do Ceará Mirim, pela antiga Casa Grande do engenho Guaporé, que já foi a residência do governador da província do Rio Grande do Norte, Vicente Inácio Pereira onde hoje deveria ser o Museu Nilo Pereira, mas que está completamente entregue às traças e aos morcegos, o Museu Nilo Pereira pertence à Fundação José Augusto, que usa o lugar como depósito. Passamos ainda pelo túmulo de Emma. Uma construção onde foi sepultada uma inglesa chamada Emma. Conta a lenda do lugar, que o jovem Victor Barroca, filho do proprietário do engenho Verde Nasce, Marcelo Barroca, foi estudar na Inglaterra e casou-se com uma moça inglesa, vindo morar no engenho. Ao acompanhar o marido, Emma não resistiu ao clima e faleceu em 1881 (data da lápide). Naquele tempo, a Igreja Católica não permitiu o sepultamento num cemitério, uma vez que sua religião era Anglicana. Seu esposo mandou construir o túmulo no alto de uma colina – local onde o casal costumava passar as tardes – rendendo todas as homenagens possíveis. Até chegar ao racho, passamos ainda por inúmeros engenhos, intactos e em ruínas.

Visita ao Engenho Verde Vale
Chegando ao rancho, mais uma vez encontramos com Luizinho Corrêa, onde ele mostrou a reforma de seu rancho, uma pequena reserva ambiental, que em abril deste ano abrirá as portas para receber turistas que desejem contemplar o Roteiro dos Engenhos. Seguimos adiante pela estrada que liga Ceará-Mirim a praia de Muriú, passando de frente pelo Engenho Mucuripe, que já foi de propriedade do Ruy Pereira, mas que ainda hoje conserva suas iniciais em todo o seu complexo que engloba a Casa Grande, a vila dos funcionários, e o próprio engenho que ainda está em pleno vapor produzindo rapadura, mel açúcar mascavo, e agora cachaça. Ainda pelo percurso encontramos as velhas ruínas da casa onde nasceu Maria Madalena Antunes Pereira. Autora do livro "Oiteiro - Memórias de uma sinhá moça", uma grande obra da literatura brasileira. Como a grande maioria dos engenhos, o da família da escritora também estava em ruínas, restando algumas paredes, a chaminé, e o maquinário exposto ao relento.

Campanha Trilhando o Verde
Após percorrido cerca de seis quilômetros, chegamos ao Engenho Verde Vale, onde conhecemos por meio do sei gerente Sr. Francisco, que nos acompanhou no interior do engenho, todo o processo de fabricação da rapadura, desde a moenda, o ponto do mel, o modelagem e a embalagem. O grupo aproveitou a oportunidade para adquirir a preço de custo rapadura, mel de engenho e açúcar mascavo no próprio engenho. Finalizada as compras, saindo do protocolo, aproveitamos para fazer mais um plantio de uma muda da Campanha Trilhando o Verde, que foi feita com uma muda doada por Luizinho Corrêa, e plantada no pátio do próprio engenho por Rita de Cássia e o Sr. Francisco.

Terminada a ação ecológica, partimos para o início da trilha na localidade de Boga, de onde partimos pelo vale adentro contemplando a paisagem dos verdes canaviais, palmeiras imperiais e inúmeras fruteiras. Seguimos por um trecho onde no ano de 1998 houve um grande deslizamento de terra que provocou a morte de inúmeros moradores da região. Ainda dava para ver algumas casas que foram totalmente arrastadas pela terra que desabou. No horizonte, se via uma grande área de alagada parecendo um pântano, onde os guia afirmam que há presença de jacarés.

Barranco durante o percurso
Durante todo o nosso percurso, passamos por terrenos bastante escorregadios, onde era necessário se apoiarmos nas cercas das propriedades. Muitas eram as fruteiras pelo caminho, que abastecia os nossos suprimentos, além de várias outras ruínas de velhos engenhos. Seguimos em frente até sermos surpreedindos por uma chuva, que não desanimou o pessoal, que seguiu em frente. Encontramos pelo caminho uma caravana de jipeiros, que cordialmente cumprimentou-nos antes de seguirem seu destino.

Após uma hora e meia de caminhada chegamos a propriedade do Sr. Frank Marinho, que abriu as portas da Casa grande para conhecermos. Tamanha surpresa foi ao adentramos ao recinto, onde conferimos a maior parte de todo o mobiliário intacto, além de preservados pisos e demais detalhes da velha casa com mais de vinte cômodos, que segundo o proprietário é datada do século XIV.

O Sr. Frank ainda guardava uma surpresa para nós. Dotado de um conhecimento impar sobre a história e folclore do município, ele reuniu o grupo no alpendre da casa grande e contou por meio dos seus versos a história do município, além de vários outros causos típicos do lugar. Emocionado por expressar o amor pela sua cidade natal, o Sr. Frank Marinho foi homenageado pelo grupo GEOTRILHAS/RN com um certificado de reconhecimento, por seus serviços prestados a luta pela consolidação do Roteiro dos Engenhos. Nós despedimos do Sr. Frank e voltamos para a nossa rota.

Seguimos em direção ao Engenho Santa Theresa cujas únicas lembrança eram algumas paredes que ainda teimavam em ficar de pá, e uma enorme chaminé que resistiu ao tempo. Caminhamos mais alguns metros até chegar há uma nascente de água cristalina, chamada de “Banho das Escravas”, como o nome sugere, era o local onde as escravas se banhavam e lavavam as roupas dos seus senhores. Partimos após reabastecer nossos cantis por um caminho repleto de bambus, que formava um lindo túnel, passando por áreas de plantações de subsistência, até chegarmos num ponto de difícil acesso com ribanceiras bastante íngremes, tendo um barranco com areia movediça logo abaixo, caso alguém viesse a cair. Neste momento a atenção foi total no grupo para superamos mais esse obstáculo, que foi superado sem nenhuma alteração. O trecho final contemplou mais uma ruína de um engenho, que se dos demais por ser construído sob um rio, que era aproveitado como energia motriz para girar uma roda d’água para a moenda. No final da trilha, encontramos com Luizinho Corrêa, que já estava a nossa espera com água mineral e rapadura, e que dali nos levaria para o almoço na cidade.

Após o almoço realizado no Restaurante do Danilo Júnior, o grupo fez a entrega do certificado de agradecimento a Luizinho Corrêa, pelos esforços por ele feitos, para que a primeira trilha de 2010 do GEOTRILHAS/RN acontece em Ceará-Mirim, comprovando toda a luta do nobre amigo em lutar pela consolidação do município nos roteiros de ecoturismo e turismo pedagógico do Estado.

Nos despedimos dele, e dos nossos guias Franccesco e Lorran, e partirmos de volta para Natal, velando consigo muitas lembranças e conhecimentos sobre Ceará-Mirim, um importante ícone da história do Rio Grande do Norte.

Raio-X
Nível de Dificuldade – Médio
Localização da Trilha – Bom

Disponibilidade de Socorro Médico – Ótimo

Apoio Logístico - Ótimo
Recomendações necessárias para trilhar
- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;

- Levar repelente contra insetos;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor.

Onder comer
Restaurante do Danilo Júnior

Onder ficar
Rancho Boca da Mata

Fone: 84 8879-9440 (Luiz Corrêa Júnior)

Contatos para realização de trilha
Franccesco Joseph
Fone: 84 9470-2620
E-mail: franccescojoseph@yahoo.com.br e franccescojoseph@r7.com

Lorran Shulz
Fone: 84 9130-8855
E-mail: lorranschulz@hotmail.com







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