quinta-feira, 4 de abril de 2013

GEOTRILHEIROS PERCORREM 33 KM PELAS RUAS DE NATAL SE PREPARANDO PARA O “CAMINHO DE SANTIAGO”


Por José Zilmar, jornalista

Carregando nas costas uma mochila com volume equivalente a 10% do peso individual, um grupo de oito pessoas, na faixa etária ente 45 e 55 anos, sendo apenas dois homens, planejou para a terceira etapa de preparação do “Caminho de Santiago de Compostela” percorrer 33 KM pelas ruas de Natal.
Na atividade, o grupo submete-se a um treino para fazer uma peregrinação de 220 KM do “Caminho de Santiago”, programada para dez dias no mês de junho de 2013, com etapas que incluem trechos de 25, 29 e até de 38 KM, entre o Porto (Portugal) e Compostela (Espanha).
Antes desta atividade, havia realizado duas etapas preparatórias, uma de Pium/Búzios (22 KM) e a outra na zona rural Macaíba/Ielmo Marinho (15 KM).

Brisas e nuvens

Como combinado, sábado (23), o grupo se concentrou, às 16h, próximo ao Praia Shopping e, meia hora depois, iniciou o percurso pela Via Costeira. Sem se restringir ao mero “bater pé”, a meta era realizar o “footing” em até cinco horas, incluindo pit stops de 20 minutos a cada uma hora.
A largada foi a convidativa orla urbana da cidade, repleta de hotéis de luxo, possuídora de um calçadão com ciclovia e sinalização para deficientes visuais. Nessa etapa, a brisa do entardecer ameniza e anima os primeiros passos do trajeto, contemplando-se o denso azul do mar e do céu, numa composição com esparsas nuvens. E, do outro lado, o verdejante Parque das Dunas.
Ao longo do trecho beira-mar, os mochileiros do Geotrilhas dividem a cena urbana com ciclistas, velocistas e caminhantes, recebendo o incentivo de curiosos. Depois de dois pit stops, em menos três horas, o grupo chega à praia de Areia Preta, isso já ao anoitecer, sob a proteção do Farol de Mãe de Luíza e as luzes da orla repleta de espigões.
Com frutas, barras de cereais e bastante água, suficientes para todo o percurso, o grupo recarrega as forças para o complicado trecho “mais urbano” do trajeto, que se inicia com a subida da íngreme Ladeira do Sol, logo à vista. Sem maiores problemas, supera esse obstáculo e chega à Praça das Flores, em Petrópolis.
Inteiro e ainda esbanjando energia, o grupo avança pela charmosa rua Afonso Pena, enquanto resiste aos sabores e cheiros que exalam dos bistrôs e delicatessens, repletos de comensais. Ao longo da etapa mais movimentada, os mochileiros despertam a atenção de transeuntes e motoristas. A esse público, transparece ser mais um grupo de turistas do que simples moradores locais à deriva pela cidade.

Desce e sobe

 
Mais de três horas depois, o grupo relaxa na agradável Praça Augusto Leite, em Tirol, para em seguida rumar pela complicada Romualdo Galvão, com seu tráfego intenso, suas calçadas irregulares e estreitas, não sendo muito difícil se chocar com a quantidade de lixo jogada no meio da rua.
Com subidas e descidas, o percurso continua ingrato até o local está sendo construído o Arena das Dunas, com ruas semiescuras, buracos e muito carro.
Com quase 20 KM percorridos, o cansaço já é visível no grupo. As conversas animadas do início, dão lugar à meditação, à concentração. A mudez somente é quebrada pelo barulhinho das ruas. Ninguém reclama, mas àquela altura, parte já está exausta, quase atingindo seu limite. Contudo resiste à tentação de chamar os apoiadores de plantão.
Por volta das 22 horas, o grupo adentra pelo túnel ao anel viário do campus da UFRN, depois de margear toda a faixa estreita entre o tapume que encobre a construção do Arena das Dunas e a marginal da BR-101, sob o cheiro forte do monóxido de carbono de ônibus que parecem movido a carvão.
Exausto, refestela-se na bem cuidada grama dos jardins da universidade, observando a formação de densas nuvens que prenuncia um outro “inimigo” a ser vencido, a chuva. Neste ponto, é possível observar um grupo esgotado, porém demonstrando ser capaz de reunir condições físicas e psicológicas para superar o desafio real do “Caminho de Santiago de Compostela”.

Susto, baixas e pedrinhas

Contudo, logo nos primeiros passos no anel viário do campus, naquela que deveria ser uma etapa sossegada, semelhante à da Via costeira, susto! Um dos integrantes tropeça e estatela-se no chão, machucando a mão. O incidente tensionou o final da jornada. Porém, nada grave, a não ser pequenos arranhões na mão da acidentada.
Passado o susto, o grupo segue sem baixas até o início da rótula do anel que dá acesso ao Village dos Mares, sob fortes pingos de chuva intermitentes. Neste ponto, faltando apenas 3 KM para o final da jornada, dois integrantes, exaustos, interrompem o seu “footing” e solicitam apoio motorizado.
Ainda encontrando forças, o restante do grupo segue o “bater penas”, e quase às 23 horas, adentra a avenida Roberto Freire, no mais sacrificante do trecho, por causa de um detalhe: cada pedrinha do calçadão era um incômodo infernal, andar sobre elas era como pisar em uma agulha pontiaguda, pelo seu alto poder penetrante e incômodo em pés já no limite de desgaste.
Aliviando um pouco o desconforto nas estreitas e raras faixas de terra batida, o grupo enfrenta a “via crucis” da Roberta Freire e chega ileso (!) ao ponto de partida. No final da jornada, como bálsamo, um lauto jantar e uma piscina aquecida, numa calorosa acolhida de um casal apoiador. Recompensa justa para coroar uma jornada cansativa e uma experiência necessária aos compostelanos do Geotrilhas. Agora, é aguardar o próximo desafio!

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