quinta-feira, 4 de abril de 2013

TRILHANDO O ENGENHO CUNHAÚ - Canguaretama/RN



Iniciando os roteiros dos Caminhos da Fé, o projeto Geotrilhas/RN promoveu neste último dia XX de fevereiro em Canguaretama/RN, a Trilha dos Mártires de Cunhaú. A atividade contou com a participação de 16 geotrilheiros mais duas convidadas da Espanha que aproveitaram a que estavam em visita ao estado, para aproveitar a oportunidade de realizar umas das trilhas que marcou a história do Rio Grande do Norte, pelo episódio do Massacre dos Mártires de Cunhaú.

A proposta da trilha foi refazer os passos históricos da tropa de Jacob Rabbib em direção ao Engenho Cunhaú, palco da chacina, porém, com uma nova ótica em que foi possível fazer uma reparação histórica quanto a possível participação dos índios potiguaras no fato. Para isso, contamos mais uma vez com a participação do guia Luiz Katu (professor e líder comunitário do Catu) para nos guiar na atividade.

Segundo o site História do RN na Web, O primeiro engenho construído no Rio Grande do Norte, foi palco de uma das mais trágicas páginas da nossa história. " Este engenho era a menina dos olhos dos holandeses por causa da fertilidade das suas terras" (SOUZA: 1999, p. 40). O ano era 1634, e nesse fatídico dia, sem que ninguém esperasse, pois foram enganados por Jacob Rabbi, o comandante da tropa de tapuias, potiguares e holandeses que ali chegaram com a ordem de matar todos que ali se encontravam. Esse homem indescritível, aportara por aqui para servir de intérprete entre os holandeses e os tapuias. Mas o ocorrido em Cunhaú, demonstrou que ele foi mais que um simples intérprete. 

Diversos historiadores nos relatam que esse engenho foi fundado pelos irmãos Antônio e Matias de Albuquerque, na sesmaria que receberam do seu pai, Jerônimo de Albuquerque. Obedecendo a um pedido de Rabbi para que comparecessem à Igreja para tratar de um certo negócio e prometendo não ferir ninguém, muitas pessoas foram à capelinha, no dia marcado. Mas a intenção de Rabbi era outra. E, quando estavam todos ali reunidos começou a matança iniciada pelos tapuias chefiados por Jererera. Foram de uma crueza e violência sem par. "O oficiante voltou-se para os algozes e lhes disse na língua deles, em que era perito, que se tocassem em sua pessoa ou nos paramentos sagrados seriam castigados. Alguns recuaram outros nem o escutaram e os abateram". (GALVÃO : 1979, p.86). "Depois deste massacre, nunca mais os holandeses tiveram paz em Cunhaú, sucessivos atos de vingança foram realizados àquele engenho pelos portugueses"( CASCUDO: 1992, p. 35).
A chacina desse engenho promoveu uma tomada de consciência, por parte da população portuguesa, fazendo-a empenhar-se , com redobrado vigor, à tarefa de combater e expulsar os dominadores flamengos.

A trilha teve início na Comunidade do Catu, em que Luiz iniciou a atividade dando as boas vindas e colocando o ponto de vista de como seria a trilha. Neste momento, o guia falou sobre o massacre, em que segundo ele, os índios potiguaras são apontados como co-responsáveis da matança juntamente com a tropa batava de Jacobb Rabib. Porém, os índios que apoiaram o ataque são da etnia Tapuias e não Potiguaras. Mas devido à falta de esclarecimento, os habitantes do Catu, ainda nos dias atuais, carregam consigo a fama dos seus ancestrais de terem participado do massacre. 

Desta forma, após um breve alongamento no cruzeiro do Catu, seguimos para conhecer a comunidade. O percurso da trilha contemplou áreas destinadas a agricultura, em que nos chamou a atenção a grande participação de mulheres na “linda” das lavouras de batatas e hortaliças. Fato este atribuído a própria cultura indígena em que as mulheres são responsáveis pelo cultivo dos alimentos. Seguimos adiante por uma área de mata até iniciar o trecho das grandes lavouras de cana-de-açúcar, de propriedade de uma usina da região que aos poucos avança nas terras do Catu. Logo depois, chegamos a uma área de concentração de alguns sítios repletos de mangueiras e oliveiras, até atravessarmos o rio Catu para novamente chegar em área de cultivo de cana-de-açúcar. Detalhe: Neste momento, Luiz nos conta a respeito de um acontecimento que gerou grande revolta na comunidade, em que os proprietários destas terras não respeitaram os habitantes do Catu, de modo que, plantaram a cana-de-açúcar por cima do cemitério indígena localizado naquele local. Luiz nos informou que neste ponto havia um grande cruzeiro para identificar as covas, mas que não foi o suficiente para conter o avanço da máquina capitalista no arar da terra para o cultivo da lavoura.       

Tomamos o rumo pela estrada principal da comunidade, onde éramos saudados por alguns habitantes que gentilmente nos acolheram em suas residências para nos servir de água para matar a nossa sede. 

Retornamos ao ponto de partida, onde realizamos a nossa atividade social, com a doação de
vários pacotes de leite em pó para as crianças da comunidade.  Em seguida, embarcamos com destino ao Engenho Cunhaú para conhecer o local do massacre. Ao chegamos na entrada do acesso a Fazenda Cunhaú, encontramos o santuário dos mártires, que é destinada a acolher os visitantes. Logo na entrada, algumas esculturas que remontam ao acontecimento, e que segundo Luiz Katu, gerou revolta por parte da comunidade, de modo que uma das principais fazem alusão a um mártires sendo morto pelas contas por um índio portando um machado.No interior da capela do santuário encontramos um enorme salão com poucas cadeiras e o altar ao fundo envolto por imagens e cartazes em alusão aos mártires. Ao sairmos do santuário, encontramos com o novo pároco do lugar, o Padre Neto, que demonstrou interesse em incentivar a atividade turística visando a exploração do tema Mártires de Cunhaú. Segundo o padre, é uma ótima oportunidade de promover a imagem dos padroeiros do Rio Grande do Norte no cenário do Turismo Religioso no Brasil. O padre demonstrou interesse de montar parceria com os seguimentos acadêmicos, comunitários e do ramo empresário do turismo para fomentar o roteiro dos Mártires de Cunhaú. O principal avanço seria a aproximação com a comunidade Catu para promover a reparação histórica do povo indígena Potiguara.

Ao conversamos com o Padre Neto, seguimos para o Engenho Cunhaú, a pouco mais de 2 Km do santuário, onde encontramos a antiga capela de Nossa Senhora das Candeias e as edificações do engenho. A capela ainda conversa quase que totalmente todas as suas características originais. Inclusive as marcas dos disparos dos mosquetes no altar da capela, quando foi iniciado a execução dos fiéis. Existe dentro da capela uma placa que identifica os possíveis fiéis que foram mortos no momento do massacre, como outras que marcam a o momento em que os mártires foram beatificados.No interior das demais edificações do engenho, estão presentes apenas muito entulho e sujeira. Caracterizando assim, um total abandono.Terminada a visita ao engenho, seguimos para Barra de Cunhaú para almoça no Centro de Turista, de onde partimos logo em seguida para Natal. 


Ao analisarmos os fatos, podemos concluir que o local tem grande relevância para a história do Rio Grande do Norte, e que possui elevado grau de potencialidade turística capaz de possibilitar um desenvolvimento econômico na região de Canguaretama, utilizando para isso o segmento do Turismo Religioso para captar fiéis. Do mesmo modo, os turistas adeptos do Ecoturismo podem usufruir da trilha histórica que parte do Catu, passando pela Apa Piquiri-Una, até chegar ao Engenho Cunhaú. Ou seja, Canguaretama possui várias opções para o turista que procura a fé ou simplesmente cutir um dia em meio a natureza no estilo mochileiro. Canguaretama o destino dos Mártires. 

Raio-X

Nível de Dificuldade – Médio
Localização da Trilha – Bom
Disponibilidade de Socorro Médico – bOM
Apoio Logístico - Bom

Recomendações necessárias para trilhar
- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Levar repelente contra insetos;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor.

Contatos para realização de trilha
Luiz Catu
Fone: (84) 9141-9967

Um comentário:

  1. Boa noite!
    Gostei das informações sobre o engenho de cunhaú. Como faço para chegar ao local? é de fácil acesso? Eu gostaria de sair de natal de ônibus, como faço para chegar até lá com essa opção? desço a onde? onde eu descer dar pra ir a pé ou precisa pegar moto taxi?
    Aguardo retorno!

    Atenciosamente,
    Danielle Cristina.

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