domingo, 20 de junho de 2010

TRILHA ECO-CULTURAL DE FLORÂNIA/RN



Distante cerca de 218 km de Natal, localizado na Região do Seridó, mais precisamente na microrregião da Serra de Santana, o município de Florânia possui cerca de 9.000 habitantes distribuído numa área territorial de 504 km². Esta a 315 metros de altitude. com um clima muito quente e semi-árido, onde chega a variar entre 33º a 21º graus Celsios de Temperatura. A vegetação e de Caatinga Hiperxerófila, em que encontramos cactáceas e plantas de porte mais baixo e espalhado em vasta quantidade, tendo a jurema-preta, mufumbo, faveleiro, pereiro, mufumbo e angico como principais espécies. Seus solos predominantemente de Bruno Não Cálcico Vértico (fertilidade natural alta) e Bruno Não Cálcico (fertilidade natural média a alta). Quanto ao revelo, é variado entre 200 a 400 metros, destacando-se a Serra de Santana, Serra do Tapuio, Planalto da Borborema e a Depressão Sertaneja. Geologicamente o município apresenta vários tipos de minerais, como migmatitos (rocha ornamental); caulim; arenito silicificado; rocha dimensionada; mármore; cordierita e andaluzita; quartzito e metaconglomerado.

A economia é dependente quase que exclusivamente da agricultura, como algodão arbóreo, milho e feijão, sisal, caju, fruta do conde, goiaba, coco e alguma cultura de palma forrageira, que dar suporte a pecuária, outro ponto forte da economia local. Ainda merecem destaque a produção de mel, e o artesanato com seus vasos de argila, tecelagem e bordados à mão, bolsas de palhas e cestas de cipó.

O município esta inserido na Bacia Hidrográfica do rio Piranhas-Açu, tendo como principais rios o Quimproró, Capim-Açu, da Garganta, além do riacho Cachoeirinha.Completam os recursos hídricos os aqüíferos de Cristalinos e Aluvião.

O nome do município esta relacionado com a paisagem das várzeas cobertas pelos mofumbais (árvore nativa da caatinga) e suas flores perfumadas que em conjunto com outras plantas fazem um grande lençol. Florânia teve o início de seu povoamento a partir da chegada do português Cosme de Abreu Marciel em 1754, mas o povoamento propriamente dito só aconteceu a partir da construção da Capela de São Sebastião em 1886. A partir de então, a cidade começa a receber grande número de imigrantes italianos, judeus, cristãos-novos, africanos e portugueses.

Suas principais atrações turísticas estão voltadas para o ecoturismo, o turismo religioso e histórico-pedagogico, dentre os quais podemos destacar seguindo a ordem as belas serras do município, com destaque para a serra do Cajueiro, onde possui uma magnífica vista de parte do Rio Grande do Norte, no mirante de piquita; a serra da Caridade com suas cavernas e figuras rupetres; as cachoeiras dos Tanques e do Capim-Açu; os sítios arqueológicos do Capim Açu e da Chã Preta. O turismo religioso que atrai várias pessoas da região, é representado pela Capela do mártir José Leão, a Igreja Matriz de São Sebastião, e o maior ponto de devoção de Florânia: O Santuário de Nossa Senhora das Graças. Construído em 1947, o santuário foi uma idealização de um frade capuchino que o construiu após ter várias visões que deveria resgatar os restos mortais de uma menina que havia morrido naquela serra há muito tempo. Seguindo o seu sonho, o frade construiu primeiramente uma capela, e ao passar dos anos a população enfim termina a construção de imenso santuário, com várias estátuas, a via sacra, e as duas capelas. Sendo uma destinada a devoção da Santa Menina, onde podemos encontrar vários objetos que os romeiros deixam lá, por graças e milagres alcançados. Já quanto ao turismo histórico-pedagógico, Florânia é um verdadeiro caldeirão cultural, desde os prédios históricos da cidade, com destaque para a Rua do Comércio com seus casarões em estilo italiano, o Palácio das Flores (sede do poder executivo), a praça dos três poderes militar, a antiga cadeia pública, a feira livre da cidade, e a Casa de Cultura Popular, com um vasto acervo histórico local, provenientes dos antigos moradores, e principalmente do Padre Estanislau Piechel. Reverenciado por grande parte da população local pela sua liderança espiritual e as obras de caridade quando estava a frente da paróquia de Florânia.

Por esse e outros motivos, Florânia é um destino certo para quem procura lazer, eco-aventura, refugio espiritual e descanso.

GEOTRILHAS/RN EM FLORÂNIA



A viagem com destino a Florânia teve início com a concentração do grupo nas primeiras horas da manhã, no município de Macaíba, em que definimos as coordenadas do nosso rumo. Ao chegarmos na cidade de Florânia, após passar pelos municípios que beiram a BR 226, tratamos logo de entrar em contato com o nosso guia – J. Júnior – que além de guia é ator e radialista, apresentador do Programa Manha 87, da Rádio IBIAPINA FM, que anima as manhãs dos floranenses. Ele estava acompanhado do estudante de turismo Felipe Costa, que nos acompanhou durante os dois dias de atividades. Após a foto oficial da chagada do grupo na cidade (tirada em frente aos Palácio das Flores) seguimos com destino ao local da nossa hospedagem situado no alto do Santuário de Nossa Senhora das Graças. Um local sagrado para a população local, encravado no alto de uma serra que, possui uma linda vista de toda a região de Florânia, inclusive, também da cordilheira que forma o Planalto da Borborema. O santuário possui em sua subida, uma estrada que leva as doze estações da via sacra, utilizada para a encenação da Paixão de Cristo durante a semana santa. Ainda possui duas capelas, sendo uma destinada a devoção da Santa Menina, e a outra pára a santa que dar nome ao santuário. Ambas de grande valor espiritual para toda a população do Seridó.

Ao ficarmos devidamente alojados, no confortável alojamento do santuário destinadosaos romeiros que peregrinam no local, voltamos para o largo da igreja matriz, de onde iniciamos as atividades no município. Neste momento, foi integrado ao nosso grupo o professor de história Josimar Tavares, que foi responsável por nos conduzir por um City Tour pelo centro histórico da cidade, mostrando os prédios e ruas históricas, aproveitando para ministrar uma grandiosa aula de História sobre a cidade. Em seguida o Prof. Josimar nos levou a um passeio cultural pela feira livre que acontecia naquele dia na cidade. O passeio teve início pelo interior do mercado público, onde nos chamou a atenção, a exposição de trabalhos escolares sobre prevenção as drogas, feitos por alunos da rede pública de educação nas paredes do prédio. Seguimos a diante pelo meio das barracas da feira, onde visitamos a banca de mangaio, das ervas e raízes medicinais, frutas e vestuário. Todas com sua significação cultural, e expressão dos costumes do povo da região.

Após a visita a feira, seguimos pelas ruas históricas do município até chegar na Casa de Cultura Popular, para nos aprofundar ainda mais sobre a história local. Numa ambiente onde encontramos vários objetos que pertenciam às tradicionais famílias locais, e do padre Estanislau Piechel, uns dos personagens mais importantes da cidade. Durante a visitação obtivermos várias informações sobre a fundação da cidade, e a grande influência dos europeus na história local, presentes na cultura da cidade, inclusive com uma comunidade onde vivem seus ascendentes, como portugueses e ciganos espanhóis. Ainda durante a visita a Casa de Cultura, o grupo GEOTRILHAS/RN disponibilizou por meio do Prof. Darlington Farias, uma doação de mais de 50 livros para o projeto de leitura nas comunidades rurais idealizado e coordenado pelo Prof. Josimar Tavares.

Ao termino da visita, fomos com destino a Churrascaria Esperança para realizarmos o almoço do primeiro dia. Durante uma refeição regada de uma gasta variedade de churrasco, o grupo definiu, junto com J. Júnior, a programação da parte da tarde. O roteiro escolhido foi uma visita a serra da Caridade, localizada na zona rural, entre os municípios de Florânia e Caicó.

Com o intuito de pouparmos nos carros, alugamos um “Pau-de-Arara” (transporte muito comum no interior do Nordeste, que realiza o transporte dos moradores da zona rural para a cidade em dias de feira e datas comemorativas) para conduzir o grupo pelas péssimas estradas que levam a este local. Durante o percurso passamos por uma região cercada de serras, sendo um verdadeiro laboratório ao ar livre para a prática de aulas de Geologia, devido a grande presença de minerais pelo terreno, que vai de quartzo, ouro e até urânio, entre outros. Ao chegarmos na serra da Caridade, o grupo foi conduzido pelo guia Evaldo, que se disponibilizou em nos acompanhar. Seguimos numa trilha fechada serra acima até encontrar as primeiras figuras rupestres esculpidas em baixo revelo nas rochas. As figuras continham expressões que não eram bem perceptíveis quanto ao seu significado, mas eram detentoras de uma beleza ímpar. No caminho para a caverna da serra, encontramos um objeto metálico estranho entre as rochas, que suspeitamos tratar-se de uma mina explosiva desativada, devido a estudos realizados anteriormente na área pela Mineração MHAG de Jucurutu, como havia declarado os guias que nos acompanhavam. Com o cuidado redobrado seguimos em frente até o interior da caverna. Lá podemos observar uma imensidão de salões, onde era necessário várias lanternas para clarear o nosso caminho. Segundo Evaldo, a caverna da serra possui uma extensão em que ele em oportunidades anterior, não conseguiu ainda chegar ao seu fim. Como a nossa visita ao local foi feita no final da tarde, já escurecendo, o grupo decidiu, por medida de segurança não continuar caverna a dentro.

Retornamos para a sede do município já a noite, onde desembarcamos no largo da igreja, e seguimos para a churrascaria para jantar. Após a refeição, uma parte do grupo foi participar do bingo beneficente em pró da reforma da igreja do santíssimo sacramento, que acontecia naquela oportunidade. Já a outra parte seguiu para o santuário, onde foram se preparar para a apresentação cultural que seria realizada pelo Teatro J. Júnior, formada por estudantes das escolas públicas de Florânia.

Com a chegada da parte da equipe que estava no bingo, e mais alguns convidados, o grupo de teatro iniciou nua apresentação, denominada de a”A Criação”. O brilhante espetáculo mostra numa visão crítica, o dia-dia do sertanejo, que mesmo com as dificuldades nunca perde sua fé e esperança. Foram cerca de 45 minutos de apresentação do talentoso grupo, que tem a direção do nosso guia J. Júnior. Após o encerramento da apresentação do grupo, e do registro fotográfico, nos despedimos dos atores que voltaram para a cidade. Seguindo a parte cultural do GEOTRILHAS/RN, os geotrilheiros Jéssica e Jair realizaram um lual com voz e violão, aproveitando a belíssima lua cheio que nos contemplava naquela data. Após cerca de uma hora de apresentação, foi encerrada a programação do primeiro dia de atividades em Florânia.

No dia seguinte, após o café da manhã, seguimos para o largo da igreja, onde foi integrado ao grupo o professor e companheiro de Geografia Júnior Galdino, que conhecemos na noite anterior durante a apresentação teatral. Ele se disponibilizou para nos acompanhar no segundo dia de atividades. Aproveitamos os momentos que antecederam o início das atividades de Domingo, para lançarmos a Campanha Trilhando o Verde, mais uma iniciativa de Educação Ambiental desenvolvida pelo GEOTRILHAS/RN, que visa plantar uma árvore, que será adotada pelo guia em cada município visitado. Na oportunidade, J. Júnior e Eline Soares plantaram a primeira muda da campanha. A espécie escolhida foi um Sabiá (Mimosa caesalpiniifolia) considerada espécie endêmica do bioma Caatinga, Savana Estépica, que devido sua madeira ser bastante empregada para estacas, portas, mourões, dormentes, carvão e lenha – esta última empregada com muita freqüência pela industria cerâmica do Seridó – encontra-se em avançado estágio de extinsão.

Após feito o plantio da muda ao lado da prefeitura, seguimos mais uma vez num “Pau-de-Arara”, passando pela Capela de José Leão, até o início da trilha do Caboclo.
Depois de realizado o Briefing por Júnior Galdino, seguimos pela vegetação de caatinga, passando por vários riachos, que devido ao período de estiagem que a região sofria até então, estavam todos secos. Pelo percurso notamos às várias camadas que o solo dispunha, sendo reveladas pela erosão das águas dos riachos. Uma grande presença de minerais de quartzo era possível de serem vistas pelo percurso até a cruz do caboclo. Segue a lenda que um índio após várias horas de caminhada pela caatinga, havia encontrado o riacho para se matar sua sede e se refrescar. Ao fazer isso, o caboclo sofreu um choque térmico e veio a falecer. No local onde tombou morto, a população encravou um cruz, onde alguns devotos, ao passar por ela, derramam um pouco d’água em sua homenagem. Seguimos a diante até encontrar a cachoeira dos Tanques, que infelizmente estava seca, pelos motivos antes descritos. Mas em compensação, nos foi relevado toda a formação rochosa que fica encoberta pelo manto de água. Foi possível escalarmos a formação, até chegar no alto, que nos revelou uma caverna no meio da queda d’água e um linda vista das serras e vales do alto da cachoeira. Retornamos fazendo um pente fino na trilha, recolhendo o lixo deixado por outros visitantes, até ao ponto onde ficou o “pau-de-arara”.

De lá seguimos até a comunidade do Cajueiro, localizado no alto da serra da Garganta, passando por um povoado constituído por vários descendentes de portugueses. Ao chegarmos a comunidade do Cajueiro, fomos fazer uma visita a uma árvore conhecida na região como “Pau Oco”. Um Tombaril, espécie de Baobá, com mais de 400 anos de idade. Lá podemos tirar várias fotos, e além de tentarmos fazer um abraço simbólico na árvore, mas infelizmente os maribondos não permitiram.
Fomos adiante até o Mirante de Piquita, onde, na minha opinião, encontramos a vista mais sensacional do Rio Grande do Norte. Uma paisagem que contempla quase todo o estado, sendo possível observarmos o Pico do Cabugi, serra Branca em São Rafael, serra de Santana, o lago da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, além das serras que formam boa parte das formações do Médio Oeste Potiguar. Foi sem dúvida o local ideal para batermos a foto de encerramento da viagem, sendo parte das comemorações do Dia do Geógrafo.

Retornamos a cidade para almoçar, e se despedir dos nossos guias, que abrilhantaram bastante a nossa visita. Também fomos até a casa paroquial agradecer a hospitalidade que o Padre Carlos nos deu durante a nossa visita, mas infelizmente não se encontrava no local, pois tinha saído a poucos instantes para celebrar uma missa em Tenente Laurentino. De toda forma, seguem nossos singelos agradecimentos ao Padre Carlos, ao guias J. Júnior, Felipe Costa, Evaldo, Prof. Josimar, Prof. Júnior Galdino e toda a população desta maravilhosa cidade, que sabe receber com muita hospitalidade e calor humano.

Raio-X

Nível de Dificuldade – Média
Localização da Trilha – Média
Disponibilidade de Socorro Médico – Média
Apoio Logístico - Ótimo

Recomendações necessárias para trilhar

- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do guia.

Onde ficar
Pousada Florânia


Onder comer
Churrascaria Esperança
Fone: 84 343 - 52436

Contatos para realização de trilha
J.Júnior
Fone: 84 34335 - 2422 OU 9904 - 0581

VÍDEOS DA TRILHA



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