domingo, 11 de julho de 2010

TRILHA ECOLÓGICA DE SERRA DE SÃO BENTO/RN


Localizada na Messoregião do Agreste Potiguar, mais precisamente na Microrregião da Borborema Potiguar, o municípios de Serra de São Bento possui uma distancia de 131 Km de Natal.

O clima muito quente e semi-árido, com estação chuvosa atrasando-se para o outono, com temperaturas que variam de 32,0 °C de máxima, e mínima: 18,0 °C durante o ano. Esta última , em decorrência das serras que cercam o município, propiciando uma temperatura agradável, que atrai bastante turistas no mês de junho. Época do Festival de Inverno da cidade.

A formação vegetal de Serra de São Bento é quase que completamente formada por Caatinga Hipoxerófila, com arbustos e árvores com espinhos menos agressivos do que aqueles encontrados no sertão do Rio Grande do Norte. Dentre as espécies encontradas no município destacam-se a catingueira, angico, juazeiro, braúna, marmeleiro, mandacaru, umbuzeiro e aroeira.

Seus solos são de predominância Litólicos Eutróficos, apresentando fertilidade natural alta, textura arenosa e/ou média, fase pedregosa e rochosa, relevo ondulado, bem acentuadamente drenado, rasos e muito erodidos. Nestes solos a agricultura é quase inexistente, cultivando apenas milho, algodão arbóreo, em pequenas áreas, devido a limitações muito fortes pela falta d’ água. O revelo apresenta uma variação de 400 a 800 metros de altitude, onde se destacam as serras de São Bento, do Meio e da Caibeira, fazendo parte do Planalto da Borborema.

Geologicamente o município é caracterizado por rochas pertencente ao Embasamento Cristalino, onde predominam, migmatitos, anfibolitos, gnaisses, xistos, granitos, com Idade Pré-Cambriano Médio a Inferior (1.100 - 2.500 milhões de anos), cortados localmente por granitos, veios de quartzo e diques de pegmatitos (500 milhões de anos). Geomorfologicamente predominam formas tabulares de relevos, de topo plano, com diferentes ordens de grandeza e de aprofundamento de drenagem, separados geralmente por vales de fundo plano. Dentre os ser recursos minerais associados, podemos encontrar rochas ornamentais especialmente migmatitos utilizado em piso e revestimentos; brita e rocha dimensionada utilizada para construção civil.

A hidrologia de Serra de São Bento é parte integrante da Bacia Hidrográfica do rio Jacu e 50,76% e uma outra parte inserida na Bacia Hidrográfica do rio Curimataú, com 49,24%. Seu principal rio é o Calabouço, e o principal riacho é o da Cruz
A história do município inicia com o povoamento que decorreu com a instalação de famílias de colonos que vieram para a região atraídos pela boa qualidade das terras, localizadas na aprazível serra do Pires.

No ano de 1843, o povoado foi elevado à condição de distrito, do município de Goianinha. Tornou-se município no dia 15 de março de 1868 e ganhou sua primeira escola primária três anos depois, mas logo depois, no dia 12 de março de 1868, voltou à condição de povoado, dessa vez pertencendo ao município de Nova Cruz, que assim permaneceu até 31 de dezembro de 1958, quando através da Lei nº 2.337, desmembrou-se, tornando-se município com o nome de Serra de São Bento.

Ainda hoje o município conta com as antigas tendências de atuação nas áreas da agricultura, da pecuária e da avicultura. Mas estar se abrindo para novos empreendimentos, como o da indústria de confecções, o ramo imobiliário de casa de campo, e o turismo que vem trazendo devido as suas belezas naturais, muitas divisas para Serra de São Bento.

GEOTRILHAS/RN EM SERRA DE SÃO BENTO/RN



A viagem com destino a Serra de São Bento ocorreu no dia 04 de junho, numa antecipação da data da final da Copa do Mundo de Futebol. Partimos pela BR-226 até Tangará, de onde seguimos por uma estrada estadual passando pelos municípios de São José do Campestre e Passa e Fica, até chegarmos a estrada que dar acesso ao município de Serra de São Bento.

Numa estrada que estreita, e com muitas curvas e remendos no asfalto, subimos a serra, tendo uma vista privilegiada do Agreste Potiguar na subida, em especial, a Pedra da Boca do lado de quem sobe a serra. aO Chegarmos na praça central, por volta das 07h:30, encontramos com o nosso guia – Joãozinho Felisberto – para determinar as prioridades do dia. Após decidir o roteiro, seguimos com destino ao Alto da União, para o primeiro desafio.

Chegando ao local, organizamos os equipamento necessários para a subida, bem como, realizamos um alongamento prévio antes de encarar a subida. De início passamos por uma área de pasto até atingir o pé da serra, onde apresentou-se uma escalada um pouco inclinada num primeiro momento, sendo necessário o uso de um calçado com um mínimo de aderência, para garantir uma subida segura. O que nos impressionava durante o trajeto, era o tamanho dos cristais de granitos que formavam aquela serra, parecendo que a rocha foi formada pelo um imenso traço de concreto despejado naquele local. A grande presença de coroas de frades pelo caminho, contrastava com o fundo da cordilheira que forma o Planalto da Borborema, formando um bela paisagem. Mas ainda não tínhamos atingido nem se que a metade do Alto da União. Quando chegamos exatamente na metade, o forte e agradável vento que soprava em nossas direções, nos dava uma sensação de poder voar.

A nossa frente estava a Pedra do Eco, onde era possível ouvirmos as nossas vozes, que batiam no paredão de rocha, e voltava. Ao lado da Pedra do Eco, observamos o que seria o próximo alvo da viagem (a Loca das Almas), que nos aguardava após a descida do Alto. Seguimos em frente, onde presenciamos algumas pichações feitas pelos freqüentadores do lugar, em que o guia Joãozinho as classificou como “figuras burrestres”, que representam a falta de educação e conscientização de meia dúzia de idiotas que não sabem respeitar a natureza.

Ao andamos por mais alguns estantes, onde finalmente atingimos o cume do Alto da União, onde lá se encontra um cruzeiro que, segundo o guia, seria a representação da união dos moradores do município que os construiu. O local é freqüentados por fiéis que vão pagar promessas de graças alcançadas. Lá do alto é possível ver a cidade de Serra de São Bento, Araruna/PB, e outras cidades do Agreste Potiguar. É também o visitante observar de outro ângulo, o Parque Estadual da Pedra da Boca, em que as formações do mesmo são todas visíveis daquele Alto.

Após um explanação feito pelo guia sobre a história do município, e curiosidades, além de algumas sessões de fotos do grupo, seguimos para a Loca das Almas, passando antes ao lado da Pedra da Trouxa, que leva esse nome pelo seu formato ser semelhante a uma trouxa de roupas.

Ao chegarmos na propriedade do Seu Hélio Carolino – local onde esta a loca – o mesmo nos acompanhou até o interior da loca, onde foi possível passarmos por estreitos corredores repletos de morcegos , até atingir o salão principal. Ainda na loca, foi possível observamos uma forma de fragmentação da rocha, que segundo os geólogos que nos acompanhavam, estava havendo um processo semelhante, ao mesmo que teria sido sofrido a Pedra da Boca no processo que originou a abertura do orifício que caracteriza a rocha. Uma dúvida cercava o grupo: Por que o local era conhecido por Loca das Almas? Segundo Joãozinho, e confirmado por Seu Hélio Carolino, que também é professor de História da rede pública de ensino local, ela possui esse nome, ao fato de que antigamente no município havia um coronel que detinha o poder na cidade, em que quando sofria algum tipo de ponderação, ou represália daqueles que ousavam lhe enfrentar, mandava seus jagunços eliminarem seus opositores, e fazer a “desova” naquele local, onde até pouco tempo, era possível achar alguns restos mortais.

Ao final da visita na Loca das Almas, Seu Hélio Carolino nos convidou a fazer uma visita a propriedade de seu pai, o Sr. Geraldo Carolino, onde encontramos um tanque natural encravado na rocha em forma de cuia, com uma profundidade com cerca de 2 metros, onde armazena águas das chuvas. Ainda na propriedade passamos pelo Açude do Estado, que é o cartão de entrada da cidade, possuindo uma infra-estrutura bem acolhedora paras os turistas. Retornamos a casa sede da propriedade, onde o grupo tirou uma foto com o Seu Hélio e sua mãe, dona Cícera Carolino, que nos recebeu muito bem.

Seguimos para o centro da cidade, com destino ao Restaurante Camarões da Serra, onde o almoço com os cumprimentos do Chef Alexandre, nos aguardava. Após uma refeição a base de carne de sol, frango, e é lógico, camarão, seguimos para o mirante da cidade, para descansarmos um pouco, apreciando a bela paisagem do Agreste Potiguar.

Após refeitos, seguimos com destino a um sítio na zona rural do município, onde uma tirolesa contemplativa , com 300 metros de extensão, nos aguardava. Mas que infelizmente, a atividade teve que ser cancelada, pois a tirolesa havia quebrando na véspera de nossa chegada ao município. Com a adrenalina frustrada, seguimos para a cidade, onde realizamos mais um plantio de muda, parte da Campanha Trilhando o Verde, que o GEOTRILHAS/RN esta desenvolvendo nos municípios visitados. O local escolhido foi uma praça no bairro onde reside o Joãozinho, onde ele e o geotrilheiro Ângelo Roncalle – aniversariante da semana – plantaram aos pés de um estátua do Frei Damião, mais uma muda de sabiá. Doação do Grupo Escoteiro do Mar Artífices Náuticos de Natal. Com a nossa responsabilidade ambiental em dia, nos despedimos do Joãozinho, e da cidade de Serra de São Bento, que demonstrou ser uma cidade bastante acolhedora, e possuidora de uma imensa beleza serrana, que merece ser conhecida pelos potiguares, não só na época do Festival de Inverno, mas sim em todos os dias do ano.

GEOTRILHAS/RN ENCARA RAPEL NO PARQUE NACIONAL DA PEDRA DA BOCA
 

Durante a descida da Serra de São Bento, com a Pedra da Boca ao nossa lado, surgiu a idéia de aproveitar a proximidade, para visitar umas das maiores figuras que nós encontramos em um ano de projeto: O Seu Tico. “O Cara!” como é mais conhecido, foi eleito no ano de 2009 pelos membros do projeto, como o melhor guia do ano. Ao chegarmos em sua propriedade, que possui no quintal a imensa Pedra da Boca, Seu Tico como sempre nos recebeu de braços abertos, onde foi possível batermos um bom papo.

Só que dentro de nós havia um vazio que não foi preenchido em Serra de São Bento, que foi o momento radical. É daí que surge para salvar a pátria do GEOTRILHAS/RN, o Instrutor de Rapel Júlio Castelliano, que conduziu o grupo para fazer um rapel de 60 metros na Pedra da Caveira. Foi uma oportunidade muito interessante para aqueles que ainda não tinham tido a oportunidade de realizarem um rapel na vida. Após a termos nos equipados com todos os acessórios de segurança, e termos adquirido podas as instruções do Júlio, partimos para a descida da rocha.

No alto dela era possível visualizar todo o parque, lá dos seus 60 metros de altura. A primeira dupla a fazer a descida foi Ângelo e Lázaro, a segunda foi o casal Eline e Jonatas, a terceira Suerda e o estreante no GEOTRILHAS/RN, Prof. Eduardo. Daí em diante, aos que ainda tiveram coragem, foram feitas outras descida de costas e de frente (a mais emocionante).

Após a sessão de adrenalina, nos despedimos de Júlio, e do Seu Tico, e regressamos com destino à Natal com a sensação da realização de mais uma aventura cumprida.

Raio-X

Nível de Dificuldade – Média
Localização da Trilha – Média
Disponibilidade de Socorro Médico – Média
Apoio Logístico - Ótimo

Recomendações necessárias para trilhar

- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do guia.

Onde ficar
Pousada São Bento
Fone: 84 3289 - 0161

Onder comer
Restaurante Camarão da Serra
Fone: 84 3289 - 0161

Contatos para realização de trilha
Joãozinho Felisberto
Fones: 84 3289 - 0128 OU 84 3289 -0061 (Prefeitura Municipal)
E-mail: joao_felisberto@yahoo.com.br

VÍDEO DA TRILHA

2 comentários:

  1. Lembrando que Parque Estadual da Pedra da Boca está situado no município de Araruna - PB.

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    1. Sem dúvida companheiro.
      Estamos ciêntes...!

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