domingo, 11 de março de 2012

GEOTRILHAS/RN NOS CAMINHOS DO PADRE IBIAPINA - TRECHO I

Grupo reunido no alto do Memorial Frei Damião em Guarabira/PB
Nos últimos dias 25 e 26 de fevereiro, o Grupo Geotrilhas/RN embarcou para o Brejo Paraibano com destino a Mesorregião do Agreste Paraibano, mais precisamente ao município de Guarabira. Ponto de partida da peregrinação geotrilheira pelos quase 59 Km da trilha denominada “Via Cruzeiro de Roma”, parte que integra o projeto intitulado “Os Caminhos do Ibiapina”, que foi desenvolvido pela Diocese de Guarabira, pelo Governo do Estado, pela Sebrae e pela ONG (OSCIP), sendo composto por quatro trilhas que refazem os caminhos percorridos pelo Padre Ibiapina durante a suas peregrinações por terras paraibanas, entre os anos de 1856 e 1883, enquanto foi bispo da Diocese de Olinda e Recife, a qual a Paraíba estava subordinada.

José Antônio Maria Ibipapina é natural de Sobral/CE, foi Ex-Juiz de Direito e Chefe de Polícia em Quixeramobim/CE, foi eleito Magistrado na Câmara dos Deputados entre 1834 a 1837, tendo o seu trabalho centralizado em favor dos pobres e oprimidos. Após sua passagem na política, decidiu advogar nas causas das pessoas desamparadas no Nordeste, onde teve sua ligação com a Paraíba, após atuar na defesa de um acusado de crime na cidade de Areia. Decepcionado com a vida pública, iniciou suas missões evangelizadoras  propagando a fé católica no Nordeste e deixou inúmeras obras ligadas ao assistencialismo e a educação, como as casas de caridade, hospitais, açudes, cemitérios e capelas. 
 
Café da manhã reforçado
Com uma equipe composta de quatro “geotrilheiros”, chegamos em Guarabira na noite de sexta-feira (24/02), sendo três componentes vindos de Natal/RN, mais um advindo de Campina Grande/PB. Por volta das 20h:30 demos entrada no primeiro ponto de apoio da aventura. Com uma recepção bastante agradável, o Sr. Lucena, proprietário do hotel de mesmo nome, nos conduziu aos aposentos e logo em seguida serviu em seu restaurante um saboroso jantar, antes que o grupo se recolhe-se para descanso. 

Ao raiar dos primeiros raios do sol da manhã de sábado, o grupo já estava de pé para iniciar o percurso, mas antes disso, um reforçado café da manhã foi oferecido pelo Sr. Lucena, para que os integrantes do grupo chegassem em condições até o município de Borborema, onde seria oferecido o almoço do dia.

Marcos da Flor de Cedro
Partimos do centro de Guarabira por meio de moto-taxi com destino por uma via pavimentada até o alto da serra da Jurema, tendo ao lado da “rodagem”, uma via sacra que já fazia parte do Memorial Frei Damião, ponto de partida para a trilha. O memorial é composto por um museu, uma capela, praça de celebração, casa de ex-votos e uma estátua com 34 metros de altura alusiva ao frade capuchinho Frei Damião de Bozzano. Um famoso missionário que teve sua atuação religiosa no Nordeste do Brasil. Do alto do memorial era possível termos uma visão completa da cidade de Guarabira e mais de algumas outras num raio aproximado de 50 Km.

Ao chegarmos no local, já estava a nossa espera o guia Estóbias, vindo da cidade de Bananeiras para acompanhar o grupo com destino a Arara. Último ponto da peregrinação. Após o brienfig, alongamento, e algumas fotos, realizamos uma oração aos pés da estátua do Frei Damião, para abençoar o grupo nesta que viria a ser, devido a constante variação de altimetria, e conseqüentemente a rarefação do oxigênio, a trilha que exigiria a maior resistência física e psicológica nos três anos de existência do Geotrilhas/RN. Mas guiados pela fé, teríamos certeza que chegaríamos ao Santuário de Santa Fé em Arara.

Travessia de riacho
Em resumo, partimos dos 97 metros de altura da sede do município de Guarabira, subindo mais 300 metros até o memorial Frei Damião, para só assim iniciarmos a descida do vale, rumo aos primeiros 3,2 Km pela trilha sinalizada pelo marco da Flor de Cedro, que indica a rota a ser seguida pelos aventureiros. 

Percorrendo um trajeto com a presença de vários montes ao redor e uma cordilheira ao fundo, tendo essa caracterização devido à transição da planície litorânea e as elevações decorrentes do Planalto da Borborema, passamos por uma bela região com a presença de inúmeras fruteiras que beiravam a estrada. 

Com uma temperatura média na casa dos 24°C, contribuída ainda pela presença de várias arvores durante o trajeto, o grupo recebia algumas o município de Guarabira, como o significado de seu nome, atribuído a origem tupi, significando “morada das garças”, e a justificativa de ser considerada a “Rainha do Brejo”, devido a possuir uma das maiores populações do estado, levando a ser uma cidade-polo. Além de sua história, como sua fundação em 1694, nas terras do Engenho Morgado, de propriedade de Duarte Gomes da Silveira. Ex-capitão mor da região, que foi disputada  por holandeses e franceses. O primeiro nome do município, ainda como vila, foi Vila da Independência. A padroeira do município veio de Portugal pelas mãos de José Rodrigues Gonçalves da Costa, que também construiu a capela, sendo um refugiado de terras lusitanas devido a um grande terremoto em 1755. O município é emancipado em 1887, passando a ser um dos maiores do estado. 

Seguindo a trilha, já enfrentando algumas elevações, que faziam com que houvesse paradas corriqueiras para descanso, encontramos algumas plantações de urucum e principalmente áreas destinadas à pecuária e a agricultura familiar, até chegarmos a um rio no qual havia uma grande preocupação com o seu nível em decorrências das fortes chuvas do último final de semana, porém não houve a confirmação de tal fato, tendo o rio ficando em um nível considerado seguro para ser ultrapassado.

Grupo na feira de Pirpirituba
Por volta de 10h:00 chegamos em Pirpirituba, último município da Microrregião de Guarabira, em que já tínhamos uma altimetria de 99 metros e mais 8,9 Km caminhados. Na ocasião estava sendo realizada a feira-livre na cidade. 

A palavra Pirpirituba é uma corruptela do tupi piri-piri-tyba que significa “juncal, junco abundante. Sob os olhares dos populares, que não estavam acostumados com a movimentação de Ecoturistas na cidade, o grupo fez uma rápida parada em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, para compra de água no comércio local. Após abastecidos de água, seguimos com destino a mais 13,3 Km até a cachoeira do Roncador. 

Dois fatos curiosos nos chamaram a atenção em Pirpirituba, sendo a decoração das janelas das casas com bibelôs, e a mais curiosa, que foi o acompanhamento da movimentação do grupo de perto pela Polícia Militar do município. Este último, sendo atribuído com certeza pela insegurança que rodeiam os municípios do interior do Nordeste, que já foram alvos de invasões de bandos armados, que aterrorizam as cidades. Mas o agravante mesmo para essa desconfiança, é sem dúvida a falta de políticas de incentivo ao Ecoturismo por parte dos governantes locais, por não buscar soluções de atração deste segmento de turista, que deste modo, aparecem em situações esporádicas. Deixando a população as vezes temerosas com tal movimentação estranha em seu meio.

Grupo a caminho de Borborema
Voltando ao nosso foco, percorremos um vasto estradão, passando por uma antiga usina de álcool, que se encontra desativada, e propriedades rurais, com destaque para uma pequena capela no alto de um monte, que seria a Capela de Nossa Senhora de Fátima. Estávamos perto do município de Borborema, o que foi confirmado após a passagem pelo portal que nos indicava a proximidade da cachoeira do Roncador. Antes de cruzarmos o portal, nos chamava a atenção da arquitetura de uma linda Casagrande de uma antiga fazenda, na qual habitavam pessoas. 

Finalmente chegamos à região administrativa de Borborema.Neste momento, entramos oficialmente na Microrregião do Brejo Paraibano, que viríamos ainda a passar por mais quatro municípios. Seu nome remete-se a localização no início do Planalto da Borborema, tendo sua história iniciada em 1912 com a compra das terras pelo advogado José Amâncio Ramalho, advindo de Araruna/PB, para construir um açude e posteriormente uma das primeiras hidrelétricas do Nordeste, que viria a fornecer energia elétrica para os municípios circunvizinhos. Uma outra característica de Borborema foi o planejamento da cidade com ruas largas,  canteiros arborizados e quarteirões dimensionados, onde encontra-se atualmente algumas casas de estilo barroco. Tudo planejado por um engenheiro contratado pelo próprio José Ramalho, que contribuiu para o ordenamento urbano de Borborema. Devido a isso, e com ajuda da implementação de uma polpadeira de arroz, uma fecularia e principalmente com a chegada da estada de ferro em 1913, conseguiu atrair inúmeras pessoas para residirem na então Vila de Camucá, para ser então emancipado do município de Bananeiras em 1959 com o atual nome.

Placa indicado Borborema
A zona Rural do município, a qual nos encontrávamos na oportunidade, possui propriedades com construções datadas do início do Século XX, com antigos métodos agrícola, como grandes fornos comunitários para “infurnar” bananas. As hortas também embelezam a paisagem, tendo uma boa presença ainda da vegetação de Florestas Subnaducifólica e Caducifólica, típicas da região ao fundo. Passamos por uma pequena, mas bela propriedade onde havia uma placa de venda de din-din. Uma ótima pedida pelo calor que fazia naquele momento. Além dos cobiçados din-din, a proprietária do sítio comercializa doces e licores caseiros. Uma tentação se não fosse o horário corrido, no qual já estávamos uma hora em atraso. Seguimos em frente, até encontramos um marco caído no chão devido ao vandalismo. Ele apontava para o Roncador, cujo o som já dava para ser escutado. 

Almoço no restaurante Roncador
Por volta das 13h:00, chegamos ao segundo ponto de apoio, o restaurante do Roncador, onde parte do grupo se refrescou na ducha do restaurante, até o momento em que o almoço seria servido. Aos cuidados de Dona Lourdes e Seu José, foi oferecido ao grupo um almoço a base da famosa galinha de capoeira paraibana, a qual foi desgastada aos poucos pelos “geotrilheiros”.

Após a conclusão do almoço, e outro alongamento, seguimos adiante com destino a cachoeira propriamente dita, considerada a maior da Paraíba, onde tiramos mais algumas fotos e subimos a serra ao seu lado. Numa subida íngreme, atingimos uma pequena barragem no alto, para só então chegarmos a uma área de cultivo de banana, que dava para observar dos 368 metros de altimetria, a imensidão do vale atravessado por nós, tendo ao horizonte, o longínquo Memorial do Frei Damião de um lado, e o não tão perto Santuário do Cruzeiro de Roma (local do pernoite). Tínhamos mais 16,9 Km para chegar ao Sítio Angelim, onde até chegar lá, os sinais de desgaste já eram bastante presentes no grupo. 

Cachoeira do Roncador
Em mais 1,5 Km, já beirando a PB-105, chegamos a Vila Moram, onde já se perfaziam 22,2 Km no total. Após uma rápida parada na entrada da vila, tivemos as duas primeiras baixas do dia, onde por motivos de dores, duas companheiros tiveram que ser levadas de automóvel para o Cruzeiro de Roma. Ainda restavam cerca de 5 Km para finalizarmos o primeiro dia, o que coube a dois “getrilheiros” mais o guia, que iniciaram a subida da ladeira que dava acesso a vila, onde após uma hora de caminhada chegaram a lagoa Matias, em que chamava a atenção as belas casas das propriedades rurais, e o grande número de tanques de criação de tilápias, além de uma grande barragem e o belo pasto onde os bezerros brincavam ao cair do crepúsculo. A nossa frente estava o Santuário do Cruzeiro de Roma, com uma ladeira bastante íngreme, já nos 552 metros de altura do município de Bananeiras/PB. A subida ficou bastante ofegante, com muitas paradas, pois o corpo já não obedecer os comandos e o ar ficava mais rarefeito devido ao nosso cansaço. 

Chegada dos goetrilheiros
Após trinta minutos, finalmente o guia Estóbias e os dois remanescentes “geotrilheiros” cruzam o portal do santuário que contem a inscrição “CRISTO ONTEM HOJE E SEMPRE”, empunhando a bandeira do estado do Rio Grande do Norte, e completando a primeira parte da peregrinação.

O Santuário do Cruzeiro de Roma possui algumas curiosidade bastante interessante. Uma é remetida a sua construção na qual não havia sido concedida pelo clero paraibano, sendo necessário que seu idealizador fosse até o Vaticano para pedir autorização ao papa para erguer o santuário. Neste sentido, a sua posição de construção esta voltada para Roma na Itália. Outra curiosidade, foi a de ser um local autorizado pelo padre Cícero para que os devotos que não pudessem irem ao Ceará, realizarem o pagamento de seus votos no local. No alto do Santuário do Cruzeiro de Roma, é possível visualizar várias cidades da Paraíba e do Rio Grande do Norte, e inclusive o Memorial do Frei Damião.

Igreja do santuário
Fomos recebidos pelos funcionários do santuário, os quais nos encaminharam para os aposentos do romeiros e nos serviram o jantar. Logo em seguida, fomos visitados pelo sacerdote do local, o padre Paulino Nunes, que falou de seu trabalho de evangelização na comunidade, e das dificuldades encontradas na administração do santuário. O padre também levou o grupo para conhecer o interior da igreja, e deu uma biblioteca o qual mantém na casa pastoral. Por volta das 21h:00, o grupo se recolheu para descanso, pois as expectativas para o próximo dia seria de um trecho mais árduo devido a inexistência de sobras pelo percurso.

Grupo partindo para o 2º dia de trilha
 Pontualmente as 06h:00, a alvorada foi iniciada para o grupo, com a preparação do material, para o café da manhã, antes da segunda parte da peregrinação. Por volta das 07h:00, nos despedimos daqueles que nos acolheram e seguimos para os 37,3 Km até a sede do município de Bananeiras.

Gado no pasto
Regressamos pelo mesmo caminho da lagoa Matias, em que pela manhã a beleza novamente se fazia presente nos campos e “terreiros” em frente às casas. Seguimos pela estrada que vai para Goiamanduba, passando por áreas de cultivo de frutas e cana-de-açúcar, banhadas por riachos e cercadas por montes com a presença de mata nativa, até atingirmos o Engenho de Goiamanduba, onde é produzida a Cachaça Rainha. Uma das mais tradicionais bebidas do gênero da Paraíba. Realizamos uma pequena parada para descanso e aproveitamos para fazer uma visita informal no local, que devido a moenda esta montada, subtende-se que estávamos no período de moagem e fabricação do aguardente. 

Engenho Goiamanduba
Retomando a rota, seguimos ainda pelo caminho de Goiamanduba, passando pelos sítios, que nos chamava a atenção da devoção da população, com as os sinos das capelinhas chamando os devotos para a missa, e os cânticos de louvor nos alpendres da casas mais distantes. Sob o sol forte da manhã de domingo, após três horas de caminhada, chegamos na sede de um dos município com maior conteúdo e importância histórica para a Paraíba. 

A origem de Bananeiras acontece já com a doação das sesmarias a Domingos Vieira e Zacarias de Melo no século XVII, onde em 1833 foi criada a vila, para logo em seguida, em 1835, a freguesia de Nossa Senhora do Livramento, para logo após passada a distrito com o nome de Bananeiras no mesmo ano. Ainda em 1833, o padre Ibiapina foi o incentivador da construção da primeira igreja dedicada à santa em 1861, após a antiga capela de taipa de se deteriorado pelo tempo.

Chegada do grupo em Bananeiras
Sua evolução econômica partiu da cana-de-açúcar para o café, onde em 1852, chegou a ser o segundo maior produtor do Nordeste, trazendo inúmeras riquezas para a cidade, sendo refletido no requinte da arquitetura de seus casarões. Um outro marco historia de grande importância para Bananeiras foi a construção em 1922 da ferrovia, após transpor as barreiras geográficas da serra da Viração. Porém,nesta mesma época o município é atingido por uma praga dos cafezais, o que acarreta a falência da cultura na região, deixando apenas como opção a produção de cana-de-açúcar, arroz, fumo e sisal.

Ao chegarmos em Bananeiras, tivemos a grata satisfação de nos encontrar com o guia Adriano Bezerra, que fez a condução do grupo em uma outra oportunidade, mas que infelizmente não pode nos acompanhar nesta atividade, sendo substituído a altura por Estóbias que não deixou a qualidade dos guias bananeirenses cair. Um outro fato lamentável pelo grupo, foi a desistência novamente das duas companheiras, que já se encontravam no limite de suas forças. Ainda restavam cerca de 21 Km até o objetivo final em Santa Fé, que ficou a cargo guia e dos dois “geotrilheiros” restantes.

Corredores da UFPB
Seguirmos pelas belas ruas de Bananeiras, seguindo a indicação dos marcos da Flor de Cedro, o que nos levou até a Campus de Bananeiras da Universidade Federal da Paraíba. Adentramos a instituição, observando como foi conservada a sua arquitetura da época do Colégio Agrícola de Bananeiras. Passamos pelos setores de aula, até chegarmos de frente para a subida de um monte, que delimitava o profundo vale onde a universidade estava inserida, comprovado por uma subida bastante íngreme, ainda não encontrada durante todo o nosso percurso. No alto da “chã”, era possível observar o crescimento de um bom número de condomínios de serranos em Bananeiras, atraídos pelo clima bastante agradável. 

Praça Central de Solânea
Caminhando mais 03 Km, nos deparamos com uma pista de pouso, tendo a sua frente o município de Solânea. Seguimos em frente para termos acesso a cidade, porém ao chegarmos no final da pista, havia um muro em nossa frente, para a surpresa de Estóbias, que justificou que até pouco tempo, não havia a construção no local. Com isso, fizemos um pequeno desvio com cerca de 300 metros para finalmente chegarmos na área urbana de Solânea.

A cidade está a uma altura de 626 metros acima do nível do mar, possui um característica bastante interessante, sendo uma das poucas cidades do interior que apresenta o fenômeno de cornubação urbana, sendo vizinha de Bananeiras. Porém, Solânea já não pertence a mesmo microrregião de Bananeiras, abrindo a Microrregião do Curimataú Oriental. 

Sua história tem início por volta de 1750 a família Soares Cardoso Moreno, vindo do Ceará, aproveita o revelo plano do local para fixar moradia e implementar fazenda de gado e engenho. Em 1926 o município até então Distrito, ganhou o nome de Moreno em virtude de seu fundador, passando a vila em 1938 e em 1953 passa a município com o atual nome.

Almoço em Solânea
Por volta das 13h:00, efetuamos a parada para almoço no restaurante Bom Sabor, onde de lá seguimos mais 1,1Km até a Chã de Santa Tereza, onde foi possível observamos a cidade de Arara, porém estávamos indo numa rota contorna uma grande região para chegarmos até lá. Justamente a mesma rota feita pelo padre Ibiapina.

Caminhando por estradas carroçais, seguíamos os últimos Marcos da Flor de Cedro, passando por pequenas propriedades, e a iminência de uma forte chuva que circundava aos arredores de nossa rota.  Pelo percurso foi possível vermos algumas construções antigas que lembram prédios comercias, atribuídos a época dos tropeiros. Ao chegarmos no sítio Olho D’água Seco, as expectativas da chuva se foram concretizadas, refrescando os “geotrilheiros” já exaustos naquela altura, porém fazendo um lindo contraste com o revelo de serras e um engenho ao fundo do vale. 

Antigo ponto de encontro dos tropeiros
Já no Sítio Figueira ( Km 47,5 de nossa jornada) a chuva já dava um trégua, e encontramos o entroncamento do trecho “Via Cruzeiro de Roma”, com a “Via Cruzeiro do Espinho”, vindo de Serraria/PB. Neste momento, pedimos água a uma popular, que admirou o esforço dos “geotrilheiros” na caminhada, atribuindo o feito a fé. 

Seguindo em frente, encontramos as tradicionais e quase extintas “budegas”, onde são comercializados produtos para os moradores da Zona Rural, e a presença de árvores do tipo baraúna. Mais a frente, encontramos um linda fazenda no caminho, que conservava traços tradicionais da arquitetura local. Era a Fazenda Almeida, distante ainda 7,3 Km de Arara. 

Durante este trecho, queixas de incômodos nos pés por parte dos remanescentes da peregrinação, denunciavam a presença de bolhas dentro dos seus calçados, a expressão e a diminuição do ritmo das passadas eram a evidência de que a fadiga física castigava os participantes. As forças eram buscadas nas paisagens e pela fé espiritual de ambos, quando avistamos ao fundo o Santuário de Santa Fé. 

Fazenda durante o percurso
Depois de mais duas horas, finalmente atingirmos o município de Arara, com um registro de 467 metros. Restando agora apenas mais 1 Km até o santuário. 

O povoamento de Arara teve início no século XIX por meio dos tropeiros que faziam o transporte de gêneros alimentícios do Curimataú, Seridó e Brejo Paraibano, que aproveitavam as sombras das árvores e do Engenho Porções, sendo local de comércio entre os tropeiros. A origem de seu nome vem da grande presença no passado de araras na região.

O padre Ibiapina possuiu grande influencia para o povoamento de Araras, em virtude da construção da Casa de Caridade de Santa Fé em 1866, para abrigar as meninas abandonadas na região, num terreno doado pelo Major Antônio José da Cunha, responsável pela construção a primeira casa de Araras. Padre Ibiapina também foi o responsável pela construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade.

Santuário de Santa Fé
O município foi distrito em 1938, pertencente a Serraria, para logo em 1961 ser emancipado.
Restando apenas 1 Km para chegar ao Santuário de Santa Fé, os passos já não tinham a mesma firmeza de um dia atrás, mas com toda fadiga, conseguimos entrar no local, onde encontramos uma igreja, um cemitério, uma antiga casa de farinha, algumas  locais de comercialização de objeto, museu, uma grande área de celebração e a casa onde o padre viveu e veio a falecer. 

Por voltas das 17h:30, finalmente conseguirmos cruzar o portal do santuário, mais um vez empunhando as cores da bandeira do Rio Grande do Norte, finalizando os 58,1 Km do percurso.

Chegada no Satuário de Santa Fé
Sob a copa do cedro do santuário, foi possível analisarmos o momento de vitória, sendo atribuído graças à força de vontade, as vibrações positivas daqueles que ficaram em Bananeiras, acima de tudo, a crença em cada um dos Deuses, os quais cada “geotrilheiro” levam consigo, independentemente de religião. Isso nos fez pensar como isso é tão importante, levando em consideração a determinação do padre Ibiapina, em transpor todas essas dificuldades para fazer tais obras humanitárias, o qual seu credo religioso e principalmente o seu coração missionário determinaram.

Após essa reflexão, retornamos para Bananeiras por meio de um taxi, para deixar e nos despedir do competente guia Estóbias, que cumpriu sua missão com extremo louvor, não incentivando todos a completarem o percurso. E também, pegar a outra metade do grupo para nos dirigirmos a Guarabira, de onde pegamos os carros e seguirmos para Campina Grande e Natal respectivamente ainda na noite do domingo, onde chegamos com a benção de todos em nossos lares.

Raio-X

Nível de Dificuldade – Alto
Localização da Trilha – Bom
Disponibilidade de Socorro Médico – Regular
Apoio Logístico - Bom
Recomendações necessárias para trilhar
- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Levar repelente contra insetos;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor;
- Levar na mochila apenas o necessário.

Onder Comer

Guarabira
Restaurante Lucena
Fone: (83) 3271-1214
Borborema
Restaurante do Roncador
Fone: (83) 8745-7044
Solânea
Restaurante Bom Sabor
Fone: (83) 3363-2392

Onde Ficar
Hotel Lucena
Fone: (83) 3271-1214

Contatos para realização de trilha

Estóbias
Fone: (83) 9133-8653

Apoio

Um comentário:

  1. Uma Travessia com Fé e Companheirismo, que serviu para consolidar a "Irmandade, Fraternidade e Amor", entre os membros do nosso grupo! Valeu amigos-irmãos GeoTrilheiros/RN, a Paraíba agradece e eu também! Até a próxima, na vontade de Deus... Saudades!

    Zeneide Leal, Campina Grande-Pb

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