quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ANIVERSÁRIO DE DOIS ANOS DO GEOTRILHAS/RN - TRILHA ECO-CULTURAL DO VALE DO IPOJUCA/PE

Portal de entradada da Feira de Caruaru
Localizado na Região Agreste de Pernambuco, mais precisamente na microrregião do Vale do Ipojuca, o município de Caruaru esta a uma distancia de 138 Km de Recife/PE e 394 Km de Natal/RN, possuindo uma altitude em realação ao nível do mar de 545 metros, encravada no Planalto da Boroborema. Caruaru é o município mais populoso do interior do estado, conhecido como a Princesa do Agreste, como também nacionalmente pelos festejos juninos, por isso também por ser considerada A Capital do Forró, por ter o Maior São João do Mundo. A festa de São João, dura 30 dias e toma o mês de junho inteiro, por vezes até adentrando os meses de maio e julho, além de ser o maior centro de artes figurativas das Américas, segunda a UNESCO.

A origem do seu nome ainda é desconhecida. Uns acham que vem do substantivo Carruas, que significa fonte ou água que causava doença no gado. Uma segunda vertente defendem que vem da palavra Caruari, que significa rio dos Caruaras. A última linha teórica do nome do município viria a ser de uma planta de mesmo nome comum do rio Ipojuca. O certo mesmo é que as terras que hoje constituem o município de Caruaru eram primitivamente uma fazenda de gado, pertencente à família Nunes dos Bezerros, que havia sido doada em 1681, quando o governador Aires de Souza de Castro, em forma de sesmaria contendo 30 léguas de extensão (aproximadamente 12 hectares), denominada Fazenda Caruru. . Este nome deve-se à proximidade da fazenda com a paróquia dos Bezerros. Com a família Nunes vivia um casal de órfãos. Um deles, José Rodrigues de Jesus, apossou-se da parte que lhe cabia na herança, estabelecendo-se no local denominado Caruaru. Ali construiu uma capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

O povoamento da região iniciou-se no entorno desta capela. Em 1846, o Frei Euzébio de Sales, Capuchinho proveniente da Penha, iniciou a construção da Igreja Matriz, hoje Catedral. A capelinha foi reconstruída por duas vezes, sendo a última reconstrução em 1883. Caruaru tornou-se cidade, uma das primeiras do Agreste pernambucano, pelo projeto nº 20, do deputado provincial Francisco de Paula Baptista, defendido em primeira discussão em 03 de abril de 1857,depois de aprovação sem debate, em 18 de maio do mesmo ano, com a assinatura da Lei Provincial nº 416, pelo vice-presidente da província de Pernambuco, Joaquim Pires Machado Portela. A localização geográfica favoreceu o desenvolvimento local, por ser a região passagem obrigatória de transporte de gado do sertão para o litoral e de mascates em sentido inverso.

Em dezembro de 1895, foi inaugurada a estação ferroviária da "Great Western" que ligou Caruaru ao Recife, que consolidou o desenvolvimento local. Nesta época, já era famosa a feira de Caruaru, considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio imaterial do Brasil.

Quanto aos aspectos geograficos de caruarau, o município possui clima Semi-árido quente, com temperatura média na casa dos 26° C, com índice pluviométrico é de cerca de 662mm, mal-distribuídos ao longo do ano, atribuida ao fato de está entre o planalto da Borborema, e a Serra das Russas, que devido a altitude provoca chuvas orográficas, fazendo assim com que o ar chegue ao interior da região mais seco. Sua vegetação é predominantemente de caatinga, com arvores típicas, como o juazeiro, a algaroba, a baraúna, o mulungu e a imburana; arbustos como o velameiro, marmeleiro, e urtiga; broméliaceas como o caroá, macambira e o gravatá e cactáceas como o facheiro, xique-xique,jurema-preta, mandacaru, coroa-de-frade e palmatória. Possui ainda, vegetação úmida e arborizada (floresta tropical) ao sul, pois faz divisa com a microrregião do Brejo Pernambucano no extremo sul do município. O seu revelo seu relevo é suave ondulado, de solo pedregoso e argiloso, com altitude média de cerca de 545 metros. O ponto mais alto da cidade é o Morro do Bom Jesus, com altitude de 630 metros. Já quanto aos recursos hidricos, o município está inserido nos domínios das bacias hidrográficas dos rios Ipojuca e Capibaribe, tendo como principal rio o Capibaribe e os riachos Tabocas, Caiçara, Borba, da Onça, Olho d’ Água, Mandacaru do Norte, Carapotós, São Bento, Curtume e Taquara, todos de regime sazonais. O município conta ainda com os açudes Eng°. Gercino de Pontes (13.600.000 m³), Taquara (1.100.000 m³), Guilherme (786.000 m³), Serra dos Cavalos (761.000 m³) e Jaime Nejaim (100.000 m³).

Atualmente Caruaru destaca-se como o mais importante pólo econômico, médico-hospitalar, acadêmico, cultural e turístico do Agreste, sendo também famosa por sua tradicional feira livre, conhecida como a maior feira livre do mundo, onde é possivel encontrar no centro de comércio ferro-velho, alimentos, roupas íntimas, utensílios para casa, entre outros. O que não é encontrado nos boxes pode ser comprado no carrinho de mão, que hoje conta com 14 setores, como o de artesanato, que é um dos mais antigos e o que mais atrair turistas. A feira já foi enaltecida nos versos do compositor Onildo Almeida e na voz do eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Em 2006 a feira recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, concedido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

A cidade que abriga um dos mais importantes entrepostos comerciais do Nordeste e possui ainda no Alto do Moura (bairro de Caruaru, onde a arte do barro, passada de geração para geração, retrata cenas do cotidiano e dos costumes do povo nordestino) o Maior Centro de Artes Figurativas da América Latina, título este concedido pela Unesco, como reconhecimento de uma história iniciada na década de 40 do século passado, através do seu mais ilustre filho, Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, ceramista que começou a modelar bonecos aos seis anos de idade, e foi o primeiro artista da comunidade a ganhar fama nacional e internacional, fez história através da criação de bonecos de barro, arte perpetuada entre seus familiares e vários discípulos, representados nas gerações de artesãos (mais de 1.000), que ainda hoje residentes na famosa vila, onde cada residência se transforma em ateliê, envolvendo toda a comunidade local, desde o mais simples ajudante àqueles que moldam o barro transformando-o em arte levando nossa cultura até os pontos mais distantes do nosso planeta.

GEOTRILHAS/ RN EM CARUARU/PE
Grupo reunido na entrada do Alto do Moura
Com um grupo composto por doze pessoas, partimos na madrugada da sexta-feira, dia 11 de fevereiro, para o município de Caruaru, local do primeiro dia da tilha comemorativa aos dois anos do Projeto GEOTRILHAS/RN. Seguimos pela BR-101, fazendo uma pequena parada no município Mamanguape/PB, onde paramos para tomar café. Após a primeira refeição do dia, pegamos novamente a estrada, agora pela PB-041, até atingirmos a BR-230 até Campina Grande/PB, de onde seguimos pela BR-104 até Caruaru/PE.

Grupo no inteiro da casa do Mestre Vitalino
Chegamos ao nosso destino, aproximadamente as 11h:00, devido as obras de duplicação da BR-104, que deixou o transito lento. Ao entramos na cidade de Caruaru, o nosso grande amigo Erdevaldo já estava a nossa espera. Erdevaldo foi um dos pioneiros do GEOTRILHAS/RN, que esteve presente na nossa primeira trilha do projeto, há dois anos atrás. Companheiro do Curso de Geografia, e do Grupo Escoteiro do Mar Artífices Náuticos, Erdevaldo estava deixando o Rio Grande do Norte, por transferencia de emprego (o mesmo irá atuar no Rio de Janeiro), mas antes de sua partida, sugeriu a realização de uma trilha em Caruaru, sua terra natal, que imediatamente foi atendida, não sendo apenas uma trilha. Mas sim, a trilha comemorativa aos dois anos de projeto. Seguimos pelas ruas do centro de Caruaru, passando ao lado do largo 18 de maio, local da tradicional feira, até chegarmos no Hotel Aconchego, onde seria a nossa hospedagem na cidade.

Grupo subindo os degraus do morro do Bom Jesus
Após termos nos hospedado, partimos para o Alto do Moura, na companhia do tio do Erdevaldo, conhecido como “Ceguinho”. Percorridos 7 Km do centro de Caruaru, chegamos no bairro considerado pela Unesco o maior Centro de Artes Figurativas das Américas, onde logo tratamos de providênciar o almoço para recuperar as energias da viagem. Numa mesa organizada na Churrascaria Bode de Ouro, enquanto aguardavamos a refeição, Ceguinho animava o grupo com seus causos típicos da cultura nordestina. Chegada a hora da refeição, nos impresionou o quantitativo e sabor da comida servida no estabelecimento. Uma grande quantidade de comida com grande variedade, acompanhada de carne de sol, queijo de qualho, e é claro, o bode, servida em chapas na propria mesa. O bode chamou a atenção de todos, pois derretia na boca dos participantes devido a maciez da carne. Após o término do almoço, seguimos pelas ruas do Alto do Moura visitando os ateliês. Nossa primeira parada foi no ateliê do Mestre Elias(discipulo de Mestre Vitalino), que estava criando suas obras no momento. Chamava a atenção uma grande estatua de um cavalo na frente de sua loja, que atraiu a curisidade de vários participantes, que fizeram questão de tirar uma foto em cima do cavalo. Seguimos em frente até a Casa Museu Mestre Vitalino, situada na rua que tem o seu nome, e que foi residência do conhecido ceramista e de sua família, onde guarda no seu interior guardam-se as recordações e objetos pessoais do maestro. Mestre Vitalino possuia uma singular destreza, esculpia cenas do cotidiano sertanejo em que vivia. Seus trabalhos eram diferentes dos levados pelos outros artesãos que abordavam sempre os mesmos temas: animais, maracatus, bumbas, cinzeiros, potes, jarros, pratos, moringas, etc. Fomos recebidos no local pelo seu filho, Seu Severino Vitalino, que nos mostrou o interior da casa, que continha obras do grande mestre, que chamava a atenção pelos detalhes faceais, que dava uma conotação de realismo as peças. No fundo da casa havia o velho forno onde as peças eram queimadas, para logo em seguida serem comercializadas. Ao final da visita, reunimos em frente a estatua de mestre Vitalino, onde o grupo tirou uma foto com mestre Severino Vitalino. Seguimos pelas ruas do Alto do Moura, visitando outras lojas, e conferindo os trabalhos que ali estavam em andamento. Após um tempo para que o grupo pudesse realizar algumas compras, nos reunimos em frente ao portão de entrada do Alto do Moura, para uma foto, antes de seguirmos de volta para o centro de Caruaru.

Ao retornamos a cidade, fomos até a casa dos parentes do Erdevaldo, de onde sairiamos para uma visita a ponto mais alto da cidade, o morro do Bom Jesus, também conhecido como Morro do Socorro, situado a 630 metros de altura, onde Caruaru cresceu ao seu redor. Com o apoio dos amigos Rolin e Marcos, ambos Policiais Militares, seguimos pela ruas que levavam ao morro, que hoje encontra-se em situação social de risco. Ao subirmos os mais de 340 degraus da escadaria, observavamos decorada as estações da Via Sacra pelo caminho, que dava de frente para a Capela do Bom Jesus foi dada pelo Bispo de Pernambuco, D. Luiz Raimundo da Silva Brito, em 29 de agosto de 1902. Ao chegarmos ao topo, vislumbramos a maravilhosa panorâmica de toda a cidade, com os seus antigos prédios sendo engolidos pela expansão imobiliária que Caruaru em sofrendo, além da imponecia da feira, que do alto temos uma verdadeira noção de seu tamanho.

Terminada a visita ao morro do Bom Jesus, seguimos pelo centro da cidade até a praça Senador Teotônio Vilela, onde conhecemos a prefeitura local, e pelas ruas do comércio, que já fechava suas portas, até regressarmos para o hotel, de onde nos despedimos dos nossos amigos Rolin e Marcos.

Aniversário do GEOTRILHAS/RN
O grupo veio novamente a se reunir por volta das 20h:00 no Restaurante Been, local onde foi comemorado o aniversário de dois anos do GEOTRILHAS/RN. Numa roda de amigos com muita pizza, e música ao vivo, os integrantes da comitiva relembraram numa conversa bastante descontraida os dois anos do projeto, além de divulgar os vencedores do Prêmio GEOTRILHAS/RN Os Melhores de 2010 e o do Prêmio de Fotografias Jorge Tadeu. Após as formalidades iniciais, o Coordenador do Projeto GEOTRILHAS/RN, Lázaro Freire da Costa, relembrou a história do grupo, o importante papel do projeto para os pequenos municípios do Nordeste, em especial o Rio Grande do Norte, além da maior importancia existente no projeto: Cativar a amizade entre os participantes, pela luta de uma sociedade mais justa e pela conservação do Meio Ambiente. O coordenador ainda fez uma homenagem ao grande amigo e companheiro de GEOTRILHAS/RN Erdevaldo, recebendo o primeiro pedaço do bolo de aniversário. O nobre companheiro que está deixando o Rio Grande do Norte, e vai nos deixar muitas saudades por sua alegria que transmitia ao grupo. Após as festividades de aniversário, o grupo retornou ao hotel para encerrar o primeiro dia de atividades da Trilha Eco-Cultural do Vale do Ipojuca.

Entrada do Museu Luiz Gonzaga
A manhã do dia 12 de fevereiro começou com um reforçado café da manhã para o grupo, que ao terminá-lo seguiu para o Espaço Cultural Tancredo Neves, construindo em 1988 aproveitando a velha estrutura da Fábrica Caruá. O espaço é dividido em duas áreas, sendo a área interna abriga pavilhão de exposições e feiras, as sedes da Secretaria de Turismo e da Fundação de Cultura, além do Museu da Caruá e unidades culturais. Na área externa, onde antes funcionava o pátio da antiga fábrica, foi implantado o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, principal polo de animação dos festejos juninos, com sua Vila do Forró – réplica de um típico vilarejo do interior – onde se concentra grande parte dos eventos da cidade. Logo na chegada, damos de cara com uma estatua de Luiz Gonzaga, de onde o grupo tirou várias fotos. O primeiro local a ser visitado no espaço foi o Museu Luiz Gonzaga, Instalado no Bloco B. Logo na entrada do museu, outras duas grandes estátuas, sendo agora Lampião e Maria Bonita que recepcionam os visitantes, mas que nos acompanha durante a visita é Francisco, funcionário do museu que reúne em três salas uma coleção de fotografias, documentos, troféus, roupas, discos e instrumentos musicais que pertenceram a Luiz Gonzaga, dentre os quais sanfonas, ternos e o pijama que ele vestia quando veio a falecer. As duas salas seguintes são dedicadas aos festejos juninos de Caruaru, com abordagem dos eventos, fogueiras, artistas regionais, gastronomia e a devoção aos santos padroeiros da época. Caminhado logo a frente, fomos até o anexa do Museu do Forró, onde conhecemos um espaço dedicado a cantora Elba Ramalho, que reuni fotografias, troféus, figurino e adereços de shows, discos de ouro, LP’S e outros objetos que contam a trajetória artística da cantora. Subindo para o 1º andar do prédio, chegamos ao Museu do Barro de Caruaru, conhecido como Espaço Zé Cabloco onde possui em seu acervo com cerca de 2.300 peças expostas em cinco ambientes: Sala Ceramistas do Alto do Moura, Sala Mestre Vitalino e Família, Coleção Abelardo Rodrigues, Sala de Exposições Temporárias e Atividades Educativas, Pinacoteca Pintora Luisa Cavalcanti Maciel. Terminada a visita ao Museu Luiz Gonzaga, nos despedimos de Francisco, e caminhamos cerca de 400 metros até o Museu da Fábrica Caroá, localizado no Bloco A. Lá fomos recebidos pela funcionária Maria que nos mostrou o acervo composto por maquinário, documentos, mobiliário, fotografias e amostras de produtos remanescentes da antiga Fábrica Caroá, marco importante na economia local, que ajudou a desenvolver o município.

Seguimos de volta para o centro da cidade, onde fomos visitar o Memorial da Feira de Caruaru, localizado no antigo Mercado de Farinha, no centro da cidade. Situado num edifício em estilo neoclássico construído na administração do prefeito Celso Galvão em 1923 para abrigar os comerciantes de farinha de mandioca e cereais. O museu promove numerosas exposições de fotografias, pinturas e objetos que contam a história de Caruaru em seus aspectos político, econômico, social e cultural, destacando as relacionadas com a Feira de Caruaru, declarada Patrimônio Cultural Brasileiro.

Almoço na feira
Ao término da nossa visita ao Memorial da Feira de Caruaru, partimos com destino a própria feira, situada no Parque 18 de maio, em seu dia de maior movimento. Logo na entrada, as bancas tomam o portífero de entrada da feira que é a mais importante, completa e multitudinária que realiza-se em Caruaru e uma das maiores atrações do nordeste do Brasil. De tudo pode ser encontrado, como artesanato popular: barro, cerâmica, cestas, couro, tecidos e calçados, roupas, artigos da cesta básica de alimentação, entre outros, típicos da região. Funcionando paralelamente a ela, encontra-se a Feira do Artesanato, ou Feira dos Artistas como também é conhecida. Foi justamente nesta feira, que o grupo adquiriu muitos produtos, como camisas, peças de couro e principalmente artesanato em barro, devido a grande variedade e qualidade das peças.

Chegando a hora do almoço, o grupo resolveu experimentar a culinária da própria feira, em suas barracas de almoço. Fomos até a Barraca da Tia Guida, onde nos foi servido uma grande variedade de pratos, como carne de sol, galinha, bichada e sarapatel. Sem dúvida alguma, a alimentação não poderia ter sido melhor, pois também aprendemos como é o funcionamento daqueles estabelecimentos que fornecem a alimentação aos feirantes do local, num alto grau de dependência mútua uns com os outros.

Terminado o almoço, seguimos de volta para o hotel, de onde nos despedimos do nosso grande amigo Erdevaldo, desejando-lhe sucesso nos novos desafios nas terras cariocas, e demostrando a reciproca verdadeira de um reecontro com o grupo em um futuro não muito distante. Em seguida, o combóio partiu pela BR-232 (Rodovia Luiz Gonzaga), com destino ao próximo município a Gravatá, segundo município a ser visitado durante a Trilha Eo-Cultural do Vale do Ipojuca.

Raio-X

Nível de Dificuldade – Médio
Localização da Trilha – Bom
Disponibilidade de Socorro Médico – Ótimo
Apoio Logístico - Ótimo

Recomendações necessárias para trilhar

- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Levar repelente contra insetos;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor.

Onder comer
Churrascaria Bode de Ouro
Fone: (81) 3723-3956
Roberto e Val
Onder ficar
Hotel Aconchego
Fone: (81) 3721-9654

Contatos para realização de trilha
Patrick Serapião
Fone: (81) 9685-9697


GRAVATÁ/PE

Pólo Moveleiro de Gravatá
O município de Gravatá está localizado no agreste pernambuca, inserido dentro da microrregião do Vale do Ipojuca. Distante cerca de 85 Km da capital Recife, e 362 Km de Natal/RN, possui uma altitude em realação ao nível do mar de 447 metros, dentro da zona de transição entre a Mata e o Agreste, na zona fisiográfica anterior à chapada da Borborema, na denominada Serra das Russas.

A sua história teve origens numa fazenda, em 1808, pertencente a José Justino Carreiro de Miranda, local esse que servia como hospedagem para os viajantes que iam comercializar o açúcar e a carne bovina, principais produtos da época, que eram levados em embarcações do Recife até o interior. Como a navegação pelo rio Ipojuca era difícil, os comerciantes eram obrigados a fazer paradas estratégicas para evitar também que o gado perdesse peso.

Uma dessas paradas ficou conhecida como Crauatá, denominação, que deriva do tupi Karawatã ("mato que fura"), por conta da predominância de uma planta do gênero da família das bromélias, também chamada caraguatá, caroatá, caroá e gravatá.

Foi nos fins do século XVIII que José Justino Carreiro de Miranda tomou posse da Fazenda Gravatá que, por muito tempo, serviu de hospedagem para viajantes e, como consequência natural, surgiram dois arruados, um em cada margem do rio.

Em 1810 iniciou-se a construção de uma capela dedicada a Sant'Ana que, doze anos depois, seria concluída por seu filho João Felix Justiniano. Em seguida, as terras foram divididas em 100 lotes e vendidas aos moradores, dando início ao povoado de Gravatá, sendo um distrito do município de Bezerros.

Em 1875, foi criada a freguesia, que seria elevada à categoria de vila em 30 de maio de 1881, através da Lei Provincial nº 1.560, e sua capela transformada em Igreja Matriz.

Em 13 de junho de 1884, a sede do município foi elevada à categoria de cidade (Lei Provincial nº 1.805), porém sua emancipação política só veio a ocorrer após a Proclamação da República, pela Lei Orgânica dos Município, de 15 de março de 1893, quando a cidade adquiriu sua autonomia municipal e elegeu o seu primeiro prefeito, Antônio Avelino do Rego Barros.

No final do século XIX, com a inauguração da Ferrovia Great Western Railways, ligando o Recife ao sertão pernambucano, a cidade tomou considerável impulso e, aos poucos, foi definida sua vocação para o turismo, sobretudo com a construção da BR-232, em 1950, o que permitiu um melhor acesso, encurtando o tempo de viagem e vencendo o desafio da Serra das Russas. Atualmente comemora a emancipação do município no dia 15 de março.

Quanto suas caracteristicas geográficas, Gravatá possui um clima considerado tropical de altitude com média anual de 19°C, tendo como média no verão 20° e no inverno 15°C, com alta úmidade relativa do ar no decorrer do ano. O oceano Atlântico tem um papel importante na influência do clima dessa região levando úmidade e ocasionando chuvas durante todo o inverno. O fato da cidade está localizada no Planalto da Borborema resulta em várias influências no clima de Gravatá, uma delas é as temperaturas confortáveis ou pouco altas no verão e baixas temperaturas no inverno. A vegetação do local é caracterizada por caatinga, pastagens naturais, brejo de altitude, restingas de matas. Quanto ao relevo, o município de Gravatá, está inserido predominantemente na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 a 1.000 metros. Ocupa uma área de arco que se estende do sul de Alagoas até o Rio Grande do Norte. O relevo é geralmente movimentado, com vales profundos e estreitos dissecados. .Na sede do município existem áreas planas com ligeiras elevações nos subúrbios. Os pontos mais altos são o Bairro Novo, o Cruzeiro e o Maroto. Já os recuros hidricos locais, são formados pelos rios Ipojuca e Capibaribe, além de inúmras nascentes que brotam das serras vizinhas.

A sua economia tem como principais atividades econômicas a agricultura (abacaxi, milho, algodão, batata doce, tomate, tangerina, feijão, banana, mandioca, morango), o comércio varejista e a pecuária. É um importante polo de cultivo de hortaliças e legumes do agreste pernambucano, especialmente no setor de orgânicos, produz e comercializa, em média, duas toneladas semanais, em feiras da cidade e ainda de Caruaru e Recife. Também tem papel de destaque no cultivo de plantas e flores, com a produção de diversos tipos de rosas, crisântemos e outras espécies de flores, que garante ao município o título de maior produtor de flores temperadas do Nordeste. No setor da criação animal, destaca-se por sua vocação de criador de animais selecionados. Cavalos das raças manga larga marchador e quarto de milha; rebanho bovino das raças leiteiras jersey, gir, girolando e guzolando, ovino das raças santa inês, suffolk e texel e caprino com planteis de bôer importados do Canadá, Estados Unidos, Alemanha e África do Sul. Além de inúmeros canis, com as raças rottweiler, boxer e cocker spaniel.

O município ainda é conhecido como importante polo moveleiro do Estado, concentra um grande número de fabricantes de móveis rústicos e semi-rústicos em madeira maciça, além de fibras naturais como junco, vime, rattan e cana-da-índia. Além de ser um grande celeiro de artistas, onde muitos trabalham com o artesanato manual, com peças de todos os gêneros, desde a tradicional bonequinha da sorte passando pelos brinquedos educativos em madeira da Artgravatá, até telas e esculturas.


GEOTRILHAS/RN EM GRAVATÁ


Grupo reunido no mirante da serra do Contente
 Chegamos em Gravatá por volta das 16h:00, após termos percorrido cerca de 55Km vindo de Caruaru. A entrarmos na cidade, percebemos que era uma cidade que conservou bastante sua antiga arquiterura, mas não deixando de lado a modernidade do progresso. Seguimos pelas belas ruas do centro, até chegar na Pousada Sannt’Ana, local de nossa hospedagem, onde Dona Idalina já nos aguardava.

Grupo reunido em frente a pousada com o guia
Após o grupo ser apresentado, fomos logo tratar de nos estabelecer na pousada, que por sinal é bastante acolhedora. Em pouco mais de 30 minutos, o guia Patrick já estava na pousada para nos conduzir ao Pólo Moveleiro da cidade, onde são comercializados os móveis rústicos em madeira maciça, tais como massaranduba, angelim e outros, além de artesanato. Ao chegarmos ao local, nos surpreendeu a quantidade de lojas que trabalhavam com o ramo de movéis, e artesanato. Numa rua com prédios que lembrava a arquitetura européia do Século XVII, o grupo visitou várias lojas, e adquiriu produtos típicos da região.

Terminada a rápida visita, em decorrencia do fechamento do comércio, o grupo seguiu novamente para o centro, onde jantamos no Restaurante Eudes da Cabidela. No local é servida comida tipicamente regional, a gosto do cliente, além de comercializar o saboroso vinho fabricado na região. Finalizado o jantar, já se passavam das 20h:00, quando ainda deu tempo para conhecer o largo da igreja, antes de regressarmos para a pousada em definitivo e encerrar o dia de atividades, pois teriamos um longo trecho de caminhada na manhã seguinte.

Grupo durante a trilha
O domingo já começou logo cedo para o grupo. Antes do café da manhã, o guia Patrick já estava na pousada juntamente com o Júnior – motorista do Toyotão – que iria nos conduzir pelas serras de Gravatá. Após o café da manhã reforçado, embarcamos no “tanque do Sertão”, como chamamos o jipe alongado, que é o principal meio de transporte da região. Saimos com destino a serra do Contente, distante cerca de 7 Km da cidade. Ao seguirmos pelo caminho, pudemos observar várias fazendas que cultivam flores e rosas, que movimentam a economia local, além dos haras de cavalo, com seus plantéis. Rapidamente chegamos na Reserva da Serra do Contente, onde formos recepcionados por seu proprietário, o Sr. Eronildes. A reserva faz parte da unidades de conservações gerenciadas pelo ICMBio — Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que ajuda ao Sr. Eronildes a conservar o local. Após termos recebidos as primeiras instruções do proprietário, seguimos trilha a dentro, onde fomos logo surpreendidos por um enxame de abelhas que passava pelo local, mas não trouxe nenhum perigo ao grupo. Seguindo em frente passamos por áreas que parecem que foram devidamente planatadas bromélias e orquidéas, pela tamanha disposição que estavam no terreno. A trilha era bastante interessante, na medida que em cada ponto de curiosidade, haviam placas de sinalização que falavam sobre o ponto. A forma das arvores eram bastante interessantes, por suas curvas, e até mesmo por espécies que pareciam está se multiplicando no seu próprio troco. Era encantador os sons que vinham da mata com suas cigarras e pássaros. Chegamos a um local de onde tinhamos uma linda vista para a serra, e a cidade ao fundo, onde o grupo tirou várias fotos. Seguimos em frente, só que agora descendo a parte mais baixa da reserva, onde encontramos rastros de animais de médio porte, como cutias e jaguatiricas, que acusavam sua presença recente pelos restos de uma ossada de cotia na trilha. Mais adiante, paramos numa gruta que nos chamou a atenção pelo fato de haverem vários buracos no solo. Segundo Sr. Eronildes, se trata de uma espécie de carrapato que fica enterrado na areia esperando suas prezas, que ao passar pelo buraco, o carrapato joga areia na vítima, até ela cair no centro do buraco. Comprovamos isto com uma experiência envolvendo uma formiga. Caminhado mais a frente chegamos na área de nascentes da recerva, de onde brotava água mineral e cristalina, que represava numa pequena barragem com uma bica, mas que infelizmente não estava apta para o banho devido ao baixo nível da água. Seguimos de volta para a sede da reserva, one foram oferecidas frutas para o grupo, por cortesia do Sr. Eronildes.

Nos despedirmos do nosso anfitrião, e seguimos de Toyotão para a cachoeira da Palmeira, passando por áreas de plantação de hortaliças e flores. Chegando ao local, fomos recebidos por Seu Cícero, proprietário do sítio onde se encontra a cachoeira. Seu Cícero, além de viver das culturas de feijão e pimenta, vive também dos turistas que visitam a cachoeira, combrando uma taxa simbolica de R$ 2,00 por visitantes, e oferecendo almoço aos interessados. Combinamos o horário em que o almoço seria servido, e fomos conhecer a cahoeira.

Cachoeira da Palmeira
A queda d’água é constituída por três cachoeiras, bicas e piscinas. Ideal para meditação e fotografias. A cachoeira, de água cristalina e doce, mas que no dia da nossa visita, o poço estava com água barreta devido a construção de uma ponte, tem cerca de 20m de altura, com 7m de largura no trecho superior e 12m no inferior. A parte intermediária e a bica, possuia água cristalina, onde o grupo se refrescou durante algum tempo, enquanto uma outra parte se aventurava cachoeira a cima, descobrindo os seus mistérios. No local haviam ainda os carneiros hidraúlicos da velha roda d’água, que era utilizada no Sítio Palmeira. Chegada a hora do almoço, fomos para o “terreiro” da casa de Seu Cícero conferir a culinária rural. Numa mesa improvisada, mas feita com muito amor, comemos um delicioso guisado de carne feita pela sua esposa, que logo foi conhecer o grupo. Numa roda conversa, falaram da experiência de viver no campo, e da alegria de estarem na sua terra. Finalizamos o almoço tendo Dindin como sobremesa, e melancia produzida na terra de Seu Cícero.

Após termos acertado as contas, parte do grupo adquiriu alguns quilos do feijão produzido por Seu Cícero, e em seguida o grupo se despediu do simpático casal. Seguimos de volta para a cidade de Gravatá, beirando as serras, que anunciavam chuvas. Passamos pelas torres do Parque Heólico de Gravatá, que se destacavam entre as serras. Também passamos pela capela da Fazenda Riacho do Mel, onde foi realizada a primeira missa de Frei Damião. No local, existe uma estátua de tamanho original do frei.

Chegamos na pousada por volta das 17h:00, quando nos despedirmos de Patrick e Júnior, e seguimos para os quartos para arrumarmos as coisas e partir de volta para Natal. Por volta das 18h:30, o grupo se reuniu em frente a pousada para nos despedirmos de Dona Idalina e família, antes de pegarmos a estrada. Seguimos pela BR-232 até Recife, de onde pegamos a BR-101 com destino a Natal levando consigo várias lembranças deste que foi o segundo aniversário do grupo GEOTRILHAS/RN, e a empolgação de realizar mais e mais atividades deste porte durante os anos que virão.

Raio-X


Nível de Dificuldade – Médio
Localização da Trilha – Bom
Disponibilidade de Socorro Médico – Ótimo
Apoio Logístico - Ótimo

Recomendações necessárias para trilhar

- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Levar repelente contra insetos;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor.

Onder comer

Restaurante Eudes da Cabidela
Fone: (81) 3533-4561

Onder ficar

Pousada Sannt'Ana
Fone: (81) 3533-1133

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