segunda-feira, 16 de agosto de 2010

PROJETO GEOTRILHAS/RN É MATÉRIA NO JORNAL DO IFRN

A edição de nº 18 do Jornal do IFRN, meio de comunicação impressa mensal contendo as notícias de maior relevância sobre o que se passa nos campi do Instituto Federal de Educação e Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, trás na sua quarta página uma matéria exclusiva da jornalista Cleidiane Vila Nova sobre o projeto GEOTRILHAS/RN. Na ocasião a jornalista entrevistou Lázaro Freire da Costa idealizador e coordenador do projeto; Rita de Cássia Dantas correspondente do projeto na Região do Seridó; e a professora Juliana Vieira do curso Guia de Turismo da instituição. Eles falaram sobre de como foi a criação do projeto, o que esta sendo feito pelos municípios visitados, e uma análise da importância do GEOTRILHAS/RN, feita na visão da professora da área de Turismo.

Acompanhe na integra a matéria publicada no jornal.

Trilheiros por natureza realizam trilha dos tanques em Florânia

Um outro turismo é possível
Estudantes de geografia desenvolvem projeto de turismo sustentável em municípios do RN


Cleidiane Vila Nova

Turismo ecológico, sustentável e pedagógico. Esse é o ideal para quem gosta de viajar e se entusiasma com a possibilidade de aprender um pouco mais observando as características peculiares de cada região, como aspectos geográficos, ambientais e populacionais.
O projeto Geotrilhas segue esse princípio. Formado por estudantes da licenciatura em geografia do IFRN, o projeto desenvolve essa proposta desde o início de 2009, organizando trilhas por todo o interior do Rio Grande do Norte e até em outros estados do Nordeste, como Pernambuco e Paraíba.
“O Geotrilhas é uma alternativa para a distribuição de renda mais igualitária no RN”, afirma Lázaro Freire da Costa, aluno do 8º período do curso de geografia e um dos idealizadores do projeto. Essa afirmativa, segundo Lázaro, deve-se ao fato de que as trilhas feitas por eles são sempre realizadas pensando em levar benefícios para o município em que visitam, enquanto “companhias de turismo superfaturam os valores e não repassam para a comunidade local”.
No começo era apenas uma atividade de campo. Uma aula prática para alunos que, em sua maioria, nunca haviam feito trilha ou mesmo visita a uma comunidade distante do circuito turístico tradicional. A atividade aconteceu no final de 2008, na comunidade indígena de Catu (entre Goianinha e Canguaretama), durante a disciplina de Geografia Agrária.
Depois disso, os alunos se organizaram em mais três trilhas visando conhecer algumas localidades, porém, a princípio, ainda não era caracterizado como projeto. Lugares como: Parque das Dunas, em Natal; Araruna, Paraíba; e o Seridó, através do Circuito Brejo Paraibano, fizeram parte do roteiro. Após ver como funcionava o Circuito, passaram a pensar em um projeto para as cidades.
“O projeto é interessante para as pessoas conhecerem o nosso Estado. O aluno não pode conhecer apenas através de livros, em sala de aula. E não podemos esperar apenas pelas aulas de campo”, declara Lázaro Freire. E complementa, “vemos a economia local, as questões ambientais, relevo, clima, cultura... é um laboratório ao ar livre para o geógrafo”.
Consolidado como projeto, a primeira atividade para os participantes do Geotrilhas foi escolher um município que não tivesse recebido ainda um grande número de pessoas. A cidade escolhida foi Serra Negra do Norte. Na observação do grupo, prevaleceu a cultura do gado e a influência da Igreja Católica. “Visitamos vários pontos da economia local ligados ao gado, como a queijeira – acompanhamos o processo do tradicional queijo manteiga e degustamos”, lembra Lázaro.
A estudante de pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – Campus Caicó, Rita de Cássia Dantas de Oliveira, mora em Serra Negra e foi dela que partiu a sugestão para que o grupo fosse até o município. “Venho participando das trilhas como uma pessoa que admira e valoriza nosso patrimônio tanto cultural e histórico, como natural”, afirma Rita de Cássia.
 “O projeto veio como forma de "mapear" esses potenciais e acaba por incentivar a comunidade a enxergar o contexto à sua volta. Além disso, é uma experiência muito rica tanto para a comunidade, quanto para os estudantes que têm a oportunidade única de conhecer toda a nossa riqueza como também incentivar a sua valorização e preservação”, conclui.
Nesse projeto o aluno vai a campo, descobre e prospecta. Faz tudo isso sozinho, sem a orientação já estabelecida pelos professores, o que ocorre nas aulas de campo comuns. De acordo com a professora Juliana Vieira, coordenadora do curso Guia de Turismo, “esses meninos são o que chamamos de batedores do turismo, mas um turismo diferenciado, interiorano. São aqueles que vão na frente, identificando, descobrindo, deixando para o profissional do turismo que apenas estruture o produto, o que chamamos de ‘turistificar’.”
 “O problema do turismo não é só descobrir um novo caminho, é estruturar esse caminho para receber a demanda turística. Nesse sentido, acredito que a ação empreendedora do grupo Geotrilha é muito interessante, mas também acredito que deva haver uma convergência de ações, juntando vários profissionais que facilitam a atividade turística, como construção civil, o próprio guia de turismo e vários outros profissionais que podem ser encontrados aqui, no próprio IFRN”, comenta a professora Juliana.
O grupo descobre novos roteiros e propõe estruturas para essas localidades. Após a visita ao município, os estudantes, juntamente com alguns professores apoiadores, desenvolvem um relatório sobre aspectos que podem ser melhorados na localidade e enviam para a prefeitura local. “Com essa ajuda que damos aos municípios, esperamos que haja uma melhor distribuição de renda”, declara lázaro.
O princípio de distribuição de renda igualitária é um dos mais fortes do grupo que integra o Geotrilhas. Eles procuram fortalecer os pequenos comerciantes locais, fazendo suas refeições ou dormindo nesses estabelecimentos menos conhecidos, porém, mais regionais, utilizando o máximo de espaços possíveis, por exemplo, almoça em um lugar e janta no outro. Isso é o que a professora Juliana Vieira chama de Turismo de base comunitária: desenvolve o lazer usando todos os recursos da própria comunidade local.
O projeto está vinculado diretamente ao Departamento de Extensão do campus Natal-Central do IFRN, e tem o apoio do Grupo de Escoteiros 64º GEMAN e de algumas prefeituras locais. Porém, aguarda a aprovação de recursos federais para desenvolver outras atividades como geoprocessamento de mapas, campanhas ambientais, qualificação para as pessoas envolvidas no projeto e palestras educativas nos municípios que visitam.
Atualmente, são desenvolvidas algumas campanhas de cunho ambiental, como o “Trilhando o Verde”. Essa campanha visa semear mudas de plantas nativas nos municípios por onde o Geotrilhas passa. Outras atividades do grupo são corrida de aventura, organização de provas de Kart no Kartódromo de Natal, participação de alguns atletas na equipe de remo do Sport Club Natal (Remo Olímpico), e desenvolvimento de atividades com o 64º GEMAN.
Semeando idéias e colhendo, sem dúvida, bons frutos, Lázaro Freire convida, entusiasmado, todas as pessoas a conhecerem as belezas do interior do Rio Grande do Norte: “Conheça o nosso Estado que ele é belo!"

Para quem se interessar em conhecer um pouco mais sobre o Projeto Geotrilhas, acesse: wwwgeotrilhas.blogspot.com. Lá você pode conferir todos os destinos já trilhados e as histórias peculiares a cada um deles, contados pelos próprios participantes.
Os “trilheiros por natureza”, denominação dada aos integrantes do projeto, também disponibilizam no site uma enquete para a votação do próximo município a ser visitado (o que acontece uma vez ao mês), um ranking dos trilheiros mais “viajados”, além de fotos e o nome de todas as campanhas ambientais apoiadas por eles.

 


 













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