segunda-feira, 23 de agosto de 2010

TRILHA DA COSTA BRANCA POTIGUAR: Esp. Porto Ilha - Areia Branca/RN



Localizada na Mesorregião do Oeste Potiguar, mais precisamente na Microrregião de Mossoró, o município de Areia Branca estar a uma distância de 330 Km da capital.  Sua elevação é de três metros com relação ao nível do mar. O município é parte integrante do Pólo Costa Branca, juntamente com os municípios de Caiçara do Norte, São Bento do Norte, Galinhos, São Rafael, Carnaubais, Assu, Tibau, Grossos, Itajá, Areia Branca, Mossoró, Porto do Mangue, Serra do Mel, Macau, Guamaré e Pendências, sendo Areia Branca o único local do mundo onde o sertão encontra-se com o mar. Uma outra característica de Areia Branca é sua forma de ilha, devido sua localização ser entre as fozes dos rios Apodi-Mossoró e do rio Ivipamin, caracterizando um delta.

O litoral areia-branquense já havia recebido a visita de navegantes durante os primeiros anos do descobrimento da América. Segundo alguns historiadores, já havia acontecidos desembarques e explorações pelo rio Apodi no final de 1499. O Tratado Descritivo do Brasil de 1587, produzido por Gabriel Soares, descrevia as belas costas do município de Areia Branca em seus relatos.  Mas a formação do município propriamente dita, só originou-se a partir do estabelecimento de várias famílias de pescadores no ano de 1860, na ilha de Maritaca, nome primitivo do município. A população passou a ter um aumento considerado entre os anos de 1864 a 1870, graças aos foragidos do serviço militar, que escolheram o lugar para fugirem da obrigação de prestarem serviço a pátria durante a Guerra da Tríplice Aliança. Em 1877, vários flagelados invadiram a ilha e devastaram por completo toda a vegetação que era formada por uma espessa mata de imburanas, quixabeiras, espinheiros e outras espécies vegetais, para construção de seus casebres.

Só a partir do ano de 1892 que Areia Branca (a origem do nome vem por causa do branco das suas areias das praias) desmembrou de Mossoró graças a uma Resolução da Junta Governativa, e foi elevado a condição de município. E a posteriore, em 1927, a condição de cidade. 

Quanto aos aspectos geográficos, Areia Branca possui uma formação vegetal rasteira constituída de caatinga hiperxerófila, com uma vegetação de caráter mais seco, e abundância de cactácea e plantas de porte mais baixo e espalhadas, como a jurema-preta, mufumbo, faveleiro, marmeleiro, xique-xique e facheiro; Uma vegetação de restinga, constituída de um depósito arenoso de origem marítima, coberto por uma vegetação herbácea; e vegetação de manguezal, formado pelo sistema ecológico costeiro tropical, dominado por espécies vegetais, em que o mangue e animais típicos aos quais se associam outras plantas e animais, adaptadas a um solo periodicamente inundado pelas marés, com grande variação de salinidade.
Seus solos são de predominância de solos latossolo vermelho amarelo eutrófico, apresentando uma fertilidade média a alta, textura média, fortemente drenado, relevo plano, com uma aptidão agrícola restrita para lavouras e aptas para culturas de ciclo longo comoalgodão arbóreo, sisal, caju  e coco , mas que possui apenas destaque na região pela produção de agave.

Quanto aos aspetos geológicos e geomorfológicos, o município abrange principalmente, terrenos do Grupo Barreiras de Idade Terciária, 30 milhões de anos, caracterizado por arenitos inconsolidados e siltitos com intercalações de argilas variadas, arenitos caulínicos e larteritas, que formam espessos solos arenosos de coloração avermelhada. Na zona costeira, recobrindo o Grupo Barreiras, estão as dunas móveis, depósitos de origem marinha remodelados por ventos. Geologicamente caracterizadas como Depósitos de Praias formados por areias finas a grossas, com níveis de cascalho, associadas às praias atuais e dunas móveis; arenitos e conglomerados com cimento carbonático, definindo cordões de beach rocks.
Na região estuarina estão presentes os aluviões do rio Apodi, geologicamente formando depósitos de planícies e canais de marés, compostos por pelitos arenosos, carbonosos ou carbonáticos. Geomorfológicamente esta área é caracterizada como Planície Flúvio Marinha, área plana resultante da combinação de processos de acumulação fluvial e marinha, geralmente sujeitas a inundações periódicas, com vegetação de mangues, podendo chegar a até 35 km para o interior. São áreas propícias para a extração do sal marinho.
O município possui o sal marinho, gás natural e petróleo como principais ocorrências minerais. Além de cascalho, calhaus de calcedônia, água mineral, turfa, diatomita, argila, calcários cálcicos e magnesianos, rocha ornamental, britas e pedras dimensiona e  gipsita como completos nas ocorrências minerais.
A economia esta ligada diretamente a produção de sal marinho, sendo o município um dos maiores produtores do produto no pais, com o seu parque salineiro dotado de várias salinas mecanizadas, e por ser o local de embarque da maior parte do sal comercializado no Brasil e exterior, graças ao Terminal Salineiro de Areia Branca; o  petróleo, onde se destaca por ser a maior arrecadação de royates em produção terrestre potiguar, a pesca da lagosta, camarão e peixe. Além do crescente alavancamento do setor turístico local, devido aos seus cenários deslumbrantes, com imensas dunas, enormes falésias de terra avermelhada, praias belíssimas, somando um total de 42 Km de litoral, com destaque para as praias de Ponta do Mel, Cristóvão, Redonda, Morro Pintado, São José, Baixa Grande, Upanema, sendo um dos instrumentos mais procurados pelo turismo doméstico graças a boa estrutura de hospedagem, de sua culinária e receptividade do povo da cidade, e ao calendário de eventos anuais, com destaque para a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a padroeira dos marítimos, realizada  de 5 a 15 de agosto. A programação é intensa com novenas e missas, culminando com uma grande procissão marítima e terrestre pelas ruas da cidade. Estamos de portas e janelas abertas para lhe receber.
TERMINAL SALINEIRO DE AREIA BRANCA

A história do Terminal Salineiro de Areia Branca e da Companhia Docas do Rio Grande do Norte é um marco para a história do próprio Estado do Rio Grande do Norte.
No dia 1º de março de 1974 uma ilha artificial, construída de areia e aço, em alto mar, com aproximadamente 15 mil metros quadrados, passou a ser o porto de escoamento de todo o sal produzido no Rio Grande do Norte, realizando sua primeira operação no dia 04 de setembro de 1974. É o Terminal Salineiro de Areia Branca Luiz Fausto de Medeiros, também chamado de Porto Ilha. Na construção desse terminal foram investidos 35 milhões de dólares. Um projeto de engenharia da empresa americana Soros Associates Consulting Engineers, reconhecido internacionalmente que ganhou o primeiro lugar em engenharia marítima e considerado um dos dez melhores projetos em todos os ramos da engenharia. É uma obra pioneira em toda a América Latina.
O Porto Ilha é retangular, mede 92 metros de largura e 166 metros de comprimento. Foi aterrado com material coralíneo tirado da região e coberto com um piso de sal para garantir a pureza do produto armazenado. Após ter sido concluído, passou a ser o  principal ponto de escoamento do sal produzido no Rio Grande do Norte.
O Terminal Salineiro de Areia Branca encerrou o ano de 2005 com uma das melhores marcas da sua história. Foram escoadas 2,3 milhões de toneladas. O índice ganha ainda mais destaque se considerado que durante 25 dias do ano o Porto Ilha esteve completamente paralisado.
Os números do Terminal são um demonstrativo da sua importância para a economia potiguar e brasileira. O sal movimentado no Porto Ilha têm como principais destinos o mercado internacional e as indústrias de cloro brasileiras.
Depois de passar por um amplo serviço de recuperação, o Porto Ilha deverá nos próximos anos alcançar ainda maiores marcas na movimentação de sal. 
GEOTRILHAS/RN EM AREIA BRANCA

Atendendo a um honroso convite da CODERN (Companhia Docas do Rio Grande do Norte), o GEOTRILHAS/RN partiu na tarde do dia 17 de agosto rumo ao município de Areia Branca, localizado na Costa Branca do Rio Grande do Norte. Seguimos pela Br-406, cruzando a região do Mato Grande, até atingir os primeiros municípios da Costa Branca que beiravam a rodovia, tendo de fundo o belíssimo pôr do sol que nos era presenteado naquele momento. 

Falésias de Ponta do Mel
Ao atingimos a entrada de Macau, dobramos a esquerda na RN-118, passando pelo maior “elefante branco” do Rio Grande do Norte: Alcanorte, uma fábrica instalada em Macau há cerca de 30 anos para produzir barrilha, matéria-prima essencial para produtos como vidros e detergentes, mas até hoje inativa. Seguimos adiante até o município de Pendências, onde nos chamava a atenção um imenso deserto de sal que parecia não ter fim beirando a RN-118. Passamos rapidamente pela cidade, de onde seguimos para Alto do Rodrigues, de onde seguimos a noite para a rodovia do Baixo Assú. Uma estrada repleta de oleodutos em ambos os lados, por onde percorre boa parte do petróleo potiguar. Mas adiante, antes de chegar no entroncamento que dar acesso ao Baixo Assú, uma grande construção nos chamava a atenção, não só pelo tamanho, como também a iluminação que parecia uma pequena cidade. Tratava-se da Termoaçu considerada o maior projeto de co-geração de energia elétrica e vapor da América Latina gerando 340 MW utilizando gás natural como combustível. Seguimos pelo Baixo Assú, numa estrada feita pele Petrobrás, cheia de curvas, que cortava uma área de plantio de frutas, até chegarmos na RN-404, em direção a Carnaúbais. 

Ao passamos por pelo município rodando um longo trecho já poder observar, mesmo que a noite, as imensas dunas brancas próximo a Porto do Mangue. Entramos a esquerda, onde encontramos mais dunas, e praias a nossa esquerda, tendo o um farol a nossa frente que nos guiava. Já estávamos em Ponta do Mel, distrito de Areia Branca, de onde já podíamos avistar as luzes do nosso algo da manhã seguinte: O Porto Ilha.

Nascer do sol em alto mar
Seguimos adiante até chegar na BR-110, de onde fomos diretamente para a sede do município. Ao chegarmos na cidade de Areia Branca, seguimos para a praia de Upanema, local da nossa hospedagem. Demos entrada no Hotel Costa do Atlântico por volta das 20h:30, totalizando mais de cinco horas de viagem. Fizemos o registro da chegada, e após devidamente acomodados, fomos jantar no restaurante do hotel. Em seguida passamos um tempinho na praia, até a hora de dormir. Nos recolhemos para aproveitar as poucas horas de sono que nos restava. 

As 04h:00 da manhã a equipe já estava saindo do hotel com destino ao cais de Areia Branca, onde fomos direto para a sede da CODERN, de onde estávamos aguardando a embarcação que nos conduziria ao Porto Ilha. Por volta das 05h:00, partimos juntamente com a equipe de troca do turno, pelo rio Ivipamin, ficando para trás a bela Areia Branca da madrugada, com suas luzes. Sairmos do canal com uma certa dificuldade, pois a maré estava muito baixa e dificultava a navegação da nossa embarcação, que por três oportunidades, quase que encalhava. Ao atingirmos um calado em que a embarcação não teve dificuldades, seguimos para a linha do horizonte, em que a nossa esquerda estava a praia de Upanema, de onde avistávamos o hotel que estávamos hospedados. 

Os primeiros raios solares começaram a avermelhar o céu, quando timidamente o astro rei sai diante do horizonte. Era sem dúvidas uma das mais belas imagens que os componentes do GEOTRILHAS/RN já tinham visto durante todo esse tempo de projeto. O mar estava um pouco agitado, e o vento fazia que algumas marolas encontrassem de frente a embarcação. Mas tudo isso era uma diversão para todos. Cada vez mais o porto fica mais próximo, onde pudemos observar a movimentação das barcaças que chegavam para descarregar o sal. No nosso lado esquerdo, havia um navio que estava carregando sal marinho. 

Pátio de estocagem
Depois de cerca de 2h:30min de viagem, finalmente atracamos no Porto Ilha. Era bastante interessante a estrutura de alvenaria, aço e madeira que formava a base do porto. Subimos pelo elevador, até sermos abordados pela Polícia Portuária que vinha conferir os nossos dados. Fomos recebidos pelo engenheiro do turno, que nos encaminhou ao chefe dos eletricistas – George – que iria nos conduzir pelas instalações do Porto Ilha. Tratamos logo de colocar os capacetes de segurança, e fomos conhecer o porto. George nos levou a parte de descarga do sal das barcaças, onde uma já estava em processo de finalização de descarga. O chefe dos eletricistas nos mostrou a área de ampliação do porto, que atualmente comporta duas barcaças pequenas e que com a ampliação conseguirá receber duas barcaças grandes. Em seguida fomos para o pátio de estocagem, onde todo o sal é estocado, enviado por uma esteira aos navios que atracam. Esta área também será ampliada a sua capacidade, passando de 100 mil toneladas para 150 mil. Com isso, a produção salineiro potiguar e brasileira, poderá concorrer de forma igualitária com o sal chileno.

Porto Ilha
Em seguida fomos conhecer as instalações internas, em que foi nos mostrado todo aparato de geração de energia, que sustenta às 24 horas por dia de funcionamento do Porto Ilha. Foi durante esta oportunidade, que nos foi revelado o segredo a conservação do porto. Ora: se uma imensa estrutura de aço esta erguida em meio oceano, e além disso, é um local de armazenamento de sal, por que será que ela não enferrujar? O segredo esta numa compensação elétrica, onde os catodos são direcionados por um aterramento, a um único ponto. Associa-se a isto, vários anodos de sacrifício, localizados abaixo da linha d’água, fixados nas estacas de aço. Seguimos com a visita até a passarela de 500 metros de comprimento, por onde passa a esteira que leva o sal para os porões dos navios. Uma estrutura que dava para observarmos o mar por baixo dos nossos pés, e que tinha uma linda vista para Porto do Mangue, e a praia de Ponta do Mel ao fundo. O navio que estava atracado recebendo o sal, e tinha capacidade para 35 toneladas, e estava na finalização do embarque do sal. Regressamos de volta para área de operações, onde acompanhamos ainda o início da operação de descarga de outra barcaça que havia chegado há pouco tempo. Os guindastes que retiravam o sal nos proporcionou um verdadeiro banho de sal grosso, par nos livrar de todo o mau olhado.

Graça realizando o plantio da muda
Nos despedirmos do George, e após a foto de registro do grupo, embarcamos novamente ao continente, em mais 2h:30 de barco. Ao chegarmos próximo a costa, agora com dia claro, foi possível ver as belas praias de Areia Branca, onde o sertão se encontra com o mar. A imensidão do branco das salinas, também era bastante perfectível durante a nossa chegada, com várias montanhas de sal. Desembarcamos no cais da CODERN, e seguimos novamente para o hotel Costa do Atlântico, onde realizamos o plantio de mais uma muda de sábia, pela “Campanha Trilhando o Verde”. Desta vez a missão ficou a cargo de Graça Cordeiro, que fazia sua estréia nas viagens do projeto GEOTRILHAS/RN. Após o plantio, exatamente às 10h:45 retornamos a Natal, levando consigo várias lembranças desta oportunidade para pouco, e apreciando as belezas das paisagens de Pontal do Mel,  que a noite nos tinha tirado.




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