quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

TRILHA ECO-CULTURAL DE RIO TINTO/PB


FIQUE POR DENTRO DE RIO TINTO
O município de Rio Tinto esta localizado na Messoregião da Mata Paraibana, onde esta inserido dentro da Microrregião Litoral Norte, estando a uma distância de 52 Km da capital paraibana João Pessoa e a 136 Km de Natal/RN.

Dentre suas características geográficas, Rio Tinto possui um relevo de 10 metros acima do nível do mar, Clima Tropical típico no litoral nordestino, o que dá uma média anual de 25°C de temperatura. Sua vegetação é do tipo Litorânea caracterizada pela presença de mangues, tabuleiros, vegetação rasteira e arbusto e matas de restinga, além da presença de “ilhas” de forma isolada no centro e arredores da cidade, de Mata Atlântica, inclusive com a incidência de alguns animais como o bicho preguiça. Seus principais rios são o rio Mamanguape, rio do Gelo e rio Tinto. 

A ocupação das terras de Rio Tinto acontece mesmo antes do descobrimento do Brasil, com a presença do povo indígena Potiguara, resumidas hoje a quatro aldeias (Silva do Belém, Jacaré de São Domingos, Vila Monte Mor e Jaraguá), que representa cerca de 10% da população do município. Porém ainda com o território pertencente ao município de Mamanguape, a atual a cidade teve início no ano de 1917, com a compra das terras do fazendeiro Alberto de Albuquerque pelo comerciante e industrial sueco naturalizado brasileiro Herman Teodoro Lundgren e seus filhos Frederico João Lundgren e demais irmãos 601 Km² de terras que englobavam tribos potiguaras, pequenos fazendeiros e posseiros, onde seria construída a Companhia de Tecidos Rio Tinto, o que se tornaria na verdade uma cololnzação por parte de famílias alemãs que viriam a trabalhar na indústria e constituindo a única colônia germânica acima do Centro-Sul do Brasil no século XX.

Em 1918 são iniciadas as obras de construção da cidade e da fabrica com o desmatamento, drenagem, aterros em áreas de manguezal e a plantação de centenas de eucaliptos, responsáveis pela drenagem do solo alagado da região, devido à presença dos rios próximos. Neste mesmo período, navios começam a trazer da Europa, via Cabedelo, as primeiras máquinas para o fabrico de tecidos, que seriam levadas para Rio Tinto por um atracadouro no rio Mamanguape pelos barcos da própria companhia.

As antigas palhoças começara, a ser substituída até o ano de 1948 pelas primeiras casas de alvenaria construídas com o tijolo vermelho em estilo aparentes, produzido exclusivamente na própria cidade que levava o nome na companhia, e que até hoje caracteriza a maioria das construções remetentes aquela época na cidade. A escolha do estilo arquitetônico empregado em Rio Tinto, se deu a influência de Herman Teodoro Lundgren, que queria dar a cidade uma aparência semelhante a sua terra natal a Suécia, porém em outros pontos de Rio Tinto, como a Vila Regina, distante 2 Km da cidade, encontramos uma predominância do estilo inglês das construções de Manchester, trazidas pelos alemães. Da mesma forma, a fábrica foi construída com os mesmos tijolos, em que devido a sua complexidade, vários operários e técnicos vindos da Áustria, Inglaterra, Japão e Suíça, revezavam-se no canteiro de obras nos dois turnos, tendo as obras e instalações de equipamentos finalizadas em definitivo no ano de 1941, porém as atividades de produção tiveram inicio em 1924, o que junto com a Companhia de Tecido Paulista (atual Casas Pernambuncas), localizada no estado de Pernambuco, e pertencente ao Grupo Lundgren, se tornava o maior centro de tecelagem da América Latina, com uma oferta de 12.000 empregos direto. 

Em 1933, a fábrica recebe a visita do então Presidente da República Getúlio Vargas e consegue um contrato para produzir fazendas de algodão mescla azul e brim branco para a Marinha de Guerra do Brasil.

Quanto ao restante dos principais prédios da cidade como barracão, vilas residenciais, chalés, delegacia, hospital, farmácia, escola, clube, cinema e padaria, estes foram finalizadas em 1941, constituindo um território a parte da Paraíba, não só pela arquitetura, e pela presença das 80 famílias alemãs que vieram para trabalhar nos cargos técnico e de direção da produção de tecidos na fábrica, mas também pelo fato de que durante o mandato de Camilo de Holanda (1916-1920), então governador da Paraíba, a Companhia Rio Tinto recebeu uma isenção de impostos estaduais pelo período de vinte e cinco anos, e em contra-partida o empreendimento dos Lundgren deveria prover os serviços básicos de saúde, educação e segurança. A soma de todos este fatores deu a Rio Tinto o titulo de a cidade mais européia do estado.

Devido aos conflitos resultantes da Segunda Guerra Mundial, em 18 de agosto de 1945, cerca de dois mil operários brasileiros da fábrica de tecidos invadiram os chalés dos alemães e o Palacete Lundgren, quebrando e saqueando tudo e exigindo que os estrangeiros fossem expulsos do país, em retaliação do ataque sofrido pelos navios da Marinha Mercante do Brasil por submarinos alemães. Fato que gerou a entrada no país no flanco de batalha. Meses depois, com a situação mais estabilizada, a Companhia de Tecidos Rio Tinto acionou judicialmente o Estado em busca da indezinação dos prejuízos, a qual nunca foi obtida. Os alemães, enquanto isso, lá permaneceram para insatisfação dos locais. Porém, com o passar dos anos, os alemães se integraram à cultura local, casando-se com paraibanos e deixando como herança os traços em seus descendentes.

Em 1957 o município é emancipado de Mamanguape e tem como seu primeiro prefeito Artur Lundren.

No início da década de 1960, a Companhia de Tecidos Rio Tinto consegue atingir o seu apogeu na produção e comercialização de tecidos,exportando parte de de sua produção para Europa e Estados Unidos. O que fez a arrecadação tributária de Rio Tinto ser considerada uma das maiores das cidades do Nordeste. 

Em 1963, Rio Tinto elegeu mais um ex-operário da fábrica para administrar o município, o torneiro mecânico Antonio Fernandes de Andrade, elege-se prefeito municipal contra os interesses dos antigos patrões. Com a perda do poder político, os Lundgren mostram-se desestimulados, ocasionado uma decadência do império têxtil no município, em que resultou numa falência não oficial a empresa, gerando a migração dos alemães para João Pessoa e outras cidades do Nordeste. Já o seu patrimônio imobiliário como os galpões, o palacete, marcenarias e oficinas de manutenção, que hoje não são administrados pela ação do tempo, são hoje administrados por um pequeno escritório local, que é responsável pelo do recebimento do aluguel de 80% das casas de Rio Tinto, gerando uma renda de R$ 250 mil.

Durante todo o período da construção e funcionamento da Companhia, até as primeiras décadas do pós-guerra, muitas curiosidades foram geradas devido às especulações da guerra. As mais interessantes são a respeito dos costumes do alemães, que eram totalmente diferentes dos nativos, em que os imigrantes tinham o hábito de se reunirem semanalmente no Tênis Clube local, em reuniões privadas, o que gerava não só uma discriminação por parte dos brasileiros, como também grande desconfiança em tempos de guerra. A outra seria ligada ao Palacete Lundgren, situado na Vila Regina, em que tinha sido construído para hospedar Frederico Lundgren durante as suas visitas a Rio Tinto, mas que na verdade seria com o objetivo de receber Adolf Hitler quando este viesse ao Brasil como vitorioso da guerra, o que teria contribuído para que a 7ª Região Militar agilizasse a construção do Tiro de Guerra 07-001. Uma instituição militar do Exército Brasileiro encarregada de formar reservistas para o exército. Porém esta última possibilidade é totalmente descartada de modo que a fundação do Tiro de Guerra local foi em 1976.

PRINCIPAIS PONTOS TURÍSTICOS
·         Aldéia Indígena Jaraguá
·         Centro Histórico
·         Cine Teatro Orion
·         Companhia de Tecidos Rio Tinto
·         Gruta Nossa Senhora de Lourdes
·         Palacete Lundgren
·         Praia de Campina
·         Praia de Barra de Miriri
·         Praia do Oiteiro
·         Praia de Barra de Mamanguape
·         Projeto Peixe-Boi
·         Rio de Gelo
·         Tiro de Guerra

GEOTRILHAS/RN EM RIO TINTO/PB

A viagem ao município de Rio Tinto ocorreu nos dias 27 e 28 de  agosto e contou com uma participação de seis geotrilheiros que seguiram rumo a dois dias de atividades que envolviam história, cultura e tradições indígenas além de Educação Ambiental.  Ao chegarmos por volta das 07h:30 em território riotintense, já foi possível perceber como a cidade se diferenciava das outras do estado da Paraíba. Logo na entrada, a arquitetura nos chamava a atenção devido aos traços do estilo europeu nas primeiras edificações construídas na época do apogeu da Companhia de Tecidos Rio Tinto. 

Seguimos com destino a Pousada Casa Grande, onde nos hospedamos e tomamos um café da manhã. No momento da chegada na pousada, já se encontrava no local o secretário municipal de turismo, Sr. Pedro Neto, que fez questão de recepcionar o grupo, demonstrando que o município de Rio Tinto tem uma grande preocupação dos os turisticas que recebe. O que deu bastante confiança ao grupo em termos de que o município de muito a oferecer as pessoas que o procuram. Em seguinda, chegou a pousada o nosso guia. O ambientalista Marcos, que deixou São Paulo para morara em Rio Tinto após ter conhecido o local por quem sem apaixonou, e agora faz um importante trabalho de ecoturismo na região.

Feita as devidas apresentações, o grupo partiu com destino a aldeia Camurupim, situada no município vizinho de Marcação, de onde seguimos em uma tramataia (uma espécie de barco) para o Projeto Peixe Boi, mas antes de chegarmos ao local, o grupo contemplou a linda paisagem praiana composta por mangues, arrecifes e as casas de veraneio isoladas na areia da praia. Após cerca de trinta minutos de navegação, chegamos finalmente a base do projeto, onde fomos recepcionados pelos voluntários que fazem o trabalho de monitoração dos animais na área de Rio Tinto e demais municípios ao seu redor. 

De lá fomos levados por canoas a beira-mar até o local onde são tratados os peixes bois que sofreram alguma agressão do homem, antes de serem devolvidos ao seu habitat natural. Na oportunidade, estavam no local três animais que passavam por tratamento veterinário, que ai perceberem a presença do grupo, se exibiam no tanque de tratamento. Em seguida regressamos a base para uma rápida visita ao museu marinho mantido pelo projeto, em que foi possível conferirmos alguns esqueletos de peixe-boi, golfinhos e tartarugas marinhas, além de um número considerado de material literário disponível para consulta. Ainda deu tempo do grupo assistir ao vídeo institucional sobre o trabalho realizado pelo Projeto Peixe Boi no Nordeste.

De volta à aldeia, o grupo foi servido com um almoço a base de frutos do mar com peixes, camarão, caranguejo, aratú, marisco e mexilhão, que são pescado na própria região num ambiente que lembrava uma típica oca indígena com piso de conchas marinhas. 

Após o término do almoço seguimos de volta para a Rio Tinto, onde realizamos um city tour para conhecer a cidade erguida com a influência da família Lundgren. O primeiro ponto visitado foi a Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia, que chamava a atenção pelo seu tamanho e beleza da construção de tijolos aparentes, lembrando um típico templo religioso do Oeste Europeu. Ao redor da igreja, estava a praça João Pessoa dividida em duas partes tendo na rua central a estátua do fundador Frederico João Lundgren.   

Nas duas praças encontramos enormes árvores que possuíam habitantes bastante incomuns. Tratava-se de uma família de bichos-preguiça que insistiram em fica na cidade mesmo após o intenso desmatamento para a construção da cidade. Ainda em volta da praça estava situado os vários chalés destinados aos trabalhadores vindos da Alemanha para trabalharem na fábrica. Mais adiante chegamos à antiga Companhia de Tecidos Rio Tinto, hoje um Campus da Universidade Federal da Paraíba, onde encontramos um velho maquinário e uma “Maria Fumaça”. Esta última, segundo o nosso guia, fazia uma linha exclusiva para a família Lugndre do seu palacete até as instalações da fábrica. No caminho para a pousada, ainda passamos pelo antigo Cine Teatro Orion, a sede atual do Banco do Brasil e a Cadeia Pública, que seguem os mesmos padrões arquitetônicos das demais construções ligadas a companhia. 

Por volta das 19h:00, já na pousada, foi servido o jantar que finalizou o primeiro dia de atividades no município.

O segundo dia em Rio Tinto começou após o café da manhã com uma trilha ecológica com inicio no Centro Histórico, passando pela aldeia urbana de Monte-Mor, até chegar no manancial conhecido como rio de Gelo, que faz jus realmente ao nome devido a baixa temperatura de suas águas. Neste momento, o grupo tirou o restante da manhã para se deleitar de um gostoso banho em suas águas.


Após o regresso para a pousada o grupo almoçou e logo em seguida partimos pra uma nova trilha até a aldeia Jaraguá, passando por uma área de mata, tendo ao fundo a cidade de Rio Tinto. O trajeto possuiu alguns riachos e passa por uma área de pequenas propriedades, antes de chegarmos em definitivo na aldeia. No local, fomos recebidos pelo pajé Sandro, que contou um pouco da história do lugar e mostrou o seu artesanato que retrata a tradição dos índios Potiguaras. Sandro ainda realiza um trabalha bastante interessante na comunidade, em que dar aulas de artesanato para as crianças do local, para que a tradição seja garantida por muito mais tempo. 

Da aldeia, partimos alguns metros a frete onde um enorme muro chamava a nossa atenção. Era o Palacete da família Lundgren, onde tivemos a oportunidade de entra na propriedade para conhecê-lo. O velho casarão em processo de degradação apresenta em todos os seus ambiente o requinte dos casarões das tradicionais famílias européias, com imensas salas, quartos  e até mesmo um pequeno teatro no interior da casa, onde artistas faziam apresentações exclusivas para os Lundrengs. Uma outra curiosidade do palacete era uma piscina com aquecimento em seu interior, onde abaixo era uma espécie de forno em que os empregados colocavam lenha para alimentar o fogo e aquecer a água. Um fato interessante era a presença de um quartel militar nas proximidades do palacete, o que gerou uma suspeita de se tratar de Segurança Nacional devido à influência alemã. 

Depois da visita ao palacete, seguimos até a gruta de Nossa Senhora de Lourdes que representava a religiosidade do lugar, em seguida partimos até a aldeia de São Domingos para um pequeno passeio de barco pelo porto, onde os nativos saem com suas embarcações para provirem seu sustento da pesca. 

Com o término do passeio, seguimos de volta para a pousada, em que nos despedimos do Marcos e regressamos para Natal, levando consigo muitas histórias sobre as tradições indígenas, e principalmente dos mistérios atribuídos a presença alemã no município. Rio Tinto em sem dúvida, um excelente lugar para quem procura opções de ecoturismo, ou apenas, tem curiosidade em saber das peculiaridades desta misteriosa cidade.        

CONFIRA O VÍDEO DA TRILHA 

Raio-X

Nível de Dificuldade – Ótima
Localização da Trilha – Ótima
Disponibilidade de Socorro Médico – Bom
Apoio Logístico - Bom

Recomendações necessárias para trilhar
- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Levar repelente contra insetos;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor.

Onder comer
Restaurante Casa Grande
Fone: (83) 3291-1138 -  Gilmarcos
 
Onder ficar
Pousada Casa Grande
Fone: (83) 3291-1138 -  Gilmarcos

Contatos para realização de trilha
Marcos Sukitur
Fone: (83) 8891-7686

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