quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

TRILHA RURAL DE DONA INÊS/PB


FIQUE POR DENTRO DE DONA INÊS/PB

Localizado na microrregião do Curimataú Paraíbano, o município de Dona Inês esta distante cerca de 160 Km de João Pessoa/PB e a 150 Km de Natal/RN encravado em meio a serra de mesmo nome com 527 metros aferidos em seu ponto mais alto, o que dar ao lugar uma temperatura em torno de 14 graus nos meses mais frios do ano(maio a julho).


Geograficamente, o município de Dona Inês está inserido dentro de uma região caracterizada por um clima tropical de altitude com ventos cortantes durante a noite, que sopram em meio aos penhascos rochosos de cercam o município. Uma outra característica do revelo local é a presença de um grande lajedo ao lado da cidade onde são retiradas toneladas de rocha para a fabricação de paralelepípedos e brita, o que dar uma visão bastante impactante do local. De forma totalmente avessa ambientalmente, está o lajedo conhecido como Pedra do Bico, que encantam os visitante. 

A hidrografia do lugar tem como principais representantes os rios Curimataú e Salgadinho e o riacho da Vaca Morta, que compõem a bacia hidrográfica do rio Curimataú. Já as águas subterrâneas são compostas de 90% de águas salobras, o que faz de Dona Inês uma grande dependente das águas da chuva, representada pelo número de cisternas existentes na zona rural. 

Sua vegetação é típica de caatinga hipoxerófila com presença de áreas de floresta caducifólia, com queda das folhas no inverno e recomposição na primavera após as primeiras chuvas. Um dos destaques a Dona Inês é a Mata do Seró formada por árvores típicas de Mata Atlântica e de fruteiras que resistiram ao desmatamento para o exercício da agricultura e pecuária na região, o que acarretou enorme prejuízo ao solo, que perdeu gradualmente a sua fertilidade. Porém, a Mata do Seró abriga as nascentes de pequenos riachos que formam a cachoeira do Letreiro, Queda do Barrocão e o Salto do Seró.

Quanto a sua história, Dona Inês tem como primeiros registros de povoamento em suas terras em 1800, quando alguns vaqueiros em busca de reses encontraram uma mulher branca de nome Inês, acompanhada de um negro, acampada ao pé do enorme lajedo onde existe até hoje um pequeno açude de nome Cajueiro. Ela se disse filha de Dono de Engenho e que estava fugindo por não ter o seu amor pelo companheiro, o negro, aceito e reconhecido. Essa mulher dita como fina e bonita nunca mais foi vista, mas a sua passagem não foi jamais esquecida, vindo a dar nome ao lugar. Porém, a presença humana no lugar tenha ocorrido bem antes, devido a presença de figuras rupestres retratadas na Pedra do Letreiro, que estariam atribuídas aos índios Potiguaras.

Os primeiros habitantes que se tem notícia, os nomes, na cidade: os senhores José Paulino da Costa, Pedro Teodoro da Silva e Pedro José Teixeira, trouxeram para cá suas famílias e batizaram o lugar como “Serra de Dona Inês”, dando ouvidos à história que corria de boca-em-boca. Mas tem-se conhecimento de outras famílias na Zona Rural bastante antigas, como os Ferreira e os Gomes, no Sítio Queimadas.

Em termos oficiais, o primeiro registro é datado de 1852 tendo a fachada da Igreja Matriz como prova do núcleo da vila existente naquela época, fruto que veio a ser emancipado por volta de 1959.

PONTOS TURÍSTICOS

  • Assentamento Tanques

  • Cachoeira do Letreiro

  • Cachoeira do Seró

  • Comunidade Quilombola Cruz da Menina

  • Igreja Mãe 

  • Inscrições Rupestres 

  • Lagoa da Serra 

  • Marmitas do Lajedo Preto

  • Mata do Seró

  • Pedra Lavrada

  • Trilha da Pesqueira  

  • Trilha do Aboiador
GEOTRILHAS/RN EM DONA INÊS/PB
Grupo Geotrilhas/RN na chegada ao Assentamento Tanques
A visita ao município de Dona Inês ocorreu nos dias 18 e 19 de junho, em pleno período junino, em que tivemos a nossa primeira experiência com turismo rural. Na oportunidade, quinze geotrilheiros participaram desta atividade inédita não só para nós, como também para os assentados do Assentamento Tanques, que recebiam naquela ocasião seus primeiros turistas na alternativa de complementação de suas rendas por meio do turismo.


Ao chegarmos acompanhados pelo nosso guia Cristiano Lourenço ao assentamento fomos recebidos pelo presidente da associação dos moradores, o Sr. Nilton Gomes, que nos conduziu até o interior da antiga casa grande da fazenda que foi desapropriada e transformada em pousada rural. O local é bastante simples, mas muito aconchegante devido ao próprio carinho das pessoas que ali trabalham. Após devidamente hospedados, caminhamos pelo assentamento para conhecermos suas instalações de criação de tilápia e cultivo de hortas. Já era por volta do meio-dia quando nos dirigimos para o Bar do Peixe, a beira do açude Tanques, onde foi servido um delicioso almoço com produtos produzidos ali mesmo no assentamento. 

Logo após o termino do almoço, seguimos para a pousada onde um micro-ônibus nos aguardava para conduzirmos até o ponto de início da trilha da Pedra do Letreiro. Ao chegarmos a uma região repleta de pequenas propriedades de agricultura familiar, seguimos por uma trilha cheia de porteiras até atingirmos o leito do rio Curimataú, onde escalando rio acima, finalmente chegamos a rocha que registrava os antepassados indígenas da região. 

Depois de algumas fotos, descemos o rio onde haviam pequenas cachoeiras. Passamos ainda por um trecho pantanoso até finalmente encontrarmos a cachoeira do Letreiro, onde o grupo pode tomar um gostoso banho gelado antes de seguirmos de volta para o assentamento. Passamos ainda por uma pequena casa-de-farinha aos moldes artesanais, em que o proprietário nos fez questão de informar quanto ao processo de produção da farinha de mandioca. Mais a frente chegamos a um lugar conhecido como “Marmitas de Dona Inês”. Uma formação de lajedos negros que nos lembrava um formato de panelas, devido ao constante processo das intempéries do tempo, que vão acumulando água no fundo das formações. Caminhamos mais 4 Km, curtido o frio das serras no final da tarde, tendo um lindo pôr do sol por trás das serras  até chegarmos ao nosso transporte, que nos levaria novamente ao assentamento por volta das 18h:00 para higienização pessoal e preparativos para o jantar.

Por volta das 19h:00 nos dirigirmos novamente ao Bar do Peixe para o jantar, que tinha na mesa uma típica janta a moda do interior, com cuscuz, macaxeira, batata, tilápia, galinha caipira e de quebra comidas de milho em alusão aos festejos juninos. Durante o jantar, o grupo foi recebido pelo Secretário Municipal de Cultura e Meio Ambiente, o Sr. Mariano Ferreira, que com versos improvisados deu as boas vindas ao grupo.

Ao retornarmos para a pousada, já estavam a nossa espera para animar o arraia do Geotrilhas/RN o Trio Paraibano, que após o aboio do vaqueiro Nilton Gomes animou a noite no assentamento com muito forró pé-de-serra fechando o primeiro dia de atividades do Geotrilhas/RN em Dona Inês/PB.

Na manhã seguinte, já nas primeiras horas o vaqueiro Nilton Gomes acordou o grupo com mais um aboio que anunciava o início do café-da-manhã. Com uma vasta variedade de comidas típicas da roça, o nosso café foi bastante reforçado para dar sustância ao grupo no restante do dia, que prometia ser bastante puxado. Enquanto esperávamos o transporte, ainda deu tempo de uma curta cavalgada aos redores da pousada. 

Quando o micro-ônibus chegou ao assentamento, tratamos logo de embarcar com destino ao centro de Dona Inês para adquirir suprimentos para a caminhada. 

Em seguida fomos até a comunidade quilombola da Cruz da menina, onde conhecemos o artesanato local em barro e fizemos uma pequena trilha até a capelinha em homenagem a menina que deu origem ao nome da comunidade. Segundo os relatos dos moradores, a origem se deu devido a uma menina filha de escravos, após uma longa caminhada parou numa fazenda e pediu água a suposta proprietária da fazenda, em que esta a negou e após mais algum tempo de caminhada a menina veio a tombar morta no local que hoje encontra-se a capelinha e um olheiro d’água que nunca seca.

Seguimos novamente para o transporte que nos conduziu, ao lado da cavalgada ecológica que estava sendo realizada naquela oportunidade, até o sítio pimenta, onde nos encontramos com o guia Antônio, que juntamente com o Cristiano, veio somar ao grupo para nos conduzir até a pesqueira - uma localidade repleta de vegetação nativa onde o rio Curimataú recorta o revelo. 

Ao chegarmos no local, nos refrescamos nas águas do rio em que devido ao volume d’água era possível até fazermos uma espécie de skibunda.

Regressamos ao alto da serra, passando por algumas propriedades rurais, onde o grupo surpreendentemente ao passar por um pequeno sítio, foi convidado pelos moradores para participarem do “chá de papeiro” em comemoração ao nascimento do novo membro da família que chegava na oportunidade. 

Depois de prestigiarmos a reunião, agradecemos a acolhida e seguimos até a capela de São João Batista, já no sítio Pimenta, onde encontramos os registros dos constantes conflitos agrários que antecederam a posse definitiva da terra pelos moradores. Os registro estão em tabuas fixadas na altar da capelinha. 

Logo em seguida, após conhecermos sobre a história da localidade, e de conferir a apresentação do Grupo de Pífanos Pimenta Malagueta formado por crianças de Dona Inês, seguimos por mais 10 Km por dentro de propriedades rurais até chegarmos a Mata do Seró, em que ao chegarmos a animação foi tamanha com mais um show de forró pé-de-serra com o Juradi do Forró, e um almoço programado para o grupo dentro da mata. 

Após o almoço, já por volta das 16h:00, retornamos para o assentamento, chegando na escuridão da noite, onde a família de Nilton Gomes nos aguardava com um café de despedida e mais aboios do grande vaqueiro.

Nos despedimos do Assentamento Tanques e do município de Dona Inês com uma impressão que não tínhamos encontrado em nenhum outro lugar por onde passamos nestes três anos de atividades do Geotrilhas/RN. O acolhimento sincero das pessoas do campo, que fazem de tudo para fazer com que suas visitas se sintam em casa. Numa forma de integração constante com suas famílias. 

Parabéns aos moradores de Dona Inês e em especial a turma do Assentamento Tanques e aos grandes amigos Nilton Gomes, Cristiano Lourenço e Mariano Ferreira pelo trabalho desenvolvido nesta perspectiva de turismo eco e socialmente responsável que envolve toda a comunidade e colabora para o desenvolvimento de uma economia solidária. 

CONFIRA O VÍDEO DA TRILHA

Raio-X

Nível de Dificuldade – Médio
Localização da Trilha – Bom

Disponibilidade de Socorro Médico – Bom

Apoio Logístico - Ótimo
Recomendações necessárias para trilhar
- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Levar repelente contra insetos;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores do Parque;
- Evita incêndios, apagando cigarros e charutos antes de descartá-los;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor.

Onder comer
Bar do Peixe
Fone: (83) 8122-4022 ou (83) 8132-6025 -  Geraldo
Onder ficar
Pousada Tanques
Fone: (83) 8104-4914 - Nilton Gomes

Contatos para realização de trilha

Fone: (83) 8132-8082 - Cristiano Lourenço

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