quarta-feira, 27 de junho de 2012

FOME CONTINUA AMEAÇANDO O MUNDO


Por José Eduardo Mendonça

Imagem: MIAT
Enquanto líderes de mais de 130 nações se encontram na conferência Rio+20, um novo estudo mostra como a mudança do clima irá exacerbar uma questão importante: a fome.

O número de mulheres e crianças subnutridas pode aumentar 20 por cento e atingir uma em cada cinco dentro de uma década por causa do impacto da mudança do clima sobre a produção de alimentos, de acordo com análise da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros grupos. Hoje, uma em casa sete de 495 milhões de mulheres e crianças com menos de cinco anos não tem comida suficiente, diz o relatório, acrescentando que o crescimento populacional vai piorar o problema.

Junto com pobreza, escassez de energia e destruição de florestas tropicais, a fome é uma questão prioritária na Rio+20. A análise da OMS mostra que das 495 milhões de mulheres e crianças de menos de cinco anos de idade que são subnutridas, 150 milhões vivem na África, 315 milhões na Ásia e 30 milhões na América Latina e Caribe. Ela estima que cerca de 465 milhões de pessoas a mais estarão vivendo em países em desenvolvimento em 2020, forçando a demanda por alimentos.

“A subnutrição é determinante da má saúde e são as mulheres e crianças que mais sofrem,” disse Julio Frenk, diretor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard. “A subnutrição materna pode continuar ns filhos, estendendo o ciclo a pelo menos três gerações.”

O relatório diz que a mudança do clima também irá afetar os preços de alimentos. Citando dados do Banco Mundial, ele diz que estes preços subiram 8 por cento no primeiro trimestre de 2012, parcialmente como consequência do frio extremo na Europa, que afetou a colheita de trigo, e o calor excessivo na América do Sul, que diminuiu a produção de açúcar, milho e soja.

Outro relatório, publicado ontem no Energy and Environmental Science, sugere diversas soluções para a mudança do clima e a escassez alimentar: eficiência agrícola, reciclagem de resíduos alimentares e mais baixo consumo de carne. Estas mudanças poderiam reduzir a quantidade de terra necessária para o plantio, apesar do crescimento populacional, e deixar terra suficiente para a produção de bioenergia, de acordo com o estudo da Universidade de Exeter, na Inglaterra, segundo a WLTX.

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