domingo, 10 de fevereiro de 2013

EXPEDIÇÃO GEOTRILHAS/RN NA ESTRADA REAL - 1º Dia (Ouro Preto - Catas Altas/MG)



1º Dia
A tão esperada Expedição Geotrilhas/RN na Estrada Real ocorreu no período de 17 a 25 de novembro, em que, numa parceria com a agência mineira de ecoturismo Primotur, cinco geotrilheiros, mais uma convidada, partiram para encarar a famosa Estrada Real, partindo de Ouro Preto com destino a Mariana. Fazendo o caminho inverso.

Segundo o site Infoescola, a Estrada Real  é um dos maiores circuitos turísticos  do Brasil. Com cerca de 1600km, a Estrada começou a ser construída no século XVII para ligar a região do litoral carioca às regiões produtoras de ouro do interior de Minas Gerais.

No século XVIII a necessidade de um caminho mais seguro e rápido até o porto fez com que a Coroa ordenasse a construção de uma outra rota que ficou conhecida como “caminho novo”. À estrada antiga ficou o nome de “caminho velho”. O caminho novo foi feito por Garcia Rodrigues Paes, filho do famoso bandeirante Fernão Dias Paes (que hoje dá nome à rodovia que liga São Paulo à Belo Horizonte e Vitória), que levou 7 anos (1968-1705) para terminá-lo. Em 1725, Bernardo Soares de Proença terminou uma trilha paralela ao, agora conhecido, “Caminho do Ouro”, porque era por ele que o metal era escoado para Portugal.

Mais tarde, quando foi feita a descoberta de pedras preciosas na região do Serro, o caminho foi estendido até lá, e Ouro Preto, então capital de Minas Gerais, passou a ser o local de convergência da Estrada Real. O caminho até o distrito diamantino ficou conhecido como “Caminho dos Diamantes”.

Fazem parte do circuito Estrada Real as cidades: Mariana, Catas Altas, Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes, Santa Bárbara, Morro do Pilar, Conceição do Mato Dentro, Serro, Cocais, Carrancas, Conselheiro Lafeiete, São João Del rei, e muitas outras cidades que guardam ainda um pouco da história do Brasil. Ao todo são 177 cidades no entorno da Estrada Real, sendo 162 em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo.

No início a Estrada ligava Ouro Preto (na época, Vila Rico do Ouro Preto), em Minas Gerais ao Porto de Paraty, no Rio de Janeiro. O caminho era usado para transportar o ouro e demais carregamentos da cidade mineira até o porto e, ao longo do caminho, foram sendo fundadas vilas e diversos pontos de parada para os tropeiros, bandeirantes, mineradores e outros viajantes que faziam o percurso da Estrada Real. Na época, seu percurso levava 60 dias para ser feito devido às dificuldades de percurso na estrada de terra que atravessa a Serra da Mantiqueira e da distância. Este caminho estendia-se por localidades como Caeté e Sabará também, recebendo por isso o nome de “Caminho do Sabarabuçu”.

O caminho escolhido pelo grupo foi o Caminho dos Diamantes, que segundo o site do Instituto Estrada Real, passou a ter grande importância a partir de 1729, quando as pedras preciosas de Diamantina ganharam destaque nas economias brasileira e portuguesa. Além da história de seus municípios, da cultura latente e da gastronomia típica, o Caminho dos Diamantes destaca-se pela beleza natural.

Atrativos que somam aventura, natureza, história e cultura dão o tom das viagens pelo Caminho dos Diamantes da Estrada Real.  O viajante percorre cerca de 395 quilômetros divididos em 18 planilhas na companhia da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço e de suas paisagens exuberantes.

Para quem percorre o caminho dos Diamantes no sentido Diamantina – Ouro Preto  178,3 Km serão entre subidas curtas e longas, sendo uma das mais longas é a do trecho entre Itapanhoacanga a Santo Antônio do Norte, mas como um todo o nível de exigência física é menor.  Boa parte dos percursos existe poucas opções com áreas sombreadas, principalmente entre Diamantina a Bom Jesus do Amparo.

Para quem percorre no sentido Ouro Preto - Diamantina dos 395 km 173,3 Km oscila entre subidas curtas e longas, sendo uma das mais longas é entre Santo Antônio do Norte a Itapanhoacanga  e Serro a Diamantina, mas como um todo o nível de exigência é maior física é maior.

Normalmente os viajantes gastam em média 7 dias para percorrer de bicicleta e 20 dias a pé, mas isso varia com o tom que o turista que dar para a sua viagem. Dos 395 quilômetros 26 % estão asfaltados(105,9 km), e 0,5 % de trilha(2 km). Os outros 73,5% é de estrada de terra (289 km).
 
O primeiro dia de nossa expedição teve início na manhã de sábado (17/11), quando o proprietário da Primotur, Hélder e o nosso guia Merlin Carter, que iria nos acompanhar durante os primeiros dias na aventura pelas terras mineiras nos recepcionara em frente do hotel Gontijo, onde os geotrilheiros pernoitaram na primeira noite em Belo Horizonte. 

Após o briefing para repasse de todas as informações pertinentes a aventura, embarcamos no carro de apoio até a cidade de Ouro Preto para uma rápida visita a uma das cidades mais antigas do Brasil. Durante o percurso, a linda paisagem do revelo mineiro já mostrava as suas credenciais ao grupo. Além de ser muito bonita, seria bastante cruel com o grupo, devido a própria altimetria esperada até a chegada em Diamantina. 

Chegando em Ouro Preto, o grupo recebeu mais algumas explicações sobre a Estrada Real, e, também, pode fazer um city tour pela cidade dos inconfidentes, respirando a história que exalava das ruas e prédios históricos do lugar. O que nos chamou a atenção foi a quantidade de igrejas clássicas na cidade, tendo como principal destaque a Igreja de São Francisco de Assis. Esta muito famosa graças às obras de Aleijadinho presentes em seu interior. A Igreja de São Francisco de Assis foi a única visitada pelo grupo, pois não haveria tempo suficiente para conhecer toda a Ouro Preto. Porém, ainda houve tempo de conferir algum artesanato na inúmeras lojas das apertadas ruas. Embarcamos novamente no veículo até chegar ao distrito de Camargos, onde iniciaríamos a caminhada propriamente dita. Informações sobre o lugar é que em 1711, os irmãos Tomáz Lopes de Camargos, João Lopes de Camargos e Fernando Lopes de Camargos encontraram um ribeirão aurífero, onde se estabeleceram originando-se assim o povoado de Camargos. 

Ao chegarmos ao local, já se passava do 12h:00, e era preciso nos alimentar para os 16 Km que tínhamos pela frente até Santa Rita Durão, passando por Bento Rodrigues. Logo um cheiro tomou contra dos nossos narizes e acusava que havia uma deliciosa refeição próxima. Seguimos o cheiro e encontramos um pequeno restaurante onde servia comida caseira. O estabelecimento fornecia refeições aos empregados da Semp Toshiba, que para a nossa curiosidade, trabalhavam em enormes projetos de transmissão de energia elétrica na região. Dona Silvania nos recebeu no restaurante, e como não havia comida suficiente, logo se prontificou para dar o reforço. Não durou muito para que o fogão a lenha no meio do alpendre ficasse cheio de comida para matar a nossa fome. Foi o primeiro contato com a típica comida mineira do interior, feita com amor e carinho sem a preocupação do financeiro. 

Após o almoço, iniciamos com uma oração a nossa caminhada pelas estradas de barros a frente. A preocupação era de que o veículo de apoio – um Fiat Doblô – não conseguisse fazer todo o percurso devido a atoleiros a frente. Pedimos para o Merlin seguir e nos esperar a cada 3 Km, pois haveria a possibilidade de prestarmos ajuda caso fosse necessário. 

Seguimos o nosso caminho, e logo a primeira igreja aparece no meio do mato. As suas curvas clássicas contrastavam com o alto do monte. Com uma conversa aqui e outra acolácom os moradores que encontrávamos pelo caminho, seguíamos a frente com uma bela paisagem a nossa volta e o canto dos pássaros. A tranquilidade só era quebrada quando encontrávamos as obras da Semp Toshiba a nossa frente, com o barulho das máquinas. Entre uma parada e outra para reabastecimento de água e comer algumas frutas, chegamos a Bento Rodrigues. Um distrito de Mariana que foi importante centro de mineração do século XVIII. 


Logo na chegada, um dos vários marcos que estão situados ao longo da Estrada Real, informava que em Bento Rodrigues são produzidos inúmeros doces mineiros. Era hora de procurar algum para tomar mais um pouco de água e seguir caminho. Seguindo nossa rota natural, já na saída do distrito encontramos por indicação uma casa onde era produzido doce de leite. A senhora dona da casa, que infelizmente não recordo o nome, nos recebeu para uma prova de doces. E é claro, os geotrilheiros avançaram nessa iguaria mineira. Com um papo bastante gostoso e um cafezinho, o grupo fez a compra de mais alguns potes que serviriam para substituir a rapadura nordestina que havia acabado. Nos despedimos do pessoal e continuamos o nosso caminho. Ao sairmos de Bento Rodrigues uma série de subidas íngremes se destacavam a nossa frente. Porém, uma bica natural parecia ter sido colocada naquele lugar de forma estratégica para o nosso refresco. Tirado o suor do rosto, encaramos um caminho sinuoso em meio a serra, onde apenas as carros 4X4 das empresas ligadas ao setor de mineração passavam. A paisagem ficava cada vez mais bela ao entardecer e as nuvens que envolviam as serras em nossa frente, ameaçavam um pancada de chuva momentânea. 

Por volta das 17h:30 chegamos finalmente a Santa Rita Durão. Um pequeno povoado que nasceu com um dos maiores grupos de prospecção que invadiram o sertão mineiro no começo do século XVIII. A localidade teve primitivamente o nome de “Inficionado”, palavra que é uma variante de “Infeccionado”. Essa antiga denominação lhe foi dada pelos paulistas, no começo do século XVIII, por volta de 1702 e 1703, diante da circunstância de encontrarem pouco ouro e de baixo teor nas águas do curso d’água local. Neste momento, embarcamos novamente na van e seguimos com o pôr do sol que chegava até Morro d’Água Quente, já na região administrativa de Catas Altas. 

O distrito situado aos pés da serra do Caraça, que possui grande presença a empresa Vale, que explora a atividade de mineração nas proximidades. Em Morro d’Água Quente ainda nos reservava mais uma caminhada de 6 Km antes de chegarmos a Catas Altas, que até foi iniciada, mas devido a falta de luz natural, o grupo achou por bem abortar a caminhada e seguir de van até Catas Altas, onde seria o lugar de pernoite do primeiro dia de caminhada na estrada real. 

Chegando em Catas Altas, não imaginávamos que o lugar possui um conjunto arquitetônico muito rico e de grande harmonia, sendo um dos mais homogêneos e representativos da arquitetura colonial mineira. A imensa Serra do Caraça era o seu plano de fundo. Porém, só poderíamos apreciar todo o conjunto pela manhã. O que mais interessava no momento era chegarmos a pousada para descansar após o dia de estreia na Estrada Real. 

Finalmente chegamos na Pousada Catas das Gerais que logo nos chamou a atenção pelo prédio histórico na qual é situada. No seu interior mais belezas com a decoração inspirada em antigos objetos da cultura mineira. Com a alegria do casal Efigênia e Romero, proprietários da pousada, o grupo se sentiu em casa. O jantar contou com uma macarronada e um caldo de linguiça que recompôs as energias perdidas na caminhada. Com uma boa prosa enter o grupo e o casal anfitrião, encerramos o primeiro dia da Expedição Geotrilhas/RN na Estrada Real, mas já com o pensamento em Cocais. Trecho que será percorrido no dia seguinte.

Raio-X

Nível de Dificuldade – Grande
Localização da Trilha – Boa
Disponibilidade de Socorro Médico – Boa
Apoio Logístico – Ótimo

Recomendações necessárias para trilhar

- Usar roupas leves, confortáveis e fechadas;
- Utilizar bastante protetor solar;
- Levar cantil com bastante água;
- Utilizar chapéu ou boné para se proteger do sol;
- Não escrever, desenhar ou danificar as árvores;
- Guadar seu lixo e obedecer às instruções do condutor.

Onde Comer 

Restaurante da Silvania
Fone: (31) 8506-1592

Onde Ficar

Pousada Catas das Gerais
Fone: (31) 3832-7292 

Contatos para realização de trilha

Magrelas’s
Fone: (31) 8422-4425

Primotur
Fone: (31) 3213-9839

Trilhando Minas
Fone: (31) 9811-2855

Realização 
 

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