quarta-feira, 16 de maio de 2012

COMO O DESFLORESTAMENTO COLABORA COM O AQUECIMENTO?


Por José Eduardo Mendonça

Um novo estudo da Universidade da Califórnia-Davis fornece uma compreensão mais profunda dos complexos impactos globais da utilizacão das florestas sobre as emissões de gases estufa.

O estudo, publicado ontem na edição online da Nature Climate Change, relata que o volume de gases estufa liberados pela derrubada de uma floresta depende de como as árvores vão ser usadas, e em qual parte do mundo elas crescem.

Quando as árvores são derrubadas para criar produtos de madeira sólida, tais como o madeiramento de casas, elas mantêm seu carbono por décadas. Em contraste, quando a madeira é usada para bioenergia ou transformada em polpa de celulose, quase todo seu carbono é liberado na atmosfera.

“Nós descobrimos que, 30 anos depois da limpeza de uma floresta, entre 0 e 62 por cento do carbono dela pode permanecer armazenado,” disse o principal autor do estudo, J. Mason Earles, estudante de doutorado no Instituto de Estudo de Transportes da universidade. “Modelos anteriores assumiam em geral que o carbono era liberado imediatamente.”

Os pesquisadores analisaram como 169 países usam a madeira. Aprenderam que florestas temperadas encontradas nos EUA, Canadá e partes da Europa são derrubadas primariamente para uso em produtos de madeira sólida, enquanto que as florestas tropicais no hemisfério sul são mais usadas na produção de energia e papel.

“O carbono armazenado em florestas fora da Europa, EUA e Canadá, por exemplo, em países tropicais como Brasil e Indonésia, será quase totalmente perdido depois da derrubada,” afirma o estudo.

Estas descobertas têm implicações potenciais para os incentivos ao biocombustível. Se os EUA, por exemplo, decidirem incentivar colheitas de milho para etanol, outras menos lucrativas, como a soja, podem se mover para outros países. E estes países podem por isso ter de derrubar florestas. Onde estes países estão localizados e como a madeira de suas florestas irão ser usadas determinarão quanto de carbono será liberado na atmosfera.

Earles disse que o estudo fornece novas informações que podem ajudar os modelos de avaliação do Painel Intergovernamental Sobre a Mudança do Clima da ONU, informa o Physorg.

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