sexta-feira, 1 de julho de 2011

DROPS III DESAFIO GEOTRILHAS/RN DE KART - Dica de Pilotagem com Victor Uchôa (Pneus)

Se você fizer uma lista de cada componente de seu kart – cada parafuso, porca, peça do motor, componente do chassi, cabo, fio – e, então, classificá-la em ordem de importância baseando-se em quanto cada componente contribui para sua velocidade final e regularidade na pista, os quatro primeiros itens serão:

pneu
pneu
pneu
pneu

O quinto dos componentes restantes incluiria o próprio chassi, o motor e o sistema de escape, além dos demais itens. Isso não significa que não sejam importantes. É claro que são. Obviamente, é todo o conjunto que realmente determina o potencial da performance do veículo.
Mas se tivéssemos que escolher o componente mais crítico, ele seria o pneu, principalmente sob a perspectiva do piloto. Tudo o que você faz como piloto de kart é comunicado através dos pneus. Em outras palavras, seus pneus são os mais importantes componentes para seu sucesso atrás do volante. Isso não significa necessariamente que você deverá ter, em seu kart, o último lançamento, o mais macio, o mais caro e sofisticado jogo de pneus disponível no mercado cada vez que sai para a pista. O que se quer dizer é que, para ser veloz e vencer corridas, você precisa usar bem os seus pneus, “ler” os seus pneus e entender o que eles estão tentando lhe dizer. Você precisa conhecer e entender os seus pneus.

Tração dos Pneus – O Que é Isso?
Por toda a sua carreira de piloto, você ouvirá muito sobre tração dos pneus. Apesar da maioria de nós ter uma boa idéia do que significa tração, vamos explicar o tema para que possamos nivelar o conhecimento.

A tração dos pneus se baseia em vários fatores, incluindo o coeficiente de atrito da superfície da pista (quão aderente é o pavimento), a estrutura e o composto de borracha do pneu e a carga, ou seja, o peso que o kart pressiona o pneu contra a superfície da pista.

Para observar esses fatores, pegue duas borrachas, sendo uma macia e a outra bem dura. Passe uma delas sobre uma superfície lisa (uma mesa, por exemplo), tentando perceber quanta força é preciso para mover a borracha. Faça o mesmo sobre uma superfície abrasiva, como uma calçada de concreto. Isso mostra a diferença do coeficiente de atrito das duas superfícies.

Para perceber a diferença entre compostos de borracha, compare a força necessária para deslizar as duas borrachas numa mesma superfície. A mais macia adere mais e necessita mais força para que deslize, não é mesmo?

Finalmente, para perceber o efeito que a carga ou peso exerce sobre o pneu, deslize uma borracha sobre uma mesa. Depois, aperte fortemente a borracha sobre a mesa – exercendo carga ou peso sobre ela – e perceba que ficou muito mais difícil fazê-la deslizar.

Ângulo de Derrapagem
O termo “derrapagem” em “ângulo de derrapagem” pode parecer um pouco confuso, mas o conceito não é difícil de entender. Apesar do termo "derrapagem" não ser totalmente preciso, ele se prestará para aquilo que estamos pretendendo explicar.

Para que seus pneus gerem o máximo de aderência, eles devem “derrapar” um pouco. Assim que você gira o volante, os pneus dianteiros apontam para um ângulo ligeiramente diferente daquele indicado pela frente do kart. Uma fração de segundo após você ter girado o volante, o kart muda de direção. No entanto, ele não vai exatamente para onde os pneus dianteiros apontam. Ao contrário, seguem um arco ligeiramente maior que aqueles que os pneus dianteiros estão indicando ir – ou seja, não fazem a curva exata. Em outras palavras, há uma diferença entre a direção que os pneus apontam e aquela que o kart percorre. O ângulo formado entre essas duas linhas de direção é chamada de “ângulo de derrapagem” (slip angle).

Se esse ângulo é zero, o kart está seguindo exatamente a direção indicada pelos pneus. Isso apenas ocorrerá quando o kart estiver em baixa velocidade.

Conforme a velocidade aumenta e os pneus começam a deslizar, o “ângulo de derrapagem” aumenta. Em um determinado ponto, quando o “ângulo de derrapagem” está entre 6 e 10 graus, os pneus estarão gerando o máximo de aderência. Se você excede esse limite, por correr mais rápido, o kart derrapará em demasia e você ultrapassará os limites ideais de aderência dos pneus.

O que isso significa é que o kart não estará derrapando suavemente pelas curvas e que você não está sendo tão veloz quanto possível. Ou seja, se você estiver derrapando em demasia, por estar tentando pilotar mais rápido, os pneus não estarão aderindo à pista com o máximo de sua eficiência. Se o kart alguma vez – mesmo que seja por uma fração de segundo – der a sensação de estar correndo em trilhos, significa que você está demasiado lento. Por outro lado, se você estiver fazendo as curvas com fortes derrapagens, estará aniquilando com a sua velocidade.

O grande desafio, é claro, é saber quanto de angulação das rodas é o ideal, assim como o quanto é pouco ou demasiado. A habilidade para sentir isso se consegue basicamente através de uma experiência de tentativa e erro: acelerar além do limite, diminuir um pouco a velocidade, voltar a superar o limite, voltar ao ponto anterior – encontrar o limite onde o kart está no máximo de aderência e no máximo de velocidade.

É importante mencionar que existe uma situação especial onde o kart deve parecer estar sobre trilhos: aquela onde você está em um kart de baixa potência e em uma pista muito aderente – uma com muita tração. Neste caso, é possível que o kart tenha uma tração excessiva. O problema é que toda essa aderência segura o kart, arrebentando com a velocidade final. Essa é uma situação difícil de descrever, mas no momento que experimentar, irá reconhecê-la. Basicamente, seu objetivo será reduzir a quantidade de aderência do kart de forma a fazê -lo correr mais livremente.

Área de Contato dos Pneus
Tudo o que existe conectando-o à pista são as quatro áreas de contato dos pneus, a porção de cada pneu que está em contato direto com a superfície da pista. Essas áreas de contato dependem do tamanho do pneu e da distribuição do peso do kart. De modo geral, quanto maiores forem essas quatro áreas de contato sobre a superfície da pista, maior será a tração obtida.

Para entender as áreas de contato e o peso distribuído entre eles, vamos tomar um carro como exemplo. O que acontece se um motorista aperta fundo no acelerador? Além de o carro acelerar rapidamente, sua traseira afunda. As leis da física nos explicam que isso é causado porque a massa do carro tende a permanecer onde estava em repouso. A aceleração altera a distribuição de peso do carro. Um carro tem seu peso distribuído igualmente entre sua dianteira e traseira (50% do peso sobre os pneus dianteiros e 50% sobre os traseiros) quando está parado. À medida que o carro acelera, parte do peso é transferido para a traseira do veículo. Digamos que, nesse momento, 75% do peso do carro estejam sobre os pneus traseiros e 25% sobre os dianteiros. O peso total do carro não alterou, apenas a sua distribuição. Os pneus traseiros terão um incremento de tração, enquanto os pneus dianteiros sofrerão um decréscimo na tração.
Você deve estar pensando que isso não é nada para um carro, com suas molas, amortecedores e suspensão, não é mesmo? Só que um kart não possui um sistema de suspensão que irá trabalhar durante uma aceleração. Não importa – o fato de inexistir suspensão não significa que as leis da física deixaram de ser aplicadas. Em um kart, pode ser mais difícil perceber ou de sentir a transferência de peso da dianteira para a traseira durante uma aceleração, mas ela continua ocorrendo. Essa é a razão de que a maioria dos karts tem pneus mais largos nas rodas traseiras que na dianteira – é que os pneus traseiros devem fazer curvas e acelerar, enquanto os dianteiros apenas são usados para fazer curvas.

O mesmo ocorre durante as freadas, só que no sentido inverso. Novamente imaginemos um carro. Quando um motorista freia, a frente do carro afunda, transferindo peso para os pneus dianteiros. Essa é a razão dos carros terem freios mais potentes na dianteira que na traseira – é porque os pneus dianteiros estão desempenhando a maior parte do trabalho de frenagem. E mesmo que a maioria dos karts tenha freios nas rodas traseiras, as leis da física irão determinar que o peso seja transferido para as rodas dianteiras, mesmo que você apenas tenha tirado o pé do acelerador.

E se esse peso é transferido para frente e para trás (longitudinalmente), é claro que ele também trabalha de um lado para o outro (lateralmente) durante uma curva. Quando se faz uma curva à direita, por exemplo, o peso é transferido para o lado externo, diminuindo a carga sobre os pneus do lado interno da curva (os pneus do lado direito do kart), aumentando a carga sobre os pneus no lado externo (os pneus do lado esquerdo).

À medida que você incrementa o peso sobre um pneu, a sua superfície de contato aumenta, gerando maior aderência. Pegue uma daquelas borrachas novamente e coloque muito peso sobre ela. Perceba como ela amassa e como aumenta sua área de contato sobre a superfície. O mesmo se aplica aos pneus. Se você aumentar o peso sobre um pneu, o tamanho da superfície de contato aumenta e o pneu ganha tração. Não é de surpreender que o oposto também seja verdadeiro.

Reduza o peso sobre um pneu e tanto a área da superfície de contato quanto o nível de tração diminuirão. Tendo em mente como a transferência de peso funciona e o fato de que um pneu que receba maior carga terá mais aderência, você começará a entender como sua forma de pilotagem pode afetar o desempenho do kart. Se, ao fazer uma curva, você coloca mais carga sobre os pneus dianteiros por tirar o pé do acelerador, os pneus dianteiros terão mais aderência que os traseiros, fazendo com que, possivelmente, a traseira do kart derrape. Ou então, se você acelera forte no meio de uma curva, o peso mudará para a traseira, tirando a carga dos pneus dianteiros e sobrecarregando os traseiros. Isso fará com que os pneus dianteiros comecem a derrapar.

Calibragem
  • Pistas com pouco "grip", ou seja, pouco emborrachadas, costumam exigir uma calibragem mais alta. Considere inicialmente uma pressão entre 13 e 15 PSI (pneu quente).
  • Já em circuitos muito emborrachados, situação que costuma acontecer nos dias de corridas importantes, com muitos karts na pista, é aconselhável utilizar uma calibragem mais baixa (10 a 13 PSI, com pneus quentes). 
  • Mudanças na temperatura atmosférica influenciam no comportamento do kart na pista. 
  • Pneus de composto mais macio podem exigir uma calibragem mais baixa do que pneus de composto mais duro. 
Fonte: Kart Online

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