segunda-feira, 20 de junho de 2011

CAUSOS DE ARUPEMBA O MATUTO BERADEIRO - AS BORREGAS EMPANZINADAS


AS BORREGAS EMPANZINADAS.
(O MILAGRE)

Por Geraldo Bernardo
Num tempo já bem distante,
Nesta cidade Sorriso,
Que é conhecida por Sousa.
Falar a verdade é preciso,
Aconteceu algo incomum,
Coisa pra se perder o juízo.

Dizer a data: - Tô indeciso.
O século foi dezenove,
Em que aconteceu o ocorrido.
Ainda não encontrei quem prove,
Do milagre ninguém mostrou
A famosa prova dos nove.

Porém, a fé que tudo move.
Acredita que uma borregada,
Durante oito dias guardou
A santa hóstia consagrada.
Perdida por um macumbeiro
Na ocasião que foi roubada.

Um negro, crença renegada –
Assim diz a lenda popular –
Foi durante uma missa,
O negro resolveu confessar,
Quando a hóstia ele recebeu,
Escondeu ao invés de comungar.

Em seguida correu do lugar,
Tomou do mato a direção.
Hoje é o centro da cidade,
Antes era Lagoa do Carão,
Onde o negro foi perder,
A partícula da comunhão.

Tinha que ser um negão?
Além do mais macumbeiro?
Escolhido pra essa história?
É bom explicar primeiro
O que deve ter acontecido.
De fato, doía um dente queiro,

Sendo o negro presepeiro,
Quando a hóstia recebeu,
Trincou com força os queixos
Não deu outra - o dente doeu.
Ele pegou o sagrado ázimo
Na prega da roupa escondeu.

E todo mundo percebeu.
- Roubou pra fazer feitiço!
Beatas começaram a gritar.
Tava feito o reboliço.
O negro ainda tentou falar:
- Ôxente! Não é nada disso.

Porém, grande era o enguiço
Que no momento formava.
Então o negro tentou fugir
Da turba que se agitava.
A missa num instante findou.
- Xô, negro. – o povo gritava.

No mato se embrenhava
O preto sendo perseguido.
Perto da Lagoa do Carão
A hóstia deve ter caído,
Na moita de capim seco.
Tendo o negro sumido.


Ora! Um borrego perdido,
Achou a transubstanciação,
Logo resolveu chamar
O bando que tava em aflição
Todos haviam sumido
Buscando melhor ração.

Após uma demorada reunião,
Ovelha é bicho complicado
Pra chegar a uma decisão.
O carneiro mais renomado
Propôs a sábia solução:
- É melhor ficar acampado.

Foi de imediato interpelado
Por um bode – da oposição.
Que foi expulso na mesma hora,
Acusado de subversão.
Pois, ali não cabia bode,
Que é bicho-imagem do cão.

As ovelhas, naquela ocasião,
Viram a hóstia no chão caída.
Era o argumento que faltava
Pra que montassem guarida.
Sugestão de uma marranzinha
Que falou toda atrevida:

- Atenção! Liguem-se na vida.
Encontramos o melhor lugar
A gente fica protegida.
É certo que o homem vem buscar
Sua partícula benzida.
Agora é só começar a gritar.



Alguém ainda quis protestar,
Balindo: Ôxe! Como é que éééé?
Como é que sabe disso tudo?
A marrã respondeu: - Sua Manéééé....
Eu sou atriz de presépio
Já vi demais como é que é.

Menino, moça homem e mulher
Recebem a santa comunhão.
Deve ter gente por perto,
E não demora muito não,
Encontram-nos antes do ocaso.
Disse com muita convicção.

Ali havendo farta ração,
Era comer e soltar balido
Em pouco tempo um pastor,
Seguia rumo ao alarido
E trouxe na volta o rebanho
Há muito desaparecido.

Porém antes foi difundido,
Como as ovelhas escaparam.
Formou-se grande procissão
Ao lugar onde acamparam
As ovelhas iam juntas a balir.
Fogos nos céus pipocaram

Com missa comemoraram
De Milagre Eucarístico
Ficou sendo assim chamado.
Nome mais característico –
É Bom Jesus Aparecido.
Hoje é ponto turístico.

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