domingo, 26 de junho de 2011

CAUSOS DE ARUPEMBA , O MATUTO BERADEIRO - SOCORRO! OS IANQUES QUEREM QUE EU DEIXE DE SER VIRGEM!


SOCORRO! OS IANQUES QUEREM QUE EU DEIXE DE SER VIRGEM!

Prof. Geraldo Bernardo

Como se não bastassem às agruras diárias, as imposições a que devemos nos dobrar, tudo caindo por terra, conceitos mudando, evaporando-se a fraternidade, o respeito, a ética, como se não bastasse viver em meio a tanta lama, digo lama de verdade, pior ainda, lama e esgoto que a chuva faz questão de socializar com quem mora nas periferias, isto quando não cai barranco (aqui em Sousa/PB não cai barranco, mas lama e esgoto nas ruas têm demais), como se não bastassem todas estas coisas, ainda tem quem queira piorar a vida das pessoas, complicando tudo.

E não me refiro aos contracheques zerados, tampouco quero falar mal do desembargador sacana que me tirou o emprego e o sustento. Não, minha pregação hoje não é contra uns filhos da puta que acham que têm poder, e, para provar, fazem de tudo para que me dobre aos seus caprichos, por um cargo, por um trabalho que é o que dignifica o homem, segundo dizem os capitalistas. Não quero soltar meu verbo contra a patifaria dos que governam e se arvoram a serem deuses, bons demais, quando apenas cumprem com o papel, essa gente que por pagar em dia ao servidor acha que fez um bem enorme a humanidade, não é sobre eles que quero escrever.

Tampouco quero inflamar meus leitores contra a burrice de determinados “jornalistas” que vivem de ser baba-ovo de político ou de quem acha que os cofres públicos devem financiar time de futebol, sendo que o time contrata gente de fora, não tem projeto social, não forma atletas, cobra um absurdo de ingresso, utiliza-se de um equipamento público como se fosse privado e anda por cima serve para eleger um ou outro, não falo estas coisas porque este não é meu papel, quem fala isto é um forasteiro chato que me visita vez por outra.

Não é de meu feitio polemizar sobre estes valores tão arcaicos. Afinal, qual o poder que não pode? Já perguntava um caprino colorido que conheço.

E, foi me perguntando estas coisas que resolvi fundar A MINHA IGREJA, para que eu também tivesse algum poder, pudesse pastorear algum rebanho, uns mais fragilizados que pagassem minhas despesas, minhas cachaças, enfim que ouvissem minhas pregações e acreditassem que tudo ia melhorar. Por outro lado, também posso pregar pras cabritinhas ou ovelhinhas desgarradas, purificando-as com o cajado santificado, como diz aquela velha canção rock’n roll.

Afinal, fundei uma igreja eclética o suficiente para que nela coubessem os renegados de toda a sorte, a turma LGTB adorou, rezam todos os mantras, a turma da fumaça é acolhida com carinho com direito a colírio e tudo mais. Pus uma central telefônica na sacristia para organizar o serviço de acompanhantes e a noite, na beira da piscina que fica nos fundos do salão paroquial, sempre tem um carteado, pois, quem pode viver sem o “pintado”?

São com estas coisas que me ocupo. Eu lá vou querer saber se o “Jardim Sorrilama” está cheio de lama, que deixam lá estas coisas com os políticos e as crianças que gostam de aventurar-se no perigo da leptospirose.

Nem tempo tenho para certas coisas, agora que acabei criar na minha igreja um serviço de aconselhamento a partir da leitura do zodíaco. Acabei de inaugurar e me vem uma bomba. Tudo para atrapalhar meu negócio.

Pois, não é que uns hijos de la putana”, ianques imperialistas, inventaram de inventar, que agora temos que aprender um outro signo zodiacal? Um tal Serpentário. Vão gostar de cobrar assim lá pras bandas da Ribeira. Isto só veio atrapalhar meu negócio. E o pior foi aflição de uma de minhas seguidoras, menina tão jovem, linda como uma flor desabrochando – este texto tá ficando meio “aviadado” – Purezinha, seu nome, chegou aflita, aos prantos, toda trêmula em busca de meus conselhos, pois ela que sempre foi de Virgem, agora virara Leão. E em seu desespero a teenager dizia-me, soluçando sem parar:

- Pastor! Como vou dizer a isso a minha mãe?

- O que minha filha?

- Que não sou mais Virgem?

Acalentei-lhe, pondo-a para chorar em meu ombro, depois disse-lhe de prontidão:

- Minha filha, só com o toque de meu cajado para purificar-lhe.

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